Preso após conceder entrevista, o ex-marido de Maria da Penha, Marco Antonio Heredia, nega o crime em manifestações públicas há anos. (Foto: Reprodução/YouTube/Canal @NãoMintaPraMim)
A Justiça do Ceará determinou a prisão preventiva de Marco Antônio Heredia Viveros no último domingo, dia 9 de agosto. O economista, condenado pela tentativa de homicídio que deixou a ativista Maria da Penha paraplégica em 1983, foi detido por suposto descumprimento de medidas protetivas. A decisão ocorreu após ele conceder uma entrevista à TV Record, que teve sua exibição proibida por ordem judicial.
Por que o ex-marido de Maria da Penha foi preso novamente?
A nova prisão de Marco Antônio Heredia Viveros foi motivada pelo suposto descumprimento de medidas protetivas de urgência. Essas medidas são ordens judiciais que servem para proteger vítimas de violência, proibindo o agressor de se aproximar ou manter contato. No caso dele, a participação em uma reportagem para o programa Domingo Espetacular, da TV Record, foi interpretada pelo Judiciário como uma violação dessas regras. O juiz Cesar Morel Alcantara também proibiu a emissora de exibir o conteúdo, sob pena de multa diária, e ordenou a retirada de anúncios da entrevista na internet.
Qual é a versão de Marco Antônio sobre o crime ocorrido em 1983?
Ao longo das últimas décadas, Viveros tem usado espaços públicos e entrevistas para negar que tentou matar a ex-esposa. Ele sustenta uma narrativa diferente daquela aceita pela Justiça, afirmando que o tiro que deixou Maria da Penha paraplégica foi disparado por assaltantes que invadiram a casa do casal. Em conversas recentes em canais do YouTube e com jornalistas, ele afirma ser um ‘sobrevivente de uma injustiça’ e questiona as provas técnicas da investigação. Apesar de seus argumentos sobre sinais de arrombamento na residência, o Judiciário rejeitou essas alegações em várias instâncias.
Como ele rebate as acusações de tentativa de eletrocussão e motivação financeira?
Marco Antônio contesta dois pontos centrais do relato de Maria da Penha. Sobre a acusação de que ele teria tentado eletrocutá-la no banho, ele argumenta que a história carece de lógica, questionando por que pediria para ela fechar o registro se o choque ocorreria justamente ao encostar na peça. Quanto à motivação financeira, ele nega a existência de um seguro de vida em nome dela para beneficiá-lo. Viveros afirma que, na verdade, existiam seguros feitos por ele que beneficiavam a própria Maria da Penha e as filhas do casal, alegando que tais documentos constam nos autos do processo antigo.
Qual foi o desfecho judicial original deste caso histórico?
O caso de Maria da Penha é um dos mais emblemáticos do Brasil e deu nome à lei federal que protege mulheres contra a violência doméstica. Após o crime em 1983, o processo enfrentou uma longa batalha jurídica que durou quase duas décadas. Marco Antônio foi condenado pela primeira vez em 1991 e novamente em 1996, recebendo uma pena de 10 anos e 6 meses de prisão por tentativa de homicídio. Devido a inúmeros recursos, ele só começou a cumprir a pena em regime fechado no ano 2000, tendo passado cerca de dois anos preso antes de ganhar a liberdade, cumprindo o restante da punição.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
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