A Polícia Federal prendeu o presidente da Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), Carlos Roberto Ferreira Lopes, investigado por suspeita de participação no esquema bilionário de roubo a aposentados e pensionistas do INSS. A prisão ocorreu na noite de quarta-feira (12) e divulgada na manhã desta quinta-feira (13) pela Polícia Federal.
Lopes foi indiciado no mês passado em um dos inquéritos da Operação Sem Desconto e, segundo a autoridade policial, estava foragido desde novembro do ano passado quando foi alvo de um mandado de prisão. A entidade é apontada pelos investigadores como peça central de um esquema que teria usado filiações falsas para realizar cobranças não autorizadas de beneficiários do INSS.
“O homem apresentou-se na Superintendência Regional da Polícia Federal no Distrito Federal e será encaminhado ao sistema prisional após os procedimentos de praxe”, afirmou a Polícia Federal em nota.
A Gazeta do Povo procurou a Conafer para se pronunciar sobre a prisão de Carlos Roberto Ferreira Lopes e aguarda retorno.
VEJA TAMBÉM:
Lopes passou a ser considerado foragido depois que agentes não conseguiram localizá-lo para cumprir o mandado de prisão expedido no dia 17 de novembro de 2025. Na época, a Conafer negou que o dirigente tivesse fugido e afirmou que ele estava “em viagem em área de difícil acesso e com limitação de comunicação”, além de estar em processo de retorno.
A prisão ocorreu após a Polícia Federal concluir, no mês passado, a primeira investigação da Operação Sem Desconto que resultou no indiciamento de 48 pessoas, incluindo o dirigente. Entre os investigados estão o ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto, o ex-procurador-geral do órgão Virgílio de Oliveira Filho, o ex-diretor de benefícios André Fidelis e o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca.
O presidente da Conafer foi formalmente indiciado por organização criminosa, lavagem de dinheiro em caráter majorado e reiterado e corrupção ativa majorada. O relatório final da investigação foi encaminhado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator dos processos envolvendo a fraude do INSS na Corte.
VEJA TAMBÉM:
Como a Conafer operava na fraude
A investigação aponta que a Conafer, sob a gestão de Lopes, utilizava dados de segurados obtidos sob pretexto de “atualização cadastral” ou mediante assinaturas falsificadas para criar documentos falsos de filiação associativa. Com essas supostas autorizações, o grupo inseria cobranças mensais nos extratos do INSS (geralmente entre R$ 30 e R$ 80) sem qualquer autorização dos aposentados.
Apenas com esse esquema, segundo a apuração, a arrecadação da Conafer saltou de R$ 6,6 milhões para mais de R$ 708 milhões recebidos de forma irregular do INSS. Desse montante, a perícia da Polícia Federal identificou que pelo menos R$ 640 milhões foram desviados para contas de empresas de fachada e operadores financeiros controlados pela organização.
As investigações ainda apontam que Lopes atuava na articulação com servidores de alto escalão do INSS, influenciando a nomeação de cargos estratégicos na diretoria que pudessem chancelar ou se omitir para os acordos de cooperação das associações.
Relembre o caso
A Polícia Federal aponta que R$ 6,3 bilhões foram roubados de aposentados e pensionistas através de mensalidades ilegais de benefícios como se fossem associados a entidades, embora não tivessem autorizado as cobranças. A apuração teve início em 2023 pela Controladoria-Geral da União (CGU) e passou a ser investigada pela Polícia Federal em 2024 após a identificação de indícios de crimes.
Dos valores roubados dos beneficiários do INSS, o governo já devolveu mais de R$ 3,2 bilhões a mais de 4,7 milhões de aposentados e pensionistas.


