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Por que o suplemento de ômega-3 falhou em prevenir o Alzheimer em novo estudo?

Um novo estudo clínico publicado na revista EBioMedicine revelou que, embora a suplementação de ômega-3 consiga elevar os níveis de nutrientes no cérebro, ela não foi capaz de melhorar a memória ou reduzir a perda de volume cerebral em idosos com risco de demência. A pesquisa acompanhou 365 adultos por dois anos, desafiando a crença de que cápsulas isoladas poderiam prevenir a doença.

O que os pesquisadores descobriram sobre o uso do suplemento?

Os cientistas confirmaram que o suplemento de DHA (o principal tipo de ômega-3 para o cérebro) realmente chega ao sistema nervoso, aumentando sua concentração no líquido da espinha em cerca de 17%. No entanto, esse aumento ‘químico’ não resultou em benefícios práticos. Ao final de 24 meses, os voluntários que tomaram o suplemento tiveram o mesmo desempenho em testes de memória e cognição que aqueles que tomaram apenas um placebo (uma pílula sem efeito).

Por que aumentar o ômega-3 no cérebro não trouxe melhorias clínicas?

A explicação pode estar no metabolismo. Não basta apenas ‘empilhar’ o nutriente no cérebro; as células nervosas precisam saber como processar e utilizar essa gordura. Os especialistas acreditam que, em pessoas com risco de Alzheimer, o problema pode não ser a falta da substância, mas sim uma falha na forma como o organismo a aproveita. Por isso, aumentar a dose via cápsulas não corrigiu o declínio cognitivo ou a diminuição do tamanho do cérebro.

Existe diferença entre tomar cápsulas e comer peixe?

Sim, e essa é uma distinção fundamental. Estudos que mostram benefícios geralmente focam no consumo de peixes gordurosos (como sardinha e salmão). O peixe não entrega apenas o ômega-3 isolado, mas um ‘pacote’ de proteínas, vitamina D e selênio que trabalham juntos. O novo estudo sugere que a suplementação isolada é menos consistente do que manter uma dieta equilibrada, que oferece uma combinação complexa de nutrientes que as cápsulas não conseguem imitar.

Como prevenir o Alzheimer de forma comprovada pela ciência?

O controle da saúde cerebral depende de um conjunto de hábitos, e não de uma pílula mágica. Medidas como praticar exercícios físicos, não fumar, dormir bem e controlar a pressão alta e o diabetes reduzem o risco da doença em até 60%. Essas ações são eficazes até mesmo para quem tem o gene APOE4, que aumenta a chance hereditária de ter Alzheimer. O consenso atual é que o estilo de vida saudável é a proteção mais robusta disponível hoje.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

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