Primeiro debate em SP escala para temas nacionais e discute governos Lula e Bolsonaro. (Foto: Renato Pizzutto/Band)
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A polarização nacional deu o tom do primeiro debate das eleições de 2026 em São Paulo, realizado pela emissora Band na noite deste domingo (9). O encontro colocou frente a frente o governador do estado, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), em uma reedição do segundo turno do pleito estadual de 2022. Neste ano, Tarcísio representa o legado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e será o principal aliado do pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) no maior colégio eleitoral do país. Da mesma forma, o presidente Lula (PT) volta a usar Haddad como um dos principais expoentes do petismo e da esquerda brasileira.
Em sintonia com as pesquisas que apontam a violência como a principal preocupação do eleitor, o confronto começou com a discussão sobre segurança pública. A dinâmica garantiu 20 minutos para cada candidato administrar seu tempo. No primeiro questionamento, Tarcísio de Freitas lembrou-se das operações que extinguiram a Cracolândia no centro da capital e perguntou ao petista por que o programa “De Braços Abertos”, da época em que Haddad era prefeito, não teve o mesmo sucesso.
O ex-prefeito destacou o aspecto social do programa e criticou o governador por não compartilhar com o Ministério Público o mérito das operações contra o tráfico de drogas e o combate a facções criminosas. “O prefeito cuida de pessoas doentes; o programa não tinha capacidade de enfrentar o tráfico de drogas, que é assunto da polícia”, respondeu Haddad. “Você tem dificuldade de compartilhar o mérito. O Ministério Público foi essencial para a operação no centro. O promotor Lincoln Gakiya o procurou para apresentar o programa sobre o centro. Sem o Ministério Público, que é desrespeitado por falta de menção, nada disso teria acontecido”, completou.
Em resposta, Tarcísio disse que o atual governo encerrou as atividades na Cracolândia após mais de 30 anos, em uma atuação conjunta com a prefeitura paulistana, o Ministério Público e o setor de inteligência da Polícia Militar. “Por isso, percebemos o modus operandi e conseguimos acabar com o crime, que lavava dinheiro e movimentava o fluxo segundo interesses próprios”, afirmou o governador.
No segundo bloco, o fim da Cracolândia — associado à operação na favela do Moinho, local indicado como um dos principais pontos de abastecimento de drogas no centro da capital — voltou ao debate. Tarcísio mencionou um evento do governo federal para a entrega de moradias que contou com a presença de Lula e Haddad. “Temos uma cena ruim, que é de membros do governo federal, inclusive Fernando Haddad, no palco com a traficante que comandava o tráfico na favela do Moinho após a operação”, disse Tarcísio.
Haddad reagiu e disse não ter nenhuma relação com a mulher. “Que deselegância. Você acha que eu conheço o tráfico de drogas como você conhece? Se você sabia que ela era traficante, por que não foi lá prendê-la? Eu não sabia; senão, teria dado voz de prisão. Eu não tenho esse tipo de proximidade com nada do que você está falando”, respondeu o petista.
“Você tem vergonha do Bolsonaro?”, questiona Haddad
Haddad acusou o ex-presidente Jair Bolsonaro de dar um “calote” no ex-governador de São Paulo João Doria durante as negociações sobre o ICMS para baixar os preços dos combustíveis no país. Segundo ele, o estado paulista cobrou R$ 45 bilhões no Supremo Tribunal Federal (STF) pela dívida supostamente deixada por Bolsonaro aos governadores.
“A primeira audiência que você teve comigo foi para cobrar o calote que o governo do qual você fez parte deu no estado de São Paulo. Em 30 de março de 2023, nós assinamos o acordo para reparar o mal que o governo Bolsonaro fez aos governadores”, disse o ex-ministro da Fazenda ao governador paulista.
Tarcísio pediu a Haddad que priorizasse o debate sobre o estado e lembrou que o petista foi derrotado pelo ex-presidente nas eleições presidenciais de 2018. “Você está muito focado no Bolsonaro, esquece o Bolsonaro. Você não está mais concorrendo com ele, isso foi em 2018, já passou”, respondeu Tarcísio.
Haddad interrompeu a fala do governador e perguntou se ele tinha vergonha do ex-presidente Jair Bolsonaro. “Não. Foi a pessoa que me abriu as portas. Gratidão não se prescreve. Foi alguém que me estendeu a mão, que reuniu um perfil técnico e o transformou em ministro. Em vez de dividir ou fatiar o governo e a Esplanada para vários partidos, ele resolveu colocar pessoas da área. Não tenho vergonha, tenho gratidão”, rebateu o governador.
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