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Nunes Marques diz que desacreditar urnas é afastar brasileiro das eleições

O ministro Kassio Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), voltou a defender neste domingo (9) a confiabilidade das urnas eletrônicas e declarou que tentativas de desacreditar o sistema de votação podem afastar os brasileiros das eleições.

A declaração de Nunes Marques foi feita durante a primeira Corrida pela Democracia, promovida pelo TSE no Autódromo Internacional Nelson Piquet, em Brasília. O evento, que reuniu cerca de 900 participantes, encerrou a Semana Nacional do Sistema Eletrônico de Votação, organizada pela Justiça Eleitoral para divulgar informações sobre o funcionamento e os mecanismos de fiscalização das urnas.

“Desacreditar o sistema de votação brasileiro é desconvidar o eleitor brasileiro”, afirmou Nunes Marques. O ministro disse que, ao longo de três décadas, o modelo eletrônico passou por aperfeiçoamentos tecnológicos e pela ampliação dos instrumentos de fiscalização e auditoria.

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A manifestação do ministro ocorre a menos de dois meses do primeiro turno das eleições gerais, marcado para 4 de outubro, e em um momento no qual a confiança nas urnas voltou a ser questionada no debate político.

Desde que assumiu a presidência do TSE, em maio, Nunes Marques tem procurado fazer da defesa pública da confiabilidade e da auditabilidade do sistema uma das marcas de sua gestão. Na abertura do segundo semestre da Corte, no último dia 3, ele anunciou novas ações de transparência, gestão de riscos e preparação tecnológica para o pleito.

Confiança nas urnas divide eleitorado de Lula e Flávio

Apesar da campanha institucional da Justiça Eleitoral, uma parcela relevante dos brasileiros continua demonstrando desconfiança em relação ao sistema.

Pesquisa Meio/Ideia divulgada na última quarta-feira (5) mostrou que 35,3% dos entrevistados dizem confiar muito nas urnas eletrônicas, enquanto 22,2% confiam pouco e 24,3% afirmam não confiar. Outros 18,1% não souberam responder. O levantamento ouviu 1,5 mil pessoas entre 31 de julho e 3 de agosto e tem margem de erro de dois pontos percentuais.

Os números mostram também uma divisão política acentuada. Entre os eleitores que declaram voto em Lula (PT), 56,5% afirmam confiar muito no sistema. Entre os apoiadores de Flávio Bolsonaro (PL), o percentual cai para 13,6%. Nesse grupo, 41,6% dizem não confiar nas urnas.

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A questão ganhou força depois de Flávio levantar dúvidas durante um encontro com diplomatas estrangeiros. O candidato do PL pediu que outros países enviem observadores para acompanhar as eleições brasileiras e mencionou a empresa Smartmatic ao falar das máquinas de votação. A companhia, porém, não fornece as urnas utilizadas no Brasil, segundo informações confirmadas pela própria empresa e pelo TSE.

Flávio afirmou posteriormente que não estava questionando a integridade do sistema eleitoral brasileiro.

EUA entram no debate sobre eleições brasileiras

A discussão sobre as urnas também passou a fazer parte da crise diplomática entre os governos de Lula e Donald Trump.

O governo brasileiro negou vistos a dois integrantes do Departamento de Estado americano que pretendiam visitar Brasília no fim de julho. Autoridades brasileiras disseram que interpretaram a missão como uma tentativa de colocar em dúvida o processo eleitoral e interferir na disputa presidencial. Washington contestou essa versão e afirmou que a viagem fazia parte das atividades regulares do órgão nas áreas de democracia, direitos humanos e liberdade religiosa.

Em vez de uma reunião bilateral com os representantes americanos, Nunes Marques programou para 17 de agosto um encontro mais amplo com diplomatas estrangeiros. A intenção é apresentar detalhes sobre o funcionamento das urnas, as auditorias e os mecanismos de segurança usados pela Justiça Eleitoral.

A estratégia do presidente do TSE indica que a Corte tentará responder aos questionamentos sobre o sistema com demonstrações técnicas e ações de transparência, ao mesmo tempo em que busca evitar que a discussão sobre as urnas volte a dominar a campanha presidencial.

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