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Greve que paralisou trens entra na disputa eleitoral entre Tarcísio e Haddad

Enquanto a região metropolitana de São Paulo ainda se recupera de dois dias de greve em três linhas da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) que afetou milhões de pessoas na terça (4) e na quarta-feira (5), os dois principais pré-candidatos ao governo do estado de São Paulo se municiam para trazer o episódio para dentro de suas respectivas campanhas eleitorais. O sindicato da categoria decidiu encerrar a paralisação na noite desta quarta.

A disputa sobre a greve dos trens em São Paulo tem sido franca. O governador em busca de reeleição Tarcísio de Freitas (Republicanos), responsável tanto pela CPTM como pelas privatizações de linhas do sistema anunciadas como motivo da greve, foi rápido em se posicionar publicamente sobre o episódio, com firmeza. De acordo com Tarcísio, a motivação da greve foi política.

“A aposta na baderna e na paralisia dos serviços não vai intimidar o governo, que esteve e seguirá aberto ao diálogo”, disse o governador no dia de início da greve. “Uma concessão é feita para melhorar os serviços, eliminar problemas de via permanente, trazer trens novos, garantir estações mais acessíveis, eliminar falhas na via aérea de alimentação e nas subestações, estender as linhas até Bonsucesso ou até César de Souza e dar mais confiança ao sistema”, afirmou ele.

O governador acrescentou que “negociações aconteceram, garantias de manutenção de emprego foram dadas e descartadas pelo sindicato, que não só ignorou a proposta do governo, como também, mais uma vez, ignora a decisão da Justiça do Trabalho”.

“Não vamos permitir que o cidadão seja refém, que seja usado mais uma vez como instrumento de pressão. Não é por acaso que determinados eventos ocorram em ano de eleição. Seguiremos em frente e, não custa lembrar, as linhas concedidas estão operando normalmente”, declarou. Nos bastidores, o time de campanha do governador monitorou a situação com pesquisas telefônicas internas para avaliar a eventual contenção de imagem.

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Falta de percepção popular em melhora no sistema público de transporte é ponto de atenção na campanha de Tarcísio

De acordo com um integrante da campanha ouvido pela Gazeta do Povo, a percepção é de um cansaço dos paulistanos usuários de transporte público com o sistema de trens como um todo e com soluções que não trazem melhoras, entra governo, sai governo — inclusive o atual. Esse sentimento a pesquisa interna captou e acendeu um sinal de alerta na campanha do governador sobre o tema como um todo, não apenas a greve.

A aposta de Tarcísio para entregar uma melhora no transporte metropolitano sobre trilhos é a privatização de linhas da CPTM. Até agora, ainda não houve melhora perceptível na prestação do serviço nas linhas recém-privatizadas. 

A Artesp, agência estadual que regula concessões na área de transportes, determinou que a CPTM retome por 90 dias a operação das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade (além do Expresso Aeroporto), após um incêndio e falhas graves logo no início da gestão da concessionária Trivia Trens, no mês passado.

Com a volta da operação das linhas de trens recém-privatizadas para a estatal CPTM, o Sindicato dos Ferroviários da Central do Brasil decretou a greve pedindo, entre outras reivindicações, a reestatização definitiva das linhas em São Paulo.

Haddad culpou Tarcísio pela greve de trens em São Paulo

Atento à situação, o candidato do PT ao governo de São Paulo, o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad, não deixou por menos e partiu para o ataque, culpando o governador Tarcísio pela greve e pelos recorrentes problemas nos trens paulistanos, tanto nos privatizados como nos geridos pelo estado.

Haddad é o segundo colocado na intenção de voto do paulista ao governo estadual, conforme apontamento da pesquisa Genial/Quaest mais recente, divulgada em 29 de julho — Tarcísio lidera a disputa, com 15 pontos percentuais de vantagem para Haddad, segundo o instituto.

Levantamento da TV Globo divulgado em telejornais locais ao longo da semana mostra que o sistema de trens da CPTM conviveu com uma média de um problema sério de funcionamento por dia em todos os dias de 2026, incluindo as linhas operadas pela estatal e as operadas pela iniciativa privada.

“O sistema de transporte de São Paulo anda desgovernado sob o governo Tarcísio”, publicou Haddad em seu perfil na rede social Instagram junto com um vídeo bem editado com entrevistas sobre o caos nos trilhos e cenas frescas da greve, na terça-feira. “Todos os dias, os paulistas enfrentam inúmeros problemas e correm riscos por causa do descaso com o transporte público.”

Segundo nota publicada na coluna “Painel” do jornal Folha de S. Paulo nesta quarta-feira, a equipe de campanha de Haddad também se mobilizou completamente em torno do tema. Uma equipe de gravação completa esteve ainda na manhã de terça na estação Engenheiro Goulart, uma das afetadas pela greve.

Ao menos seis integrantes da campanha petista fizeram filmagens e entrevistaram passageiros, com perguntas sobre o caos e o sistema público de transporte metropolitano no geral. A avaliação por parte do comando do PT em São Paulo é que a greve, as privatizações e os problemas diários na CPTM são considerados temas sensíveis para um enorme número de eleitores, e assim abrem uma oportunidade para atacar Tarcísio neste tema.

  • Metodologia da pesquisa citada: 1.650 entrevistados pela Genial/Quaest de 23 a 27 de julho de 2026. A pesquisa pelo Banco Genial S.A. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 2 pontos percentuais. Registro no TSE sob o nº SP-04846/2026.

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