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Urubu toca sino antes de terremoto na Colômbia

O urubu toca o sino: o jornalista quer saber se é verdade; o cronista quer que seja verdade. (Foto: Reprodução/Imagem melhorada com o uso de IA)

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Me chegam muitas imagens do terremoto na Colômbia. Algumas mostram o medo. Dessas, a que mais me impressionou foi a de operários se agarrando às armações de ferro no alto de um prédio em construção. Outras mostram a morte. Acabei de ver, por exemplo, a imagem de uma pessoa que morreu imprensada por dois lances de escada enquanto tentava fugir de um prédio. Tristíssimo. E tem essa imagem aí do título: um urubu tocando o sino de uma igreja, supostamente antes do terremoto.

Claro que nada indica que a imagem seja mesmo de antes do terremoto. O vídeo, curioso em si, pode ter sido feito em qualquer outro momento e local. Também há a possibilidade de o vídeo ter sido gerado por inteligência artificial. Eu sei. E se fizer meu trabalho jornalístico e apurar, apurar de verdade, é provável que me decepcione ou me depare com alguma alma caída querendo tirar proveito da tragédia. O jornalista quer saber se é verdade. O cronista quer que seja verdade. Por isso a hashtag #escolhiacreditar.

Rã e Di Caprio

Acreditar. Me parece que, hoje em dia, acreditar no que se vê nas redes sociais e (infelizmente) nos jornais é mais do que nunca uma questão de escolha. E aqui vai mais um exemplo: agorinha mesmo vi a notícia de que o Chile interrompeu obras de infraestrutura porque Leonardo DiCaprio falou não-sei-o-quê sobre uma rã ameaçada de extinção. Pode ser notícia, informação, fato concreto. E é. Mas que parece coisa tirada de um livro ruim de realismo fantástico/mágico, parece.

Aliás, a pessoa que publicou no Twitter o vídeo do urubu tocando o sino fazia menção a Gabriel García Márquez. “Perguntaram a Gabo de onde ele tirava as coisas mágicas e maravilhosas de seus romances. Ele disse que tudo era real, que não inventava nada. Tudo é verdade”, tuitou @BrukazJ. A anedota é boa. Se verdadeira ou falsa, não sei. E, mais uma vez, me vejo obrigado a escolher entre desconfiar de tudo, correndo o risco de virar mais paranoico do que já sou, e acreditar – correndo o risco de passar por idiota. Mas um idiota em paz.

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