O pré-candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, afirmou nesta terça-feira (4) que pretende comandar um eventual governo com autonomia, reduzir a estrutura da Esplanada dos Ministérios, encaminhar uma proposta para acabar com a reeleição e defender a anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro. As declarações ocorreram durante a sabatina promovida pelo portal O Antagonista.
Questionado sobre quem comandaria o país em caso de vitória nas eleições, Flávio rejeitou a afirmação de que o governo seria conduzido por Jair Bolsonaro. Segundo ele, a experiência acumulada em mais de duas décadas de vida pública o prepara para exercer a Presidência.
“Eu sou alguém que estou mais do que preparado para assumir o comando desse país. Alguém que tem a consciência e a sabedoria de como lidar com o Congresso Nacional e alguém que compreende como funciona o jogo do poder em Brasília”, afirmou.
Na avaliação do candidato, a capacidade de negociação política será determinante para aprovar projetos e garantir estabilidade institucional.
“Não adianta falar, prometer um monte de coisas mirabolantes aqui e não ter condições de viabilizar isso dentro do Congresso Nacional”, declarou.
Flávio diz que manterá os valores do pai, mas fará escolhas próprias
Ao longo da entrevista, o senador também afirmou que faria escolhas diferentes das adotadas pelo ex-presidente Jair Bolsonaro em alguns temas, embora tenha ressaltado que pretende manter os mesmos princípios políticos e ideológicos do pai. “Algumas coisas eu faria diferente do presidente Bolsonaro”, disse.
Entre os exemplos, citou a vacinação contra a Covid-19. O senador afirmou que recebeu o imunizante e defendeu que todos os brasileiros que desejassem também tivessem acesso à vacina. “Eu sou um Bolsonaro vacinado, de fato, diferente do presidente Bolsonaro”, declarou.
Apesar disso, ressaltou que pretende preservar os valores políticos defendidos pelo pai. “Eu sou sangue de Bolsonaro. São os princípios e valores que nós aprendemos aqui com ele.”
Flávio promete montar equipe técnica e aplicar gestão da iniciativa privada
Durante a sabatina, o pré-candidato afirmou que pretende formar um ministério técnico e adotar métodos de gestão inspirados na iniciativa privada. Segundo ele, a escolha dos ministros será baseada na capacidade técnica dos integrantes da equipe.
“Eu não tenho nenhuma dúvida que eu vou montar o melhor time de ministros que esse país já viu”, afirmou.
Flávio também destacou o auxílio concedido durante a pandemia e disse que o programa teve papel importante para garantir renda à população durante o período de restrições econômicas.
Flávio defende redução de ministérios e fim da reeleição
Entre as primeiras medidas de um eventual governo, Flávio anunciou a intenção de reduzir a quantidade de ministérios. Segundo ele, a estrutura atual, composta por 39 pastas, poderia ser reduzida para aproximadamente 26 ou 27. “Eu já falei que eu quero no mínimo a redução de 10 ministérios. Podemos chegar aí a 25. Então, se hoje nós temos 39 ministérios, chegar algo em torno de 26, 27 ministérios, eu acho que é um número ideal”, afirmou.
O senador também defendeu a redução de cargos comissionados e classificou a medida como um sinal de racionalização da máquina pública.
Ao citar a gestão de Jair Bolsonaro, lembrou que o ex-presidente promoveu cortes de cargos logo no início do mandato e criticou o aumento da estrutura administrativa no governo atual.
Outra proposta apresentada foi o envio de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para extinguir a reeleição para presidente da República.
“Quero assumir esse compromisso público ainda na transição, conseguir aprovar essa PEC do fim da reeleição para que ela já valha para o meu mandato”, afirmou.
Pré-candidato defende anistia aos condenados pelo 8 de janeiro
Flávio também defendeu a anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023. Segundo ele, caso seja eleito, trabalhará desde o período de transição para construir apoio político e aprovar a proposta no Congresso Nacional.
“Como presidente da República, eu não tenho nenhuma dúvida que isso vai ser muito mais tranquilamente aprovado no Congresso Nacional”, declarou.
O senador afirmou que a discussão sobre a dosimetria das penas se transformou em uma “esculhambação” e criticou decisões relacionadas ao tema.
Flávio também afirmou que o ministro Alexandre de Moraes participou da elaboração do texto sobre a dosimetria das penas junto ao relator da proposta na Câmara e, posteriormente, passou a analisar questionamentos sobre sua aplicação.
“O próprio Alexandre de Moraes redigiu esse texto da dosimetria com o relator escolhido por ele”, declarou.
Na sequência, criticou as condenações impostas aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro.
“Foi uma grande farsa que foi armada, não apenas para o presidente Bolsonaro, mas para centenas, milhares de outros inocentes que vão ser anistiados no meu governo”, afirmou.
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