Já afastado cautelarmente, o juiz Milton Salles teve contra si, nesta terça-feira (11), uma decisão unânime do Órgão Especial do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ-MG) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A punição veio após ter sido visto, em uma sessão virtual, bebendo vinho direto do gargalo e acendendo um cigarro. O magistrado afirmou ser vítima de difamação.
Pelas regras da magistratura, um magistrado precisa manter uma chamada “conduta ilibada na vida pessoal”. Pela determinação do TJ-MG, foram fixadas, entre outras medidas:
- I – a suspensão imediata das credenciais e permissões de acesso funcional do magistrado aos sistemas judiciais e administrativos disponibilizados pelo TJ-MG e pelo CNJ, podendo ele acompanhar apenas os processos em que for interessado como cidadão comum;
- II – o impedimento do magistrado, enquanto durar o afastamento, de ingressar, para fins funcionais, nas dependências dos fóruns, prédios administrativos e demais instalações da Corte;
- III – o impedimento de utilização de veículos oficiais pelo magistrado;
- IV – a imediata comunicação desta decisão ao Gabinete de Segurança Institucional (GSI);
- V – a suspensão do direito ao porte e registro de arma de fogo;
- VI – a imediata comunicação às unidades responsáveis pela tecnologia da informação e pela gestão de acessos deste Tribunal, para o cumprimento da suspensão das credenciais.
A Corregedoria-Geral de Justiça segue acompanhando o caso, tendo instaurado um processo administrativo sigiloso desde a segunda-feira.
Magistrado se diz exausto e dispara contra autoridades
Depois da repercussão e de ter sido afastado, Salles publicou vídeo nas redes sociais em que dispara contra autoridades como o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, além de integrantes de outros tribunais federais e locais:
“Meu nome é Milton Livio Salles, tenho 36 anos de magistratura e quero deixar um depoimento sobre essa difamação que estão fazendo contra mim. Esse Tribunal de Justiça de Minas Gerais, esse STJ, o STF, o Alexandre de Moraes, são todos uns corruptos. Falo isso com conhecimento de causa. Olha, estou cansado, muito cansado”, desabafou.
Ele ainda desafiou quem quisesse “bater de frente com ele” a ocupar um espaço público para debate, sugerindo como local o Jornal Nacional, da TV Globo. Nenhum doscitados comentou publicamente o caso ou retornou os contatos da Gazeta do Povo.


