VILLA NEWS

Austrália concede cidadania a jogadoras do Irã que buscaram asilo após Copa na Ásia

O governo da Austrália concedeu nesta quarta-feira (5) cidadania australiana a duas jogadoras da seleção feminina de futebol do Irã que decidiram permanecer no país após pedirem asilo durante a Copa da Ásia, disputada em março. Fatemeh Pasandideh e Atefeh Ramezanisadeh receberam vistos humanitários depois que surgiram temores de possíveis represálias do regime iraniano contra integrantes da equipe.

As duas atletas prestaram o juramento de cidadania durante uma cerimônia realizada em Brisbane, onde vivem atualmente. O ato foi conduzido pelo ministro do Interior australiano, Tony Burke, e acompanhado por amigos, apoiadores e integrantes da comunidade iraniana local.

Pasandideh e Ramezanisadeh faziam parte de um grupo de integrantes da seleção feminina iraniana que recebeu autorização para permanecer na Austrália depois da competição. A preocupação com a segurança das jogadoras aumentou após parte da equipe se recusar a cantar o hino nacional do Irã antes de uma partida contra a Coreia do Sul. A atitude provocou críticas na televisão estatal iraniana. Um comentarista chegou a chamar as atletas de “traidoras em tempo de guerra”, o que levou ativistas e membros da comunidade iraniana na Austrália a pressionarem o governo para oferecer proteção às jogadoras.

O episódio ocorreu no momento em que o Irã estava sendo atacado pelos EUA e Israel. A seleção feminina do país havia chegado à Austrália antes do início dos ataques conjuntos dos Estados Unidos e de Israel contra território iraniano, em fevereiro.

Naquele momento, sete integrantes da delegação iraniana, incluindo um funcionário responsável pelo acompanhamento da equipe, receberam inicialmente vistos humanitários para permanecer na Austrália. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chegou a se manifestar sobre a situação das atletas. Na ocasião, Trump pediu publicamente que as integrantes da seleção recebessem asilo e chegou a telefonar para o primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, para tratar do assunto.

Cinco delas, porém, desistiram posteriormente dos pedidos e voltaram ao Irã. Apenas Pasandideh, de 22 anos, e Ramezanisadeh, de 34, decidiram permanecer no país e seguir com o processo.

Ativistas de direitos humanos demonstraram preocupação com o destino das integrantes que retornaram. Segundo a BBC, grupos de defesa dos direitos humanos afirmaram que algumas delas poderiam ter sido pressionadas a voltar por meio de ameaças dirigidas às suas famílias.

O Ministério dos Esportes do Irã, por sua vez, afirmou na ocasião que aquelas que retornaram haviam demonstrado “espírito nacional e patriotismo” e frustrado supostos planos de adversários do país.

Jogadoras comemoram nova cidadania

Durante a cerimônia em Brisbane, as duas atletas celebraram a possibilidade de reconstruir a vida na Austrália.

“Depois de tudo o que passamos e de todos os desafios que enfrentamos, este momento significa mais do que palavras podem expressar”, afirmou Pasandideh. Ela disse ainda estar honrada por passar a fazer parte do país.

Ramezanisadeh afirmou estar “profundamente orgulhosa” de se tornar cidadã australiana e destacou que agora poderá construir seu futuro no país.

“A Austrália me deu a oportunidade de construir minha vida e meu futuro e, mais do que nunca, sinto que pertenço a este lugar”, declarou. A jogadora acrescentou que suas raízes e lembranças do Irã continuarão fazendo parte de sua identidade.

As duas passaram a treinar com o Brisbane Roar, clube que disputa a A-League Women, principal campeonato feminino de futebol da Austrália, e pretendem continuar suas carreiras profissionais no país.

VEJA TAMBÉM:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *