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Quem quer derrotar Moraes não devia apoiar senadores do centrão

Alexandre de Moraes ordenou busca e apreensão contra pessoa apontada como fonte de jornalista que publicou denúncia de uso irregular de veículo oficial pela família de Flávio Dino. (Foto: Rosinei Coutinho/SCO/STF)

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Flávio Bolsonaro defendeu o impeachment de Alexandre de Moraes após uma reunião com candidatos ao Senado. Além disso, defendeu uma atuação coordenada da oposição para pressionar o Senado a analisar o pedido. Ao mesmo tempo, busca ampliar o apoio entre parlamentares e transformar a medida contra Moraes em uma das principais pautas do grupo.

Para Flávio, Moraes se tornou um “grande articulador político” do presidente Lula. A declaração faz referência ao jantar promovido pelo ministro em sua residência, em Brasília, com a participação de Lula e do presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Essa postura já seria totalmente antirrepublicana, mas, ocorrendo a poucos dias da eleição, é um acinte ainda maior.

Além disso, entidades ligadas ao exercício do jornalismo divulgaram uma nota conjunta em que manifestam preocupação com a quebra do princípio constitucional do sigilo de fonte. A manifestação veio após uma operação de busca e apreensão da Polícia Federal, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, contra o ex-secretário de Segurança Pública do Maranhão Raimundo Cutrim. Ele teria sido alvo por ser a fonte que forneceu informações ao jornalista Luís Pablo, que publicou uma série de reportagens sobre o ministro do Supremo Flávio Dino, acusando-o de usar recursos públicos para fins privados no estado.

Subir o tom contra Moraes em época de eleição é sempre um risco, mas vejo com bons olhos essa postura do candidato. O próprio Jair Bolsonaro, preso indevidamente por Moraes, já disse que, tão ou mais importante que a Presidência, é ter um Parlamento independente, com coragem de impor um freio aos abusos supremos. Essa deveria ser a pauta prioritária na escolha de um senador neste ano, mas isso tem sido deixado de lado até pelo PL.

Basta pensar no nome de André do Prado, ligado ao centrão, que foi a escolha de Eduardo Bolsonaro. Prado foi eleito presidente da Alesp com os votos do PT, e seu projeto de lei era para banir armas de brinquedo. Ninguém pode achar que alguém com esse perfil vai mesmo lutar pela anistia dos presos políticos e pelo impeachment de Moraes.

É como o apoio dado pelo mesmo Eduardo a Hugo Motta para presidir a Câmara. Alegava-se que Motta já estava eleito mesmo, e que, ao menos, o PL teria as comissões. Mas essa é a mentalidade do centrão, que acompanha qualquer um eleito em troca de ministérios, estatais ou qualquer espaço no poder. Agora, Motta declara apoio a Lula, e os bolsonaristas que acusaram de “intergalácticos traidores” e de integrantes da “direita limpinha” aqueles que se recusavam a apoiá-lo ficam com cara de paisagem.

É preciso se dar conta de que vivemos em um estado de exceção, e não vai ser se tornando centrão que vamos mudar essa realidade. Flávio já atuou como “bombeiro” para apaziguar o clima entre o STF e o governo de seu pai, como ele mesmo admite, e foi contra a CPI da Toga no passado. Coloca-se como o “Bolsonaro moderado” e, mesmo assim, não consegue impedir a perseguição suprema, que atinge também Romeu Zema, com sua excelente série sobre os intocáveis.

Qualquer um que não for totalmente submisso ao STF será perseguido, eis a triste realidade. Por isso, acho acertado o tom mais firme de Flávio contra Moraes ao lado de candidatos ao Senado. É crucial resgatar essa agenda e colocar esse critério como o mais relevante na eleição deste ano. Se o Brasil quer alimentar a esperança de resgatar sua democracia, não será com notinhas da imprensa condenando novos abusos de Moraes, e sim com um Senado repleto de parlamentares corajosos e independentes, sem rabo preso e sem depender do centrão.

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