A oficialização do senador Eduardo Girão (Novo-CE) como candidato a vice-presidente na chapa de Romeu Zema marcou mais um movimento da oposição na corrida ao Palácio do Planalto. Em entrevista à Entrelinhas, o presidente nacional do Partido Novo, Eduardo Ribeiro, afirma que a escolha reforça o compromisso da legenda com a defesa das liberdades, o enfrentamento aos abusos de poder e a aproximação entre o Executivo e o Senado.
Na conversa, Ribeiro também comenta a ação movida pelo Novo contra Luiz Inácio Lula da Silva por suposta propaganda eleitoral antecipada, defende a candidatura de Ricardo Salles (Novo-SP) e a elegibilidade de Deltan Dallagnol (Novo-PR), critica a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) e projeta o crescimento da legenda nas eleições de 2026.
Entrelinhas: A chapa de Romeu Zema à Presidência foi oficializada com o senador Eduardo Girão (Novo-CE) na vice. O que levou o partido a fazer essa escolha e qual é a importância dessa composição?
Eduardo Ribeiro: O senador Eduardo Girão construiu, ao longo dos últimos oito anos, uma atuação muito firme na defesa da liberdade de expressão e no enfrentamento aos abusos de poder, especialmente aqueles praticados por ministros do Supremo Tribunal Federal. É uma pessoa de reputação ilibada, sem rabo preso, que sempre teve independência para fazer críticas e cobrar mudanças quando considerou necessário.
Além disso, ele representa muito bem uma das pautas que o governador Romeu Zema pretende levar para o debate nacional, que é justamente o combate aos abusos institucionais.
O fato de ter um senador compondo a chapa também fortalece essa relação entre o Executivo e o Senado. Girão conhece profundamente a Casa e isso ajuda a construir um diálogo importante para pautas que consideramos fundamentais, como a discussão sobre a responsabilidade de ministros do Supremo. É uma composição que reforça o projeto político do Novo.
Entrelinhas: O Partido Novo acionou o TSE contra o presidente Lula, o PT e aliados por suposta propaganda eleitoral antecipada. Qual é a expectativa do partido em relação a essa ação?
Eduardo Ribeiro: Nós entramos com essa ação porque houve um pedido explícito de voto, o que é proibido pela legislação eleitoral. Isso ficou bastante claro. O próprio Lula, depois, em outro evento, acabou assumindo: “Ah, vou ser multado porque pedi voto”. Isso, na verdade, fala mais sobre a nossa legislação eleitoral do que qualquer outra coisa. A legislação é extremamente rigorosa.
Independentemente de concordarmos ou não com essas regras, elas precisam valer para todos. Não faz sentido o Novo cumprir a legislação enquanto outros fazem o que querem. Como oposição ao presidente Lula, temos a obrigação moral de cobrar do PT e do próprio presidente o mínimo de respeito às regras eleitorais. Sempre que houver irregularidade, vamos recorrer à Justiça.
Entrelinhas: A candidatura de Ricardo Salles ao Senado chegou a ser questionada por causa da ausência de algumas certidões no pedido de registro. Existe algum risco para a candidatura?
Eduardo Ribeiro: Não existe nenhum risco. Trata-se de um processo relacionado às motociatas de 2022. Como houve mudança de competência da Justiça Federal para a Estadual, o próprio cartório acabou não disponibilizando corretamente a documentação necessária. Nossos advogados já providenciaram tudo e protocolaram os documentos que faltavam. Isso não representa qualquer problema para o registro da candidatura. Foi mais um exagero do Ministério Público.
Entrelinhas: O governador Romeu Zema responde a uma ação movida pelo ministro Gilmar Mendes em razão da série de sátiras “Os Intocáveis”. Em que situação está esse processo?
Eduardo Ribeiro: É uma situação completamente absurda. O ministro Gilmar Mendes apresentou uma notícia-crime pedindo que o Zema fosse incluído no inquérito das fake news por causa de uma sátira produzida com fantoches, alegando inclusive que seriam deepfakes.
O processo ficou parado durante um tempo e, quando o caso ganhou repercussão, acabou sendo encaminhado ao STJ porque o vídeo foi publicado quando Zema ainda era governador.
Na nossa avaliação, trata-se de um processo sem fundamento, mas ele também demonstra que ainda existem magistrados nas instâncias inferiores que honram a toga e aplicam o direito de maneira técnica.
Entrelinhas: O Novo também entrou com um pedido para que o TSE reconheça previamente a elegibilidade de Deltan Dallagnol. Qual é a estratégia do partido?
Eduardo Ribeiro: O Deltan já foi vítima desse sistema em 2022. A legislação dizia claramente que ele não poderia pedir exoneração apenas se houvesse processo administrativo em andamento. Não havia nenhum.
Mesmo assim, o TSE criou um entendimento segundo o qual denúncias poderiam vir a se transformar em processos administrativos. Isso nunca aconteceu. Todas essas denúncias foram arquivadas.
Por isso, agora entramos com uma ação declaratória de elegibilidade para que ele dispute a eleição com segurança jurídica. O Deltan lidera as pesquisas no Paraná e acreditamos que será um dos grandes líderes do Senado.
Entrelinhas: O advogado Sebastião Coelho é candidato do Novo ao Senado pelo Distrito Federal. Como o partido avalia as chances dele diante de outros nomes fortes da direita?
Eduardo Ribeiro: O Sebastião Coelho ganhou projeção nacional por ter tido coragem de dizer aquilo que muitos brasileiros pensavam sobre os abusos cometidos pelo Supremo Tribunal Federal.
Nós o convidamos para o Novo muito antes da definição das demais candidaturas porque enxergamos nele esse perfil combativo que queremos fortalecer no Senado.
Ainda existem definições importantes no cenário político do Distrito Federal que podem influenciar a disputa, mas mantemos total confiança no projeto dele. É uma pessoa respeitada, que demonstrou independência e coragem, características fundamentais para o momento que o Brasil vive.
Entrelinhas: O Novo ampliou significativamente o número de candidatos nesta eleição. O partido acredita que superou definitivamente o risco relacionado à cláusula de barreira?
Eduardo Ribeiro: Sem dúvida. Em 2018 e em 2022 tivemos cerca de 450 candidatos. Agora são quase 1.300 candidatos em todo o Brasil.
Temos chapas muito fortes em estados como Paraná, São Paulo, Pernambuco e Pará, além de uma expansão importante para o Norte e o Nordeste.
Também passamos a utilizar os recursos do fundo eleitoral e do fundo partidário, algo que o Novo não fazia nas eleições anteriores. Essa foi uma mudança importante porque precisamos disputar em condições minimamente competitivas.
Não vejo mais a cláusula de barreira como um problema. Pelo contrário. Acredito que o Novo tem condições de ser o partido que mais cresce nesta eleição e, depois dela, atrair parlamentares de outras legendas que já possuem afinidade com o nosso projeto político.
Tenho convicção de que, ao longo do tempo, o Novo será a principal casa da direita no Brasil.
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