O senador Flávio Bolsonaro escolheu uma tesoura para representar uma das principais promessas de sua campanha à Presidência: cortar gastos públicos. O broche, usado pela primeira vez nesta quarta-feira (5), durante o lançamento da chapa do PL, remete imediatamente ao principal símbolo político de Javier Milei, que transformou uma motosserra na marca de sua campanha presidencial na Argentina.
A semelhança não está apenas na estética. Assim como Milei prometeu passar a motosserra na máquina pública, Flávio defende reduzir ministérios, conter despesas, diminuir impostos e limitar o crescimento do Estado.
A diferença é a intensidade. Enquanto o argentino chegou ao poder propondo uma reformulação profunda da estrutura estatal, o senador apresenta uma agenda de ajuste fiscal mais gradual e concentrada na redução de gastos e na revisão de regras fiscais.
Flávio exibiu a tesoura durante o anúncio do deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) como candidato a vice-presidente.
Da motosserra ao “tesouraço”
A motosserra virou um dos símbolos mais conhecidos da campanha de Milei em 2023.
O então candidato a utilizava em comícios para representar a promessa de cortar ministérios, reduzir subsídios, enxugar a máquina pública e eliminar o déficit fiscal.
Já na Presidência, o argentino reduziu o número de ministérios, cortou despesas, diminuiu repasses federais às províncias e promoveu um amplo ajuste das contas públicas.
Flávio tenta adaptar essa proposta ao cenário brasileiro. Em vez da motosserra, escolheu a tesoura como símbolo de um “tesouraço” nas despesas do governo.
Os dois apareceram juntos na convenção nacional do PL, em julho. Flávio levantou uma grande tesoura durante o evento, reforçando a associação de sua campanha com a agenda de ajuste fiscal defendida por Milei.
Agenda liberal
Além da redução dos gastos públicos, Flávio promete diminuir a alíquota do IOF, zerar o imposto de importação sobre o petróleo, rever o Imposto Seletivo sobre produtos ultraprocessados e promover uma reforma administrativa.
A campanha aposta nessa agenda para conquistar o eleitorado liberal e empresários preocupados com o crescimento das despesas públicas.
O coordenador da campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), afirma que o atual modelo fiscal se esgotou e defende um novo ciclo de ajuste das contas públicas.
O uso da tesoura também gerou reação do PT. O presidente nacional da sigla, Edinho Silva, ironizou o novo símbolo e afirmou que Flávio deveria “começar cortando na própria família”, em referência ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP).
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