Alfredo Gaspar (PL-AL), escolhido nesta quarta-feira (5) para ocupar a vice na chapa presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), chega à disputa pelo Palácio do Planalto em seu primeiro mandato como deputado federal. Antes de entrar na política, ele construiu uma carreira de mais de duas décadas no Ministério Público e ganhou projeção nacional como relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS.
A escolha surpreendeu até quem acompanhava as articulações do PL para a composição da chapa. Gaspar não figurava entre os principais nomes cotados para a vaga, que nas últimas semanas esteve concentrada principalmente em possibilidades de políticas mulheres e representantes de outros partidos.
Sem conseguir fechar essas alianças, Flávio optou por uma chapa puro-sangue e buscou dentro da própria legenda um parlamentar identificado com pautas de segurança pública e combate à corrupção. Ao anunciar a escolha, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) destacou justamente esse histórico e a atuação recente do deputado na CPMI.
“É uma pessoa que eu aprendi a admirar, todos vocês aqui aprenderam a admirar pela coragem, honestidade, pela sua história em frente à segurança pública. Alguém que já foi promotor de Justiça, chefe de Ministério Público do seu estado”, discursou Flávio no evento desta quarta-feira.
O pré-candidato também associou a escolha à origem nordestina de Gaspar e à investigação conduzida no Congresso. “Alguém que enfrentou e defendeu os nossos aposentados na CPMI do INSS. Alguém que pediu a prisão do Lulinha porque [este] tinha culpa no cartório. E alguém que representa o Nordeste de fato”, elencou Flávio.
Em sua fala, Gaspar agradeceu a Flávio pela confiança e se comprometeu com o projeto de governo. “Vossa Excelência escolheu uma pessoa simples, nordestina, mas com uma história de vida de muito trabalho”, disse.
“E estar aqui, de cabeça erguida, para dizer que ao seu lado marcharei para a gente transformar esse Brasil num local justo e decente”. Ele também citou o ex-presidente Jair Bolsonaro. “Me permita dizer que eu sinto uma falta grande hoje de duas pessoas: do meu pai, que está no céu, e do seu pai, que está em cativeiro”.
De promotor a chefe do Ministério Público de Alagoas
Advogado de formação, Gaspar passou 24 anos no Ministério Público de Alagoas. Atuou como promotor de Justiça, integrou estruturas de enfrentamento ao crime organizado e chegou ao comando da instituição como procurador-geral de Justiça.
A trajetória dele também passou pelo Executivo estadual. Em 2015, afastou-se temporariamente do Ministério Público após ser convidado pelo então governador Renan Filho (MDB), hoje ministro dos Transportes, para assumir a área de Defesa Social de Alagoas.
Gaspar retornou ao Ministério Público no ano seguinte, após decisão do Supremo Tribunal Federal que restringiu a participação de integrantes da instituição em cargos políticos no Executivo. Ainda em 2016, foi escolhido procurador-geral de Justiça de Alagoas e posteriormente reconduzido ao cargo.
Também presidiu o Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas, ligado ao Conselho Nacional de Procuradores-Gerais. Deixou o Ministério Público em 2020 para ingressar definitivamente na política eleitoral.
Naquele ano, disputou pela primeira vez uma eleição ao concorrer à prefeitura de Maceió pelo MDB. Chegou ao segundo turno, mas foi derrotado por JHC. Posteriormente, retornou ao governo de Alagoas como secretário da Segurança Pública.
VEJA TAMBÉM:
Eleição para a Câmara e aproximação com a direita
Em 2022, Gaspar disputou uma vaga na Câmara pelo União Brasil e foi eleito com 102.039 votos. Foi o segundo deputado federal mais votado de Alagoas e o mais votado em Maceió.
Na Câmara, passou a concentrar sua atuação principalmente em segurança pública, legislação penal e combate à corrupção. É titular da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e suplente das comissões de Relações Exteriores e de Segurança Pública. Entre as propostas de sua autoria convertidas em lei está a instituição do Dia Nacional do Policial Penal.
Politicamente, Gaspar aproximou-se da direita e passou a se definir como “de direita, com muito orgulho”. Em 2026, deixou o União Brasil, filiou-se ao PL e assumiu o comando estadual da legenda em Alagoas.
Antes de ser escolhido para a chapa presidencial, preparava uma candidatura ao Senado. A disputa seria sua terceira eleição desde que deixou o Ministério Público.
CPMI do INSS deu projeção nacional a Gaspar
Foi como relator da CPMI do INSS que Gaspar ampliou projeção própria para além de Alagoas. Na função, protagonizou embates com parlamentares governistas e assumiu uma das posições de maior exposição nas investigações sobre irregularidades envolvendo aposentados e pensionistas.
No relatório final, o deputado pediu o indiciamento de mais de 200 pessoas, entre elas Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula. O parecer, porém, acabou rejeitado pela comissão, que também não teve seus trabalhos prorrogados.
A atuação na CPMI foi destacada por Flávio ao justificar sua escolha para a vice e ajuda a explicar a ascensão de Gaspar dentro do PL. Além da origem nordestina, o partido passa a ter na chapa um nome cuja trajetória permite explorar durante a campanha temas como segurança pública, combate à corrupção e investigações contra integrantes ou pessoas próximas ao governo Lula.
A passagem pela CPMI, no entanto, também colocou Gaspar no centro de uma grave controvérsia. O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) e a senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) encaminharam à Polícia Federal (PF) um pedido de investigação envolvendo uma acusação de estupro de vulnerável e uma suposta tentativa de pagamento para silenciar a denunciante.
Segundo os parlamentares, o caso envolveria uma adolescente que tinha 13 anos à época dos fatos e teria engravidado. Eles afirmaram ter encaminhado à PF elementos para subsidiar a apuração e solicitaram que a investigação fosse conduzida sob sigilo.
Gaspar nega a acusação. O deputado afirmou que o episódio citado pelos parlamentares estaria relacionado a um primo e sustenta não ter praticado o crime atribuído a ele. Também anunciou medidas contra Lindbergh e Soraya, incluindo representação no Conselho de Ética da Câmara e queixa à Polícia Federal.
VEJA TAMBÉM:


