O deputado federal Ricardo Salles (Novo-SP) voltou a criticar seu oponente na disputa ao Senado por São Paulo, André do Prado (PL). Dessa vez, o parlamentar defendeu que o presidente da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) é que deveria, e não ele, desistir de concorrer, por ser representante do que classifica como “PL valdemarista”.
“Se alguém tem que sair dessa corrida e permitir que a direita tenha mais chances, é alguém que não sendo de direita, André do Prado, está se imiscuindo na direita e atrapalhando a direita”, defendeu.
Salles se disse contra as emendas parlamentares e rejeitou a alegação de que é comum que caciques indiquem a destinação dos recursos, citando a própria legenda como um caso em sentido oposto. A fala foi um exemplo utilizado para afirmar que o PL é dividido ao meio, com um lado ideológico e outro fisiológico.
“Enquanto está tendo a eleição, palmas para os bolsonaristas. Passou a eleição, cadeira importante só para valdemarista”, completou.
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A tensão ocorre por conta da configuração da chapa do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Com uma das vagas ao Senado reservada ao deputado federal Guilherme Derrite (PP-SP), Salles esperava completar a aliança. O PL, no entanto, optou por colocar em jogo um de seus membros, com o objetivo de incluir como suplente o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL).
Atualmente no Texas, Eduardo é alvo do Supremo Tribunal Federal (STF) e pode acabar preso caso retorne ao Brasil. Diante disso, a equipe reavaliou os riscos e o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) desistiu da ideia.
Salles usou o termo “valdemarista” para separar o “PL do Valdemar” o “PL do Bolsonaro”. Para ilustrar, ele citou a eleição do deputado federal Altineu Côrtes (PL-RJ) à vice-presidência, parte da negociação para que o PL apoiasse a eleição de Hugo Motta (Republicanos-PB). Côrtes foi filiado ao PT de 2008 a 2010, tendo usado a sigla para concorrer à prefeitura de São Gonçalo (RJ).
“Eu acho que o André do Prado é facilmente desconstruído na direita, quer seja por todo o seu histórico de alianças totalmente oportunistas e claramente não ideológicas, ou seja, alianças com a esquerda, com o Centrão. O próprio DNA dele, ao ser o preferido do Valdemar, já mostra de onde ele vem. E ele não tem, em nenhuma medida, compromisso com as pautas da direita”, argumentou.
A Gazeta do Povo entrou em contato com o gabinete de André do Prado e com o PL. O espaço segue aberto para manifestação.


