Secretário de Estado americano é um dos nomes de maior destaque na gestão Trump e vem ganhando cacife político para ser o candidato republicano na próxima eleição presidencial (Foto: WILL OLIVER/EFE/EPA)
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Rival do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, é um dos nomes de maior destaque na gestão Donald Trump e vem ganhando cacife político para ser o candidato republicano na eleição presidencial de 2028 nos Estados Unidos.
Segundo uma reportagem publicada este mês pelo site The Hill, uma pesquisa realizada com os participantes do Western Conservative Summit, realizado no estado do Colorado, mostrou que 57% dos entrevistados apoiavam Rubio para a próxima disputa presidencial. O vice-presidente J.D. Vance apareceu em segundo lugar, com 21%.
Outra pesquisa que deu fôlego às pretensões presidenciais de Rubio foi realizada em New Hampshire, estado que é considerado uma espécie de termômetro dos ânimos internos do Partido Republicano, por tradicionalmente realizar a primeira primária da legenda em anos de eleição presidencial.
De acordo com informações da emissora Fox News, Vance apareceu em julho com 36% de apoio entre prováveis eleitores das primárias republicanas em New Hampshire, enquanto Rubio teve 26%.
A pesquisa anterior da Universidade de New Hampshire (UNH), realizada em fevereiro, havia mostrado Vance com 53%, contra 7% de Rubio.
Marco Antonio Rubio tem 55 anos, nasceu em Miami e é filho de cubanos que emigraram para os Estados Unidos em 1956, dois anos e meio antes da tomada do poder por Fidel Castro na ilha caribenha.
Rubio foi deputado na Câmara da Flórida e em 2010 foi eleito pela primeira vez para o Senado americano. No Legislativo, se notabilizou pela postura combativa contra governos e ditaduras de esquerda na América Latina.
Ele se opôs às tentativas de normalização das relações com Cuba durante a era Obama, foi um grande crítico do então ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, e pediu sanções contra a ex-presidente argentina Cristina Kirchner por corrupção.
Sobre o Brasil, condenou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes pelo bloqueio do X no país em 2024 e disse que Lula era um “líder de extrema esquerda que encobre a natureza criminosa do narco-regime de Maduro”.
Rubio também é crítico das ditaduras do Irã e da China: em 2020, foi alvo de sanções de Pequim devido às suas declarações sobre a repressão aos protestos pró-democracia em Hong Kong.
Rubio tem histórico de desavenças com Trump
Ele teve uma relação conflituosa no passado com seu agora chefe. Em 2016, quando Donald Trump o venceu nas primárias do Partido Republicano para a eleição presidencial, as discussões entre os dois nos debates fizeram a festa dos usuários de redes sociais.
Num desses debates, Trump ridicularizou Rubio por suar demais. “É nojento. Precisamos [na Casa Branca] de alguém que não tenha o que quer que seja que ele tenha”, afirmou.
O então senador da Flórida também ridicularizou o futuro presidente americano, ao destacar, por exemplo, os erros de ortografia de Trump nas suas postagens no então Twitter (hoje X).
“Deve ser assim que se escreve na Wharton School of Business”, disse Rubio, citando a universidade onde Trump estudou. Também afirmou que Trump “deve ter contratado um trabalhador estrangeiro para fazer seus tuítes”.
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Por fim, Rubio desistiu da pré-campanha de 2016 após ter sido derrotado nas primárias no seu próprio estado.
Depois, durante o primeiro mandato de Trump (2017-2021), Rubio foi coautor de uma lei para tornar mais difícil a retirada dos Estados Unidos da Otan (uma ameaça de Trump), ao exigir que dois terços do Senado ratificassem a medida.
Como secretário de Estado, Rubio pressiona a esquerda
Apesar dessas divergências, Trump o indicou para o Departamento de Estado em novembro de 2024, poucos dias após a eleição presidencial vencida pelo empresário nova-iorquino, e em janeiro de 2025, todos os 99 senadores presentes votaram para confirmar a indicação de Rubio para a pasta.
Desde que chegou ao Departamento de Estado, o ex-senador se notabilizou por revogar vistos de autoridades estrangeiras odiadas pela direita, como o então presidente colombiano Gustavo Petro em 2025, Moraes e Kirchner, além de juízes e promotores do Tribunal Penal Internacional (TPI) responsáveis pelo mandado de prisão contra o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, por acusações de crimes de guerra e contra a humanidade no conflito na Faixa de Gaza.
Rubio lançou recentemente uma ação para “desmantelar” o TPI, fazendo pressão para que países integrantes da corte abandonem o tribunal, e também uma coalizão internacional contra o extremismo de esquerda.
Ele também coordena a ofensiva econômica e diplomática contra as ditaduras de Cuba e da Venezuela, onde, desde a operação militar que capturou Maduro em janeiro, é considerado o administrador de fato do país.
Quanto ao Brasil, além da revogação de vistos de autoridades, Rubio gerou revolta no governo Lula ao designar os grupos criminosos brasileiros Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas; afirmar que o Brasil faz parte de uma lista de governos latino-americanos “não amigáveis”, mesma categoria de Cuba e Nicarágua; e acusar o presidente petista de colocar seu “ego” acima dos interesses brasileiros nas negociações do novo tarifaço americano.
Em resposta, Lula acusou o secretário de Estado de ser um “bolsonarista” que “não gosta do Brasil e da América Latina” e de fazer “as coisas diferente daquilo que a gente conversa com Trump”.
Apesar da sua ascensão nas pesquisas, ainda não se sabe se Rubio será o candidato republicano em 2028.
Trump, que tem provocado com afirmações de que poderá concorrer novamente – o que é proibido pela Constituição americana, que prevê que uma pessoa pode ser eleita presidente no máximo duas vezes, mesmo com mandatos não consecutivos –, não sinalizou preferência entre Rubio e Vance e disse numa entrevista que uma chapa com ambos em 2028 seria “um grande time”. “Não sei como eles podem ser derrotados se estiverem juntos”, afirmou.
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