Equipes de resgate trabalham entre os escombros de uma edificação que desabou em Cali após o terremoto de magnitude 7,4 que atingiu a Colômbia em 10 de agosto de 2026. (Foto: Ernesto Guzmán Jr/EFE)
A América do Sul enfrenta um cenário de forte atividade sísmica, evidenciado pelo tremor de magnitude 7,4 que atingiu a Colômbia em 10 de agosto de 2026. O evento, com epicentro em Chocó, deixou mortos e danos estruturais graves. O fenômeno ocorre devido ao choque entre placas tectônicas na costa oeste, posicionando a região como palco de alguns dos abalos mais poderosos da história mundial.
Qual é o motivo da América do Sul ter terremotos tão intensos
A grande força dos tremores na região se deve ao encontro de duas placas tectônicas: a de Nazca e a Sul-Americana. Imagine que a crosta terrestre é formada por gigantescas peças de um quebra-cabeça que se movem. Na costa oeste do continente, a Placa de Nazca tenta mergulhar por baixo da Placa Sul-Americana, um processo que os cientistas chamam de subducção. Durante esse movimento, as placas ficam presas e acumulam uma tensão enorme. Quando essa energia é finalmente liberada de forma rápida, o chão treme violentamente, gerando os terremotos que costumamos ver em países vizinhos.
Quais foram os maiores registros históricos de tremores no continente
O Chile detém o recorde mundial com o terremoto de Valdivia, ocorrido em 1960, que alcançou a magnitude de 9,5. Foi tão forte que alterou a geografia local e gerou ondas gigantes que cruzaram o oceano. Outros eventos massivos incluem o tremor de 1868, que atingiu a região de Arica (na época Peru, hoje Chile), resultando em cerca de 25 mil mortos, e o de 1877 em Iquique. Mais recentemente, em 2010, a região de Maule, também no Chile, sofreu um abalo de magnitude 8,8 que causou prejuízos bilionários e centenas de vítimas, reforçando a vulnerabilidade constante da faixa banhada pelo Pacífico.
Existe risco real de o Brasil sofrer terremotos dessa magnitude
Embora o Brasil esteja sobre a mesma placa tectônica que o Chile, a situação por aqui é bem diferente e muito mais segura. O território brasileiro está localizado bem no meio da Placa Sul-Americana, em uma área considerada estável e longe das bordas onde ocorrem os choques mais perigosos. Enquanto os vizinhos lidam com a zona de contato direta, o Brasil fica no ‘miolo’ da peça. Isso não significa que o país seja imune a tremores, mas os eventos registrados no território nacional costumam ser de baixa intensidade, com o maior deles ocorrendo em 1955 no Mato Grosso, atingindo magnitude 6,2.
Como funcionam os tsunamis gerados por esses grandes tremores
Os tsunamis ocorrem quando o terremoto acontece no fundo do mar e provoca um deslocamento brusco da coluna de água acima dele. Em grandes eventos sísmicos na América do Sul, como os de 1906 (Equador-Colômbia) ou o de 2010 no Chile, o movimento das placas tectônicas empurra a água com tanta força que cria ondas capazes de percorrer distâncias incríveis. Essas ondas não afetam apenas a costa sul-americana, mas podem viajar por todo o Oceano Pacífico, atingindo locais distantes como o Japão, o Havaí e as Filipinas, o que exige sistemas de alerta internacionais integrados.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
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