No artigo “O Brasil que Queremos”, publicado nesta Gazeta do Povo em outubro último, o deputado federal Eduardo Bolsonaro fez mais do que um preciso diagnóstico dos desafios nacionais, delineou um projeto de país assentado na liberdade econômica, na segurança jurídica, na defesa da propriedade, na liberdade de expressão, na recuperação da autoridade legítima do Estado e no fortalecimento das instituições, da capacidade de defesa nacional e de projeção internacional.
Essa visão parte de uma constatação simples: não há prosperidade sem liberdade, desenvolvimento sem segurança, justiça sem instituições fortes e futuro para uma nação que abandona seus valores fundacionais.
Este artigo nasce como complemento da plataforma apresentada por Eduardo. Se o primeiro texto apresentou os pilares econômicos, institucionais e estratégicos do Brasil que queremos construir, aprofundamos quatro dimensões igualmente decisivas para um projeto nacional duradouro: educação, saúde, reforma do Estado e cidadania com coesão social.
Para quem existem todas essas propostas de reformas? A resposta é simples: para o cidadão brasileiro, ao qual servimos.
O verdadeiro sucesso de um país não está no tamanho de seu orçamento, no número de ministérios ou na quantidade de leis aprovadas, mas na capacidade de oferecer segurança, oportunidades, empregos, renda, educação de qualidade, saúde eficiente e liberdade para construir sua própria história de prosperidade.
O Brasil ingressou no século XXI carregando uma promessa extraordinária: democracia consolidada, estabilidade monetária, abundância de recursos naturais, população jovem e inserção crescente nos fluxos globais de comércio. Poucos países reuniam condições tão favoráveis para um salto de desenvolvimento. Desperdiçamos, contudo, uma oportunidade atrás da outra. Crescemos menos do que poderíamos, investimos menos do que deveríamos e permitimos que a expansão da máquina estatal substituísse reformas estruturais indispensáveis. O resultado é um país que permanece distante de seu potencial, embora o Brasil tenha vindo ao mundo para ser grande, e não medíocre.
Mais grave, milhões de brasileiros passaram a conviver com a sensação de que trabalhar, estudar e empreender deixaram de ser caminhos suficientes para melhorar de vida. Essa talvez seja a maior derrota de uma nação. Quando uma sociedade perde a confiança de que o mérito, o esforço e o trabalho podem produzir ascensão social, compromete não apenas seu crescimento econômico, mas também sua coesão, estabilidade democrática e esperança. É um país que destrói seu futuro, e o futuro do Brasil não pode ser a terra arrasada que o atual Presidente da República e seu partido lhe estão deixando como herança maldita.
Este artigo nasce para enfrentar esse desafio: como transformar essas reformas em benefícios concretos para o cidadão? Nossa resposta parte de uma convicção simples: toda política pública deve ser avaliada por sua capacidade de ampliar oportunidades para as pessoas.
Milhões de brasileiros passaram a conviver com a sensação de que trabalhar, estudar e empreender deixaram de ser caminhos suficientes para melhorar de vida
Uma reforma administrativa deve significar menos burocracia para quem empreende e melhores serviços para quem paga impostos. Uma reforma educacional, mais aprendizagem, melhores empregos e maior mobilidade social. Uma reforma da saúde, menos filas, mais prevenção e maior qualidade de vida. Uma reforma institucional, mais segurança jurídica, mais investimentos e maior confiança na democracia.
Nenhuma dessas reformas constitui um fim em si mesma. Todas existem para permitir que mais brasileiros construam uma trajetória de prosperidade. Essa é a diferença entre uma agenda centrada no Estado e uma centrada no cidadão.
É essa inversão que propomos. O Estado não existe para justificar sua própria expansão. Existe para servir ao cidadão, remover obstáculos, proteger direitos e criar oportunidades. Existe para garantir que uma criança tenha acesso a uma boa escola; que um jovem encontre oportunidades de trabalho; que um empreendedor consiga abrir uma empresa sem enfrentar um labirinto burocrático; que um trabalhador transforme esforço em patrimônio; e que um idoso encontre atendimento digno quando precisar.
Mas existe uma premissa anterior. Há uma tendência de se atribuir nossos fracassos exclusivamente aos governos, ao Congresso, ao Judiciário, às elites ou ao setor privado. Instituições, políticas públicas e lideranças importam. Mas nenhuma sociedade prospera quando transfere integralmente a terceiros a responsabilidade pelo próprio destino. Países desenvolvidos não são construídos apenas por governos eficientes. São construídos por cidadãos que valorizam educação, trabalho, responsabilidade, confiança, cooperação, mérito e compromisso com o bem comum.
Por isso, o título deste artigo não é casual. O Brasil, no fim das contas, somos nós. Somos nós quando aceitamos a mediocridade como destino, mas também quando decidimos enfrentá-la. Somos nós quando toleramos a ineficiência, mas também quando exigimos excelência. Somos nós quando toleramos privilégios, mas também quando defendemos igualdade perante a lei. Somos nós quando permitimos que a política nos transforme em grupos rivais, mas também quando reconstruímos um senso compartilhado de pertencimento, responsabilidade e destino comum.
Essa é a razão pela qual propomos uma agenda de transformação baseada na liberdade com responsabilidade, que é a única forma possível de liberdade; na prosperidade construída pelo trabalho; na solidariedade que emancipa em vez de perpetuar dependências; e na mobilidade social como finalidade das políticas públicas.
Não se trata de lamentar o passado, mas de compreender como a inércia e a falta de visão estratégica das administrações destruidoras dos petistas nos aprisionaram em um ciclo de subdesenvolvimento. Trata-se de construir um Brasil no qual cada criança possa acreditar que estudará em uma escola melhor do que a de seus pais; que cada trabalhador tenha condições de conquistar renda crescente; que cada empreendedor encontre ambiente favorável para inovar; que cada família possa viver com segurança; e que cada brasileiro volte a acreditar que seu esforço será recompensado. Essa é a verdadeira jornada da prosperidade, pela qual começa a reconstrução nacional.
Reforma do Estado: a condição para todas as demais reformas
Nenhuma sociedade prospera com instituições ineficientes, nem se desenvolve quando o Estado consome parcela crescente da riqueza nacional sem entregar serviços compatíveis com os recursos arrecadados. A reforma do Estado condiciona, portanto, todas as demais.
O debate oscila entre dois extremos igualmente equivocados. De um lado, a crença de que a simples expansão do gasto público produzirá desenvolvimento. De outro, a visão de que todos os problemas seriam resolvidos por uma redução mecânica do Estado. Nenhuma dessas alternativas responde aos desafios brasileiros. O verdadeiro desafio é construir um Estado mais enxuto em sua burocracia, mais eficiente em sua gestão e mais forte em suas funções essenciais. O critério deve ser quanto valor ele entrega ao cidadão para cada real arrecadado.
A percepção de que o Estado brasileiro é caro, lento e excessivamente complexo não é mera impressão. Trata-se de realidade que afeta a competitividade do país, reduz investimentos, compromete a produtividade e limita o crescimento econômico.
Construído ao longo de décadas sobre camadas sucessivas de regulamentações, privilégios corporativos e sobreposições institucionais, o Estado brasileiro evoluiu para uma estrutura que serve a si mesma antes de servir ao cidadão. O chamado “Custo Brasil” alcança aproximadamente R$ 1,5 trilhão por ano, cerca de 22% do PIB, resultado da burocracia excessiva, da insegurança jurídica, da complexidade tributária e da baixa eficiência regulatória, que asfixiam o setor produtivo, inibem investimentos e impedem a geração de um ciclo virtuoso de crescimento.
Essa realidade ajuda a explicar por que, em 2024, o Brasil ocupou apenas a 124ª posição entre 184 países no Índice de Liberdade Econômica, com pontuação de 53,2 (de 0 a 100), sendo classificado como “majoritariamente não-livre”, com direitos de propriedade relativamente fracos, integridade governamental baixa e sistema judicial vulnerável a interesses políticos.
Também explica por que abrir uma empresa continua sendo mais demorado e oneroso do que na maioria das economias desenvolvidas. Enquanto no Brasil o processo leva, em média, 30 dias, nos países da OCDE a média é de oito dias.
Por trás desses números existem milhares de histórias. É o pequeno empresário que deixa de contratar, o jovem que não encontra emprego, o agricultor que enfrenta custos logísticos desnecessários, a indústria que perde competitividade diante de concorrentes estrangeiros, o consumidor que paga mais caro por produtos e serviços. No fim da cadeia, o custo da ineficiência estatal sempre recai sobre o cidadão.
O setor privado não é apenas mais um agente econômico, mas o principal gerador de investimentos, inovação, produtividade e empregos. O Brasil tem homens e mulheres de inteligência extraordinária, e, quando o ambiente institucional sufoca a atividade produtiva, toda a sociedade paga a conta na forma de crescimento menor, salários mais baixos e oportunidades reduzidas.
A carga tributária de 34% do PIB figura entre as mais elevadas do mundo. A média latino-americana é de 21%. O problema, contudo, não é apenas quanto se arrecada, mas o que se entrega em troca. Arrecadamos como países desenvolvidos, mas oferecemos serviços incompatíveis com esse esforço fiscal, alimentando descrença nas instituições, incentivando a evasão fiscal, enfraquecendo o dinamismo produtivo e aumentando a informalidade.
O verdadeiro desafio é construir um Estado mais enxuto em sua burocracia, mais eficiente em sua gestão e mais forte em suas funções essenciais
O problema não decorre da falta de talento dos brasileiros, mas de um ambiente institucional que dificulta aquilo que deveria incentivar. Obter licenças, cumprir obrigações acessórias, interpretar normas tributárias ou enfrentar disputas judiciais tornou-se parte do custo cotidiano de produzir no Brasil.
Mas há também um custo humano. Cada hora consumida pela burocracia é uma hora subtraída da produção, da inovação, da convivência familiar ou do descanso. Cada investimento cancelado representa empregos destruídos. Cada decisão empresarial adiada significa oportunidades que deixam de chegar.
É justamente por isso que a reforma administrativa deve ser compreendida como uma agenda voltada para as pessoas. Modernizar significa simplificar a vida do cidadão. Digitalizar serviços significa devolver tempo às famílias. Eliminar procedimentos desnecessários significa reduzir custos para trabalhadores e empresas. Avaliar permanentemente o desempenho dos órgãos públicos garante que os recursos arrecadados retornem à sociedade na forma de serviços melhores.
Nesse contexto, a meritocracia deve voltar a ocupar posição central na administração pública. Valorizar desempenho não enfraquece o serviço público; fortalece sua legitimidade. Os melhores servidores devem ser reconhecidos, estimulados e recompensados. A inovação precisa deixar de ser exceção. A eficiência deve tornar-se parte da cultura institucional. Um Estado moderno não mede seu sucesso pela quantidade de processos que movimenta, mas pela capacidade de resolver problemas concretos das pessoas.
Essa transformação exige também um ambiente econômico mais racional. É fundamental reduzir a carga tributária sobre a produção e o consumo, simplificar o sistema tributário e ampliar a previsibilidade regulatória. Nenhum investimento de longo prazo prospera em ambiente marcado por insegurança jurídica.
A reforma do Estado exige, ainda, enfrentar tema que a classe política frequentemente evita: a necessidade de restaurar os limites institucionais entre os Poderes da República. O avanço da judicialização sobre matérias próprias do Executivo e do Legislativo produziu crescente insegurança jurídica e enfraquecimento da representação democrática.
O Brasil precisa resgatar o princípio de que mudanças estruturais devem decorrer do debate democrático e da deliberação dos representantes eleitos, e não da substituição crescente da política pelo ativismo judicial. Nenhuma democracia funciona adequadamente quando decisões legislativas ou executivas migram sistematicamente para instâncias não submetidas ao mesmo grau de controle democrático.
Restabelecer a previsibilidade das decisões judiciais, fortalecer a segurança jurídica e reafirmar os limites constitucionais de cada Poder são condições indispensáveis para a liberdade, os investimentos, o crescimento econômico e a própria legitimidade da democracia brasileira.
Um Estado eficiente não é um fim em si mesmo. É instrumento que libera a energia produtiva da sociedade, amplia oportunidades e cria condições para que os brasileiros prosperem por seus próprios méritos.
Educação: o alicerce da prosperidade e da liberdade
Nenhuma política pública possui maior capacidade de transformar vidas do que a educação. Uma boa escola amplia horizontes, multiplica oportunidades, reduz desigualdades e rompe ciclos intergeracionais de pobreza. É por meio dela que uma criança deixa de ser definida pelas circunstâncias de seu nascimento e passa a ser reconhecida por seu talento, esforço e capacidade de construir o próprio futuro.
Por isso, a educação deve ocupar posição central em qualquer projeto nacional comprometido com a prosperidade. Não apenas porque melhora indicadores econômicos, mas porque representa o principal instrumento de mobilidade social.
A educação brasileira vive um paradoxo doloroso: reconhecida como chave para o desenvolvimento, continua marcada por descaso histórico e investimentos erráticos. O acesso à escola básica se universalizou, mas a qualidade permanece profundamente desigual.
Garantir matrícula não significa garantir aprendizagem. Milhões de jovens concluem a educação básica sem dominar leitura, matemática ou ciências, carregando limitações que restringem sua empregabilidade, produtividade e possibilidades de ascensão social.
Os números revelam a dimensão do problema. O Brasil permanece entre os últimos colocados no PISA (Programa Internacional de Avaliação de Alunos). Em 2022, obtivemos 379 pontos em leitura, 357 em matemática e 403 em ciências, muito abaixo da média da OCDE (476, 472 e 485, respectivamente). Apenas 30% dos estudantes alcançaram o indicador mínimo para resolver problemas cotidianos de forma autônoma.
O mesmo diagnóstico emerge do Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf) 2024: 29% da população entre 15 e 64 anos é analfabeta funcional, incapaz de compreender adequadamente textos ou realizar operações matemáticas básicas.
Esses resultados revelam mais do que uma crise educacional: uma crise de desenvolvimento. Uma economia baseada em trabalhadores pouco qualificados dificilmente será capaz de competir em um mundo movido por inovação, inteligência artificial, automação e conhecimento. Países desenvolvidos investem em educação porque compreenderam que seu principal ativo estratégico é o capital humano.
O problema não reside no volume de recursos investidos. O Brasil destina 5,5% do PIB à educação pública, percentual comparável ao de países desenvolvidos. A diferença está na qualidade da gestão, na eficiência da alocação dos recursos e na capacidade de transformar investimento em aprendizagem efetiva. Ao mesmo tempo, persistem deficiências básicas: cerca de 20% das escolas rurais não possuem energia elétrica e 40% não têm acesso à internet.
Há também uma crise de prioridades. O debate educacional concentrou-se excessivamente em questões burocráticas, relegando a segundo plano sua missão fundamental: garantir que crianças e jovens aprendam português, matemática, ciências, história, geografia e as competências necessárias para prosperar.
É necessário recolocar a aprendizagem no centro da política educacional. Isso exige revisão curricular orientada por excelência acadêmica, rigor intelectual e preparação para a vida adulta. A escola deve formar cidadãos capazes de pensar criticamente, resolver problemas e competir com menos desigualdades em um mercado de trabalho cada vez mais exigente.
Também é urgente fortalecer a gestão escolar, ampliar a autonomia dos diretores e expandir a educação em tempo integral, comprovadamente eficaz na melhoria do desempenho e na redução da evasão. Hoje, apenas 15,4% dos estudantes do ensino fundamental e médio permanecem em tempo integral.
Ao mesmo tempo, é indispensável recuperar o valor do mérito, da disciplina, da responsabilidade e do esforço individual. Educação de qualidade depende de recursos, mas também de uma cultura que valoriza o conhecimento, respeita o professor e reconhece a importância do empenho pessoal.
Valorizar professores é parte inseparável dessa agenda. Nenhuma reforma educacional prosperará sem professores qualificados, motivados e adequadamente preparados. Isso requer formação inicial e continuada de qualidade, avaliação permanente de desempenho e políticas que tornem a carreira mais atrativa e mais bem remunerada.
Paralelamente, projetos de qualificação profissional e requalificação devem ser ampliados e alinhados às necessidades de um mercado de trabalho dinâmico, favorecendo a reinserção produtiva, especialmente dos mais vulneráveis, impulsionando a produtividade, reduzindo a dependência estatal e oferecendo múltiplos caminhos para que cada jovem desenvolva seu potencial.
A revolução tecnológica torna essa agenda ainda mais urgente. Inteligência artificial, automação, digitalização e novas formas de organização produtiva transformarão profundamente o mercado de trabalho. Os países que liderarem essa transição serão aqueles capazes de formar trabalhadores mais qualificados, adaptáveis e inovadores.
Mas a educação possui uma dimensão que vai além da economia. Ela prepara para a liberdade. Uma sociedade livre depende de cidadãos capazes de compreender seus direitos e deveres, interpretar informações, distinguir fatos de narrativas e participar conscientemente da vida pública.
A educação é um instrumento de fortalecimento da democracia e da coesão nacional. Não é gasto, mas investimento. Não é política social, mas estratégia de desenvolvimento e formação para a vida. O Brasil não precisa apenas de mais escolas e mais matrículas. Precisa de melhores escolas, mais aprendizagem e excelência, partindo da premissa de que a escola não deve servir à doutrinação política, ao ativismo identitário e ideológico ou à imposição de agendas progressistas ou de engenharia social, mas à formação de indivíduos livres, preparados e capazes de pensar por si próprios.
Saúde: cuidar das pessoas para fortalecer o país
A prosperidade de uma nação começa pelas pessoas. Não existe crescimento sustentável quando milhões de cidadãos convivem diariamente com filas intermináveis, atendimento precário, doenças evitáveis ou acesso insuficiente aos serviços básicos. Saúde é um dos principais ativos econômicos de um país. Uma população saudável trabalha mais, produz melhor, aprende com maior facilidade, empreende com maior confiança e vive com mais dignidade.
O Sistema Único de Saúde (SUS) constitui uma das maiores conquistas do país e atende mais de 150 milhões de brasileiros. Entretanto, convive com dificuldades estruturais que comprometem sua eficiência e reduzem a qualidade do atendimento. O problema não se resume ao volume de recursos investidos (9,2% do PIB), mas à capacidade de transformar gastos em resultados.
Ao cidadão, pouco importa o tamanho do orçamento da saúde se continua aguardando meses por uma consulta, anos por uma cirurgia ou horas por atendimento de urgência. Direitos somente adquirem significado quando se transformam em acesso efetivo. Isso exige mudança de paradigma: a gestão da saúde precisa deixar de medir processos e passar a medir resultados.
Hospitais, unidades básicas e redes assistenciais devem ser avaliados por indicadores claros de qualidade, resolutividade, tempo de atendimento, satisfação do usuário e eficiência. Profissionalizar a gestão, combater desperdícios e fraudes, utilizar intensivamente tecnologia e integrar capacidades públicas e privadas têm um único objetivo: oferecer atendimento mais rápido, eficiente e humano.
Cuidado especial deve ser dado à Atenção Primária à Saúde. Nenhum sistema moderno sustenta elevados níveis de qualidade concentrando seus esforços apenas no tratamento de doenças já instaladas. A prevenção continua sendo o investimento mais eficiente. Diagnóstico precoce, vacinação, acompanhamento contínuo, promoção de hábitos saudáveis e fortalecimento das equipes de saúde da família reduzem custos, evitam sofrimento e desafogam hospitais.
Nenhuma política, contudo, será plenamente eficaz sem enfrentar um dos maiores passivos sociais do país: a precariedade do saneamento básico, um dos maiores vetores de doenças e sobrecarga do SUS. 45% da população não tem acesso à coleta de esgoto, e menos de 40% do esgoto gerado é tratado.
Água tratada e coleta de esgoto representam menos doenças, menor mortalidade infantil, melhor desenvolvimento cognitivo das crianças, maior frequência escolar e menor pressão sobre o sistema hospitalar. Investir em saneamento significa investir simultaneamente em saúde, educação, produtividade e qualidade de vida. Por isso, o marco legal do saneamento básico (que prevê a universalização até 2033) deve ser cumprido com investimentos consistentes e fiscalização rigorosa.
Duas iniciativas complementam esse esforço. A primeira é fortalecer as equipes de saúde da família e a infraestrutura da atenção primária, capaz de resolver até 80% das demandas da população. A segunda é ampliar o uso da telemedicina e de prontuários eletrônicos integrados, reduzindo desigualdades de acesso, especialmente nas regiões mais remotas.
Ao final, o verdadeiro indicador de sucesso do sistema de saúde não será o número de programas criados nem o volume de recursos executados, mas a tranquilidade de uma família que consegue atendimento quando precisa; da criança que cresce saudável; do trabalhador que retorna rapidamente ao emprego; do idoso que encontra cuidado digno. Porque um sistema de saúde eficiente faz mais do que administrar hospitais. Ele protege vidas, a primeira responsabilidade de qualquer Estado comprometido com seus cidadãos.
Cidadania, família e coesão social: transformar assistência em autonomia
Nenhum país alcança desenvolvimento duradouro apenas pelo crescimento econômico. A prosperidade depende também da qualidade das relações sociais, da confiança entre cidadãos, da estabilidade das famílias e da capacidade de integrar a sociedade em torno de objetivos comuns.
Sob gestões petistas, o Brasil assistiu ao aprofundamento de divisões políticas, culturais e sociais que enfraqueceram o sentimento de pertencimento nacional. Uma sociedade permanentemente fragmentada perde sua capacidade de cooperar, reduz sua confiança nas instituições e dificulta a construção de consensos indispensáveis ao desenvolvimento.
Superar essa lógica exige recolocar o cidadão, e não grupos identitários ou interesses corporativos, no centro das políticas públicas. O combate à pobreza será um imperativo moral. Contudo, a melhor política social jamais será aquela que perpetua dependências, mas aquela que cria oportunidades para a autonomia.
Programas de transferência de renda cumprem papel importante na proteção das famílias mais vulneráveis, especialmente em momentos de crise. Mas sua finalidade maior deve ser funcionar como ponte para a emancipação, e não como destino permanente. Isso exige integrar assistência social, educação, qualificação profissional, empreendedorismo, microcrédito e inserção produtiva em uma estratégia nacional de mobilidade social.
A verdadeira inclusão ocorre quando uma família deixa de depender do Estado porque passou a depender de seu próprio trabalho, da capacidade empreendedora e das oportunidades criadas por uma economia dinâmica. Essa é a essência da dignidade.
Fortalecer a família também constitui elemento central dessa agenda. É nela que crianças aprendem responsabilidade, disciplina, cooperação, solidariedade e respeito às regras. Políticas públicas devem fortalecer, jamais substituir, o papel da família como primeira instituição formadora do cidadão.
Ao mesmo tempo, o Estado deve assegurar igualdade de oportunidades, independentemente de origem, religião, raça, condição econômica ou convicções políticas. Uma sociedade verdadeiramente livre não elimina diferenças individuais; cria condições para que cada pessoa desenvolva plenamente seu potencial.
Países bem-sucedidos não prosperam porque distribuem privilégios, mas porque distribuem oportunidades. Essa deve ser a base de uma nova agenda nacional de cidadania: unir, em vez de dividir; emancipar, em vez de tutelar; fortalecer a responsabilidade individual sem abandonar a solidariedade; e transformar proteção social em mobilidade social, devolvendo ao cidadão a confiança de que seu esforço pode construir um futuro melhor.
Ao longo das últimas décadas, acostumou-se a discutir o Estado como se ele fosse o protagonista da história. Debate-se o tamanho da máquina pública, a criação de programas e a expansão de estruturas administrativas, esquecendo como essas decisões melhoram, concretamente, a vida dos brasileiros. O propósito de um projeto nacional não é só fortalecer o Estado, mas as pessoas.
O sucesso de uma política pública não deve ser medido pelo volume de recursos que consome, mas pelas oportunidades que cria. O êxito de um governo está na sua capacidade de remover obstáculos para que cada cidadão possa estudar, trabalhar, empreender, inovar, constituir patrimônio e oferecer aos filhos uma vida melhor.
Essa é a verdadeira razão de ser das reformas que defendemos. A reforma do Estado devolve tempo, segurança jurídica e liberdade econômica. A da educação transforma conhecimento em mobilidade social. A da saúde preserva o capital humano e amplia a qualidade de vida. As políticas de cidadania substituem a dependência pela autonomia. Juntas, recolocam o cidadão no centro do desenvolvimento nacional.
O Brasil precisa recuperar uma visão mais ambiciosa de nosso principal ativo estratégico: as pessoas. Precisamos voltar a acreditar na capacidade dos brasileiros de construir riqueza, inovar, empreender, competir e transformar suas comunidades quando encontram um ambiente institucional que lhes ofereça segurança, liberdade e igualdade de oportunidades.
Essa é a essência da mobilidade social e deve ser a medida do sucesso nacional. Quando mais brasileiros conseguem ascender socialmente, constituir patrimônio, abrir seus próprios negócios, oferecer educação de qualidade aos filhos e viver com segurança e dignidade, o país inteiro avança.
É essa prosperidade compartilhada que fortalece a democracia, reduz desigualdades e consolida uma verdadeira comunidade nacional. Foi essa convicção que inspirou o artigo de Eduardo Bolsonaro. É essa mesma convicção que procuramos aprofundar neste manifesto.
O Brasil não precisa apenas de um novo governo. Precisa de uma nova lógica de governança. Uma lógica que substitua a cultura da burocracia pela cultura dos resultados, privilégios por oportunidades e dependência por autonomia.
Em síntese, precisamos recolocar o brasileiro, e não a máquina pública, no centro do projeto nacional. Estados existem para servir às pessoas. Mercados existem para gerar prosperidade. Instituições existem para proteger direitos. A economia existe para ampliar as oportunidades.
O Brasil que queremos não será construído apenas por governos ou instituições, mas por milhões de brasileiros que encontrem, finalmente, um Estado que deixe de lhes impor barreiras e passe a lhes abrir caminhos.
Porque o patrimônio de uma nação não é o tamanho de seu Estado, nem o volume de seu orçamento. É a liberdade de seu povo, a confiança de suas famílias, a força de suas instituições, a capacidade de cada cidadão transformar trabalho em dignidade, conhecimento em oportunidades e liberdade em prosperidade.
Essa é a reconstrução nacional que defendemos. Essa é a jornada da prosperidade que propomos. O “Brasil que Queremos” não é uma utopia distante, mas uma urgência silenciada por décadas de escolhas erradas que nos aprisionam em ciclos de subdesenvolvimento e injustiça. Chegamos a um ponto de inflexão. O futuro será uma construção forjada na coragem de confrontar a realidade e na ousadia de propor uma refundação.
O Brasil não precisa de mais um ciclo de promessas. Precisa de direção, coragem e liderança. Essa virada exige a adoção de medidas estruturais, fiscais, econômicas, políticas e sociais que removam os obstáculos para o dinamismo. Este não é um caminho fácil, mas um convite e um desafio a cada um: vamos parar de lamentar o Brasil que somos e construir o Brasil que merecemos. Um Brasil onde o Estado serve, não atrapalha; onde a riqueza é gerada pela inventividade e pelo trabalho árduo e qualificado, e não pela dependência; onde a prosperidade é uma realidade acessível a todos, e não um privilégio de poucos.
A hora de agir não é amanhã, é agora. A história nos julgará não pelo que sonhamos, mas pelo que ousamos e fizemos para transformar esse sonho em uma realidade palpável e duradoura para as gerações futuras. O Brasil que queremos começa pelo Brasil que decidimos construir, porque o Brasil somos nós!
Daniella Marques foi Presidente da Caixa Econômica Federal, Secretária Especial de Produtividade e Competitividade do Ministério da Economia, Chairwoman na Legend e Co-fundadora do Grupo PraElas.
Marcos Degaut, ex-Secretário Especial Adjunto de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, ex-Secretário de Produtos de Defesa do Ministério da Defesa e ex-Secretário-Executivo da Câmara de Comércio Exterior do Brasil (CAMEX), é Doutor em Segurança Internacional.


