O desejo de Aldo Rebelo para as eleições 2026 era bem diferente do que o destino lhe reservou. Em dezembro do ano passado, em entrevista à Gazeta do Povo, quando então era pré-candidato à Presidência pelo Democracia Cristã (DC), Rebelo justificou a opção pelo seu próprio nome afirmando que nenhuma das demais opções lhe representava — entre eles, Ronaldo Caiado (PSD), então no União Brasil.
“Respeito as candidaturas, mas as minhas ideias são distintas”, declarou à época. Oito meses depois, tendo entendido que foi menosprezado pelo DC, que substituiu Aldo por Joaquim Barbosa, e tendo recorrido à Justiça para questionar a decisão partidária, Rebelo surpreendeu ao aparecer na convenção nacional do PSD e apoiar a candidatura de Caiado.
Em menos de duas semanas, pediu desfiliação do DC, tornou-se coordenador da campanha de Caiado e será o porta-voz do partido em viagens que faz pelo Brasil afora, a convite de organizações. De um lado, Aldo Rebelo encontrou no PSD uma valorização que ele avalia que lhe faltava no DC: na convenção nacional, mesmo com a presença de governadores como Ratinho Junior (PSD-PR) e Eduardo Leite (PSD-RS), Rebelo foi convidado a apresentar Ronaldo Caiado como o pré-candidato à Presidência.
Quem mais ganhou com o movimento foi o presidente nacional da sigla, Gilberto Kassab, que conseguiu para seu partido um soldado que passou por seis mandatos na Câmara dos Deputados, presidiu a Casa, foi ministro de Dilma e Lula e, ainda, teve o aval do próprio ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) nas eleições em 2024.
Na ocasião, de acordo com o que foi divulgado pela imprensa, o ex-presidente Jair Bolsonaro manifestou que queria Rebelo para vice, lhe representando na disputa à reeleição na chapa de Ricardo Nunes (MDB) à prefeitura de São Paulo. Porém, a indicação não deu certo ao esbarrar em Valdemar Costa Neto, que exigia um nome próprio do PL.
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Rebelo tem potencial de abrir frente de diálogo com o público conservador
Rebelo dialogará com setores que se declaram em dúvida sobre votar em Caiado ou em Flávio Bolsonaro. Entre eles estão setores com os quais Rebelo atuou diretamente como ministro da Ciência e Tecnologia, do Esporte e da Defesa Civil.
Há, ainda, o objetivo de levar à aliança do PSD apoios regionais de partidos como MDB, ao qual ele foi filiado, e também Republicanos, Progressistas e União Brasil. Nacionalmente, essas siglas declararam neutralidade para o primeiro turno.
“Ele atrai o eleitor que é conservador nos costumes, mas nacionalista na economia; que quer segurança, mas também quer indústria, quer trabalho, quer soberania sobre o que é nosso”, afirmou à Gazeta do Povo o ex-deputado Heráclito Fortes, do conselho político do PSD, que articulou a entrada de Rebelo como coordenador da pré-campanha.
“O Aldo tem trânsito no setor produtivo, no meio militar, no mundo sindical e entre gente que ele combateu a vida inteira e que nunca deixou de respeitá-lo. É um eleitorado que não cabe em rótulo e que hoje não se sente representado por ninguém, e essa gente é muito mais numerosa do que se imagina”, complementou Fortes.
Para o cientista político Lucas Fernandes, coordenador de Análise Política da BMJ Consultores, Rebelo não deve ganhar novos votos para a chapa, mas abrir uma frente de diálogo com o setor conservador. “O Caiado sabe que é tirando voto do Flávio que ele terá mais vantagem nessas eleições. O Aldo Rebelo dialoga justamente com setores conservadores em que o bolsonarismo já vai melhor”, afirma Fernandes.
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Arnaldo Jardim chega para campanha e PSD deve atrair outros nomes
Na última terça-feira (4), o PSD anunciou a chegada de mais um nome para a campanha de Caiado: o deputado federal Arnaldo Jardim (Cidadania-SP). Em quinto mandato, Jardim é um nome forte do agronegócio, tendo sido vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e autor do projeto que gerou os Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagro), instrumento que permite o financiamento do setor no mercado financeiro.
Heráclito Fortes afirma que, assim como Rebelo e Jardim, outros nomes devem chegar ao PSD para fortalecer a campanha de Caiado. “Estamos montando isso desde antes da convenção, sem pressa e sem estardalhaço. O Brasil está cheio dessa gente, boa parte dela desiludida e em casa e, quem quiser somar num projeto sério, vai encontrar a porta aberta”, afirmou.
Para o cientista político Lucas Fernandes, a estratégia do PSD é chegar em mais pessoas e lugares com esses novos representantes. “São nomes que vão conseguir estar, de fato, focados na campanha, já que o Kassab está concentrado em aumentar a bancada do PSD na Câmara”, afirmou.
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