Lula e Carlos Lupi, durante a campanha presidencial de 2022. (Foto: Fernando Bizerra/EFE)
Ouça este conteúdo
Não dá para negar que o roubo a aposentados e pensionistas do INSS tem ligação com gente muito, muito próxima do Lula. Começo citando a turma do PDT, aliado de longa data do PT, que controla até hoje o Ministério da Previdência. Quando Carlos Lupi ainda era o ministro, ele foi avisado algumas vezes, em reuniões do Conselho Nacional da Previdência Social, da suspeita sobre os descontos indevidos. E barrou uma discussão imediata sobre o problema. Lupi acabou caindo. No lugar dele assumiu o atual ministro, Wolney Queiroz, que, ainda no início do terceiro mandato de Lula, tinha se reunido com o “Careca do INSS” no ministério comandado à época pelo colega de partido. Também estavam no encontro o então procurador-geral do instituto, Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho, e o diretor de benefícios do órgão, André Paulo Félix Fidelis. Há poucos dias, eles foram indiciados pela Polícia Federal num novo inquérito sobre os desvios, pelos crimes de inserção de dados falsos em sistema de informações e por organização criminosa.
Passo, então, para a família do Lula… O irmão mais velho dele, José Ferreira da Silva, conhecido como Frei Chico, é vice-presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos. O Sindnapi é uma das entidades que mais tomaram dinheiro de beneficiários do INSS. Mesmo assim, Frei Chico foi blindado. A função dele seria “estritamente política e de representação, sem gerência em setores administrativos e financeiros”. Foi o que disseram seus companheiros sindicalistas… O irmão de Lula não é formalmente investigado pela Polícia Federal. E governistas conseguiram barrar sua convocação pela CPMI do INSS. Mesmo que as investigações da PF tenham mostrado que dirigentes do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos, como Milton Baptista de Souza, o Milton Cavalo, e o ex-presidente João Batista Inocentini construíram mansões no interior paulista justamente no período de explosão da arrecadação por meio de descontos associativos indevidos nos benefícios do INSS.
Com tanta gente ao redor dele envolvida no escândalo, Lula foi omisso ou avalizador da corrupção, do tráfico de influência e das fraudes?
Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do atual ocupante do Palácio do Planalto, tentou negar qualquer tipo de contato com o “Careca do INSS”, principal operador do roubo contra aposentados e pensionistas. Seus advogados chegaram a dizer que eles não se conheciam. Quando foi descoberto que os dois viajaram no mesmo voo para Portugal, alegaram que era uma simples coincidência. Até que vieram à tona as conversas entre Lulinha e o “Careca” para que fossem sócios num negócio envolvendo o comércio de cannabis medicinal… E a situação piorou com a entrada em cena da lobista Roberta Luchsinger. Ela tem negócios com o “Careca do INSS” e é muito próxima da mulher do Lulinha, Renata de Abreu Moreira. As duas têm, inclusive, a mesma tatuagem no braço, no melhor estilo “melhores amigas para sempre”… O filho de Lula e Roberta são tão próximos que uma empregada dela chegou a achar que os dois eram casados… Toda vez que ia a Brasília, o “Ronaldinho dos Negócios” ficava hospedado na casa da lobista…
Agora temos o Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola – apelido sugestivo –, que era o chefe de gabinete do Lula desde o início do terceiro mandato. Sabendo que a Polícia Federal tinha apreendido celulares da Roberta, ele deixou o governo e a campanha eleitoral de Lula. Agora descobriu-se também que Marcola devolveu recentemente para a lobista R$ 249 mil que ela teria “emprestado” a ele. Essa foi a primeira versão. Difícil acreditar que um servidor público com salário em torno de R$ 50 mil precisasse de empréstimo e que, precisando, não recorreria a um banco, a um consignado, a um parente… Na verdade, a PF já identificou que Roberta fez uma série de pagamentos de boletos para o então chefe de gabinete do Lula. Portanto, Marcola é muito próximo da lobista. E é difícil acreditar que ele pretendia realmente devolver os tais R$ 249 mil… Tudo indica que havia uma espécie de acerto para que Marcola abrisse as portas do Palácio do Planalto para Roberta e os contratantes dela, principalmente o “Careca do INSS”. E a pergunta final é: qual o papel de Lula nisso tudo? Omisso ou avalizador da corrupção, do tráfico de influência e das fraudes?
VEJA TAMBÉM:
Conteúdo editado por: Marcio Antonio Campos
Encontrou algo errado na matéria?
Comunique erros
Use este espaço apenas para a comunicação de erros


