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Novo Hamlet com Riz Ahmed estreia no Brasil e conquista a crítica especializada

Uma das adaptações mais comentadas de Hamlet nos últimos meses finalmente chegou ao Brasil. Dirigido por Aneil Karia e estrelado por Riz Ahmed, o longa abandona a Dinamarca renascentista para transportar a tragédia de William Shakespeare para a Londres contemporânea, onde disputas familiares, especulação imobiliária e conflitos de poder substituem a corte de Elsinore. A proposta não é apenas atualizar o cenário, mas reinterpretar o clássico por meio de uma linguagem cinematográfica mais dinâmica — uma escolha que recebeu elogios consistentes da crítica especializada.

Escrito por Michael Lesslie, o filme apresenta Hamlet como herdeiro de uma poderosa família sul-asiática dona da incorporadora Elsinore, empresa que ocupa o lugar simbólico do castelo da peça original. Após a morte do pai, o protagonista retorna do exterior e vê sua vida mudar quando o fantasma do antigo CEO revela que foi assassinado por Cláudio, irmão da vítima e agora à frente dos negócios da família. É essa revelação que desencadeia a busca de Hamlet por respostas e vingança. Ao lado de Riz Ahmed, o elenco reúne Morfydd Clark, Joe Alwyn, Sheeba Chaddha, Art Malik, Timothy Spall e Avijit Dutt.

Recepção da crítica

Segundo crítica de Nicolas Rapold publicada no The New York Times, essa atualização funciona justamente por transformar a peça em um filme que explora plenamente os recursos do cinema. Ele destaca a abertura em que Hamlet declama o célebre “Ser ou não ser” enquanto dirige em alta velocidade pelas ruas de Londres, exemplo da maneira como Karia converte conflitos internos em movimento e tensão visual. O jornal também elogia a atuação de Riz Ahmed, considerada intensa e fisicamente inquieta, além da decisão de acompanhar o protagonista de forma muito próxima ao longo da narrativa. A principal ressalva, segundo o crítico, é que a adaptação perde parte da ampla gama de nuances filosóficas e emocionais presentes na peça de Shakespeare em favor de um ritmo mais acelerado.

A avaliação publicada pelo RogerEbert.com, assinada por Sheila O’Malley, segue caminho semelhante, mas aprofunda a discussão sobre as mudanças feitas na adaptação. A crítica observa que diversos personagens e cenas clássicas foram eliminados para condensar uma peça que, em sua versão integral, pode ultrapassar quatro horas de duração. Segundo O’Malley, a narrativa concentra quase toda a experiência na jornada psicológica de Hamlet, transformando o protagonista no centro absoluto da história. A crítica destaca a interpretação de Riz Ahmed como um homem preso entre a necessidade de vingança e a incapacidade de cumprir o papel esperado de um herói de tragédia. Também elogia soluções criativas para momentos conhecidos da peça, como a transformação da tradicional encenação dentro da história em um espetáculo de dança durante o casamento de Cláudio e Gertrudes. Como contraponto, afirma que a retirada dos momentos de alívio cômico faz o filme perder parte do equilíbrio dramático e, em alguns momentos, tornar a tragédia excessivamente pesada. Ainda assim, conclui que a adaptação reúne qualidades suficientes para ser recomendada.

Já o The Guardian, em texto de Peter Bradshaw, define o longa como uma releitura austera, fria e inteligente. O crítico compara o protagonista de Riz Ahmed ao personagem Kendall Roy, da série Succession, aproximando o drama shakespeariano do universo das grandes empresas familiares contemporâneas. Bradshaw elogia especialmente a forma como o roteiro incorpora a especulação imobiliária ao conflito central da trama, retratando Cláudio como um empresário que já expulsou uma comunidade de um terreno valioso para ampliar seus negócios. Para o jornal britânico, Ahmed sustenta o filme com uma interpretação marcada por fragilidade e autoaversão, enquanto a narrativa constrói uma atmosfera constante de tensão, inclusive ao sugerir, por algum tempo, que o fantasma possa ser apenas uma alucinação de Hamlet. Entre as principais ressalvas está a retirada da cena da loucura de Ofélia, considerada pelo crítico uma decisão equivocada.

As três críticas convergem em alguns pontos: a atuação de Riz Ahmed é considerada o principal trunfo da adaptação, enquanto Aneil Karia privilegia ritmo, tensão e linguagem cinematográfica em vez de reproduzir integralmente a estrutura da peça de Shakespeare. Também há uma percepção comum de que essa escolha cobra um preço ao reduzir parte da complexidade filosófica e de alguns momentos importantes da obra original.

A recepção do público, no entanto, mostra-se mais dividida do que a da crítica. No Rotten Tomatoes, o filme registra 72% de aprovação entre os críticos e 54% entre o público, indicando que a proposta contemporânea encontrou maior respaldo na imprensa especializada do que entre os espectadores.

No Brasil, Hamlet está disponível no Amazon Prime Video, tanto para assinantes quanto em formato de locação digital, com preços a partir de R$ 14,90 na Loja Prime. O longa também passou por plataformas de aluguel digital, como Apple TV e Google Play, durante seu lançamento inicial.

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