Após a revelação de documentos e registros privados do médico infectologista Anthony Fauci — uma das principais autoridades sanitárias dos Estados Unidos durante a pandemia de Covid-19 —, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) publicou vídeo nas redes sociais na segunda-feira (2) questionando a atuação do médico norte-americano e a postura da imprensa e de autoridades públicas brasileiras que incentivaram a população a seguir orientações de Fauci durante a pandemia.
“Nunca foi pela ciência”, afirmou Nikolas Ferreira no vídeo publicado esta semana em seu Instagram. Até a tarde desta quarta-feira (5), a postagem somava quase 40 milhões de visualizações.
No conteúdo, o parlamentar mineiro explica que o diário de Fauci mostra “nítida diferença” entre as conversas particulares do conselheiro do governo americano e as orientações defendidas publicamente por ele durante a crise sanitária. Além disso, aponta o contraste entre a promessa feita por Fauci durante a pandemia em relação a explicar todas as suas decisões e o silêncio escolhido por ele ao ser questionado pelo Congresso Americano na última quarta-feira (29).
“Se houver audiências de supervisão, eu absolutamente cooperarei”, afirmou Fauci, em coletiva de imprensa gravada no ano de 2021 e apresentada por Nikolas no vídeo. “Podemos defender e explicar tudo o que dissemos. Então, não tenho nada a temer”, continuou o médico na filmagem. A discrepância foi criticada pelo parlamentar brasileiro.
“Não era ele que iria falar e esclarecer tudo a respeito do que estava fazendo? Por que se calou?”, pergunta Nikolas, ao apontar que o conselheiro dos presidentes Joe Biden e Donald Trump recorreu à Quinta Emenda da Constituição dos Estados Unidos — que protege uma pessoa contra a autoincriminação — para não responder 111 perguntas realizadas por congressistas americanos.
Nikolas cita que Fauci “mentiu” e critica medidas adotadas também no Brasil
No vídeo, o deputado também reproduziu trecho de uma entrevista do secretário de Saúde dos Estados Unidos, Robert F. Kennedy Jr., à Fox News em que afirmou que Fauci “mentiu” a respeito de temas como transmissão do vírus, imunidade natural, vacinas, distanciamento e uso de máscaras na pandemia.
Na mesma entrevista, o secretário americano também apontou que Fauci teria omitido um infarto pulmonar que sofreu cinco meses após sua imunização contra Covid-19.
Essas informações divulgadas no vídeo de Nikolas foram criticadas pela opositora Tabata Amaral (PSB-SP), que acusou Nikolas de estar desestimulando a vacinação no Brasil. “Para erradicar uma doença, a gente precisa que todo mundo se vacine”, disse a deputada, ao citar o exemplo do sarampo. No entanto, o vídeo de Nikolas cita apenas o imunizante contra Covid-19 e sua relação com Fauci.
Fauci teria apoiado inicialmente a hidroxicloroquina
O vídeo de Nikolas também aponta que a hidroxicloroquina, medicamento defendido por Bolsonaro como parte do chamado “tratamento precoce”, teria sido apoiado pelo médico americano no início da pandemia. A informação é apresentada por Peter Navarro, conselheiro do presidente Donald Trump.
Segundo a declaração, os documentos de Fauci mostram que o médico teria considerado o remédio seguro em anotações de março de 2020 e queria sua distribuição imediata. No entanto, a posição teria mudado por motivos políticos.
“Depois que Trump endossou o medicamento e a mídia explodiu, Fauci voltou atrás”, afirmou Nikolas, ao apontar que a hidroxicloroquina “poderia ter salvado milhões de pessoas”. Durante a pandemia, médicos que apoiaram essa e outras tentativas de tratamento emergencial para a doença foram criticados e perseguidos.
Segundo o parlamentar, as revelações do diário de Fauci abrem questionamento em relação às regras sanitárias colocadas em prática no Brasil durante a pandemia e à forma como a população foi multada e obrigada a cumprir essas medidas.
“O Brasil inteiro precisa saber os rostos daqueles que fizeram terror contra trabalhadores e pessoas comuns e que, inclusive, descumpriram as medidas e ficavam pagando de virtuosos para todo mundo”, afirmou, ao apresentar imagens de autoridades e artistas que incentivavam lockdown e uso de máscaras, por exemplo, mas eram flagrados descumprindo as medidas.
O vídeo termina com a filmagem de uma transmissão religiosa, realizada em uma igreja vazia durante a pandemia. Nas imagens, o líder religioso recebe um recado, ao vivo, e informa que terá que encerrar o culto. “Vamos terminar aqui para evitar maiores complicações”, disse.
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