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Político que ganha R$ 40 mil e não junta um tostão? Desconfie

Romeu Zema declara patrimônio de R$ 178,8 milhões para disputar a Presidência; valor cresceu R$ 49,1 milhões desde 2022. (Foto: Isaac Fontana/Agência EFE)

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Inicialmente, deve-se lembrar que o cidadão tem o direito – o dever moral – de cobrar todo e qualquer servidor público. Quando o eleitor começa a bajular e idolatrar um político, temos um grave problema. A transparência deve ser a marca da vida pública. Quem paga a conta dos políticos é o trabalhador e o empresário que geram riqueza e pagam impostos. Portanto, todo ganho de quem escolheu ser político deve ser escrutinado e explicado.

Em época eleitoral, os candidatos apresentam sua declaração de imposto ao TSE, e ficamos sabendo mais sobre o patrimônio de cada um. Alguns casos chamam a atenção e demandam justificativas. Isso serve para a esquerda e a direita, para quem tem muito ou quase nada de patrimônio.

Erika Hilton, por exemplo, alega ter menos de vinte mil reais de patrimônio, recebendo um salário bruto superior a R$ 40 mil mensais. Ou ela realmente gasta muito, comprando bolsas caras, ou estamos diante de ocultação de patrimônio, o que é crime. Se alguém ganha esse montante e é incapaz de acumular um pé de meia razoável, melhor mantê-la afastada da administração pública. Imagina alguém assim cuidando de uma cidade ou de um país inteiro? Eu não daria sequer uma quitanda em suas mãos!

Por outro lado, há os casos de quem ganhou bastante dinheiro. Zoe Martínez saiu de cerca de R$ 600 mil para mais de dois milhões de reais, e alega que fez bons investimentos. Alguns assessores pediram demissão após a divulgação dessas cifras. Nikolas Ferreira acumulou cerca de R$ 4 milhões em patrimônio, o que não é nada absurdo quando lembramos da quantidade de seguidores que ele possui nas redes sociais, nas palestras que realmente faz pelo país (ao contrário de Lula) etc. 

Claro que o político pode ficar rico de forma lícita e, ainda assim, ser algo condenável moralmente.

Ao ser alvo de críticas de uma ala bolsonarista, Nikolas se explicou em vídeo, enquanto a juíza Ludmila Lins Grilo comentou o caso preocupada com a mentalidade esquerdista tomando conta dessa “direita”: “Aumento patrimonial de políticos só é um problema quando não pode ser explicado. Se, além de político, o sujeito é empresário, influenciador de sucesso ou palestrante – e ganha dinheiro com esses trabalhos (a depender de quem seja, estamos falando de milhões de reais) -, estaremos apenas diante de uma pessoa próspera, de sucesso”. 

Ela concluiu: “É nítido o movimento de esquerdização da direita: quando, movida por antipatias políticas, passa a demonizar o trabalho, o sucesso individual, o dinheiro ganho licitamente, o mérito”. De fato, além da seletividade desses ataques – a mesma turma não se incomodou com o patrimônio superior a cinco milhões de reais de Júlia Zanatta – existe a pegada socialista, sim. A pergunta que todo conservador, na verdade todo ser decente, deveria fazer é uma só: como enriqueceu? Se foi de forma honesta, parabéns. Se foi em negociatas e esquemas corruptos, prisão nele!

Claro que o político pode ficar rico de forma lícita e, ainda assim, ser algo condenável moralmente. Parece-me o caso de socialistas como Bernie Sanders, proprietário de três casas milionárias enquanto “vende” igualdade para trouxas. Mas quem defende meritocracia, livre mercado e propriedade privada tem todo direito de ralar para ganhar mais, e como não há vedação legal a políticos que querem ser também empresários, isso é do jogo – ainda que o eleitor deva ficar muito atento aos eventuais conflitos de interesse.

Em vez de se preocupar tanto com o dinheiro acumulado pelo Nikolas, que tem explicação clara, esses bolsonaristas ligados ao Eduardo deveriam apontar para os milhões de Lula e para milhões do Daniel Vorcaro financiando filme produzido por Mario Frias. Novamente, o que faz a diferença é como se ganhou o dinheiro. Romeu Zema ter quase R$ 180 milhões de patrimônio deveria ser motivo de admiração, já que ele vem da iniciativa privada como um empreendedor de sucesso. Infelizmente, o Brasil alimenta a cultura da inveja, enquanto os americanos respeitam os empresários que ficaram ricos na iniciativa privada.

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Por fim, o que deveria incomodar a todos é o contrato de R$ 129 milhões entre o escritório da família de Alexandre de Moraes e o banqueiro fraudulento. Em uma só tacada, com forte cheiro de tráfico de influência, a família de Moraes ganhou quase o que Zema levou uma vida toda construindo, com 400 lojas e gerando milhares de empregos. Mas a esquerda se incomoda mais com a fortuna do candidato mineiro!

Em geral, o setor público brasileiro parece mesmo ser um grande negócio. Por isso tem tanta gente que tenta colocar a família inteira na política… 

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