Os candidatos à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Romeu Zema (Novo-MG) e Ronaldo Caiado (PSD-GO) apresentaram propostas para o agronegócio durante a 25ª edição do Congresso Brasileiro do Agronegócio (CBA). O evento ocorreu nesta segunda-feira (10), em São Paulo, com promoção da Associação Brasileira de Agronegócio (Abag) e da B3.
Os três presidenciáveis enviaram vídeos ao congresso e responderam a três questões sobre o setor. As perguntas trataram da competitividade internacional, do uso de tecnologia para ampliar a liderança brasileira e da criação de condições institucionais e regulatórias para estimular investimentos.
Flávio Bolsonaro critica carga tributária e política externa
Flávio Bolsonaro concentrou as críticas no ambiente econômico e nas condições para o produtor e o empreendedor. O candidato afirmou que o governo federal criou um cenário hostil para quem produz no país. Segundo ele, a burocracia, a carga tributária e o aumento do endividamento público prejudicam a atividade econômica.
“Seja por causa da alta burocracia, seja por causa da alta carga tributária, seja por causa de termos um governo que é um grande gastador, que se endivida a níveis estratosféricos”, disse.
O senador defendeu a responsabilidade fiscal como eixo para a política econômica. Para ele, o controle das contas públicas deve fazer parte da estratégia para melhorar o ambiente de negócios.
Flávio também criticou a atuação do governo federal nas relações comerciais. O candidato afirmou que o país perdeu capacidade de negociação com parceiros internacionais.
“O atual presidente da República briga com todo mundo, não tem força para negociar com a China com sobretaxas impostas a nossa carne exposta pra lá. Precisamos mudar essa mentalidade”, declarou.
Caiado mira segurança jurídica e diversificação das exportações
Ronaldo Caiado colocou a segurança jurídica entre as principais medidas para destravar investimentos no agronegócio. O candidato criticou a insegurança fundiária, a judicialização ambiental e alterações retroativas em regras do setor.
Segundo Caiado, esses fatores mantêm mais de R$ 180 bilhões em investimentos parados. Para enfrentar o problema, ele apresentou quatro compromissos.
A proposta inclui um marco legal para a segurança fundiária, com prazo único de 180 dias para decisões administrativas. Caiado também defendeu a estabilidade do Código Florestal, o licenciamento por adesão e a criação de um comitê interministerial permanente para coordenar as políticas voltadas ao agronegócio.
Na política externa, o candidato apontou a concentração das exportações agropecuárias brasileiras para a China como um risco. Ele afirmou que cerca de 40% das vendas externas do setor têm o país asiático como destino.
Caiado propôs ampliar as relações comerciais com outros mercados. Entre as prioridades, citou países da Ásia, do Oriente Médio e da África. “Expansão no comércio asiático, adensamento no Oriente Médio e um plano África, com 24 países prioritários; diversificar e ampliar poder de barganha e estabilizar o preço ao produtor”, afirmou.
Zema promete ampliar infraestrutura e critica Plano Safra
Romeu Zema defendeu uma política de expansão da infraestrutura nacional como parte da estratégia para fortalecer o agronegócio. O candidato afirmou que pretende criar o maior portfólio de infraestrutura do país.
Na área econômica, Zema criticou o modelo do Plano Safra e relacionou o custo do crédito rural ao equilíbrio das contas públicas. Segundo ele, o governo precisa reduzir o endividamento para criar condições para juros menores.
“Crédito rural barato não se decreta em juros, se constrói com contas públicas em ordem. Por isso, meu compromisso é ajuste fiscal, superávit primário, dívida sob controle e Selic lá embaixo”, afirmou.
O candidato também defendeu mudanças na política comercial brasileira. Zema propôs flexibilizar as regras do Mercosul para permitir que o Brasil negocie acordos comerciais de forma independente.
Além disso, ele citou a entrada do país na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) como uma das prioridades. Na avaliação do candidato, a adesão pode ampliar o acesso do Brasil a mercados e pressionar o país a realizar reformas.
VEJA TAMBÉM:


