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Quem é o avô que cuida das netas enquanto o filho segue preso pelo 8 de janeiro?

Aos 60 anos, o agropecuarista Evandro Brasileiro cuida das netas, de 2 e 4 anos, enquanto o filho Lucas segue preso pelo 8 de janeiro: “Todo dia eu deito pensando que ele está saindo, mas esse dia não chega” (Foto: Arquivo pessoal)

O agropecuarista Evandro Brasileiro, de 60 anos, assumiu a criação de suas duas netas, de 2 e 4 anos, em Brasília, após a nova prisão e condenação de seu filho, Lucas Brasileiro. O advogado foi sentenciado pelo STF a 14 anos de prisão por envolvimento nos atos de 8 de janeiro de 2023. A família enfrenta um drama emocional e financeiro enquanto luta pela liberdade do rapaz no Distrito Federal.

Como a rotina da família foi impactada pela prisão de Lucas Brasileiro?

A vida de Evandro Brasileiro mudou completamente desde janeiro de 2023. Aos 60 anos, ele se tornou o principal provedor financeiro e figura paterna presente para as netas Jasmim e Jade. O advogado Lucas Brasileiro, pai das meninas, está preso no Complexo da Papuda, o que forçou o avô a assumir tarefas diárias como levar as crianças à escola, ao balé e participar de eventos comemorativos. As meninas, que ainda são muito pequenas, demonstram sofrimento com a ausência do pai, chegando a apresentar sintomas físicos como febre após as visitas regulares à penitenciária. Jasmim, a mais velha, já começa a questionar as promessas de retorno do pai, percebendo que ele não pode sair do local. Evandro relata que Lucas perdeu cerca de 30 quilos na prisão e não pôde acompanhar momentos cruciais, como o nascimento da filha mais nova e os primeiros passos de ambas.

Quais são as acusações e a pena imposta pelo STF ao advogado?

Lucas Brasileiro foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a uma pena de 14 anos de reclusão. Os crimes atribuídos a ele incluem associação criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. O advogado chegou a obter liberdade provisória com o uso de tornozeleira eletrônica após oito meses de detenção inicial, mas voltou ao cárcere em junho de 2024. A nova ordem de prisão foi fundamentada em um suposto risco de fuga, medida que atingiu simultaneamente cerca de 200 investigados pelos atos do 8 de janeiro. A defesa e a família sustentam sua inocência, argumentando que ele estava na região apenas para realizar uma prova de concurso e buscou abrigo em um palácio para se proteger do tumulto causado por bombas, helicópteros e tiros durante a confusão generalizada na Praça dos Três Poderes.

O que a família denuncia sobre as condições de Lucas na prisão?

Evandro Brasileiro tem atuado como um porta-voz das dificuldades enfrentadas pelo filho dentro do sistema prisional do Distrito Federal. Ele denunciou episódios de agressões e perseguição, acionando inclusive a Defensoria Pública para relatar um caso grave ocorrido em janeiro de 2025. Segundo o relato, durante uma transferência entre unidades prisionais, agentes teriam disparado spray de pimenta dentro de um camburão fechado, causando asfixia em Lucas e outros detentos enquanto estavam algemados. Além disso, houve repercussão nacional sobre a dificuldade de Lucas em comparecer ao velório de sua avó, Joanice. Inicialmente, o pedido foi negado pela administração penitenciária sob a justificativa de falta de policiais para a escolta. Após a divulgação de vídeos e pressão pública, o rapaz foi autorizado a ir ao enterro, porém sob uma vigilância ostensiva composta por aproximadamente 35 policiais armados com fuzis.

Como Evandro tem lutado pela liberdade do filho e mantido a esperança?

Inconformado com a situação, o agropecuarista dedica grande parte de seu tempo a percorrer os corredores do poder em Brasília. Ele participa ativamente de manifestações, audiências públicas e eventos políticos, sempre carregando cartazes com a foto de Lucas para dar visibilidade ao caso. Evandro já esteve no Senado e na Câmara dos Deputados, buscando apoio de parlamentares em defesa dos condenados pelo 8 de janeiro. Apesar do desgaste físico e emocional acumulado ao longo de mais de três anos, o idoso afirma que sua força vem da fé religiosa. Ele declara que, embora não confie mais nas instituições humanas, renova diariamente a esperança de ver o filho livre e as netas crescendo com a presença do pai biológico. A rotina de ‘papai-vovô’ é intercalada com essa militância incansável, movida pela convicção de que houve uma injustiça no julgamento e na execução da pena do advogado.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

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