A hegemonia construída a partir de 2016 é desafiada pela ampla rejeição à proposta, já retirada, de vender uma participação nos direitos comerciais da Copa do Mundo e outras competições por meio de uma nova empresa da entidade máxima, a Fifa Forward Enterprise (FFE).

© Jean Bizimana/Reuters

02/08/2026 11:12 ‧
há 1 hora
por Folhapress
Esporte
GUILHERME PADIN
SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – A oito meses da eleição na qual concorrerá a mais um mandato como presidente da Fifa (Federação Internacional de Futebol), Gianni Infantino enfrenta um cenário político cada vez mais adverso. O dirigente tem sido duramente criticado pelas confederações continentais, circunstância bastante diferente das quais enfrentou em 2019 e 2023, quando foi eleito sem concorrência.
A hegemonia construída a partir de 2016 é desafiada pela ampla rejeição à proposta, já retirada, de vender uma participação nos direitos comerciais da Copa do Mundo e outras competições por meio de uma nova empresa da entidade máxima, a Fifa Forward Enterprise (FFE).
Europa, América do Norte e Ásia se opuseram praticamente em unanimidade e criticaram não somente a proposta, mas também a Fifa, o que fez o presidente ítalo-suíço desistir do plano. Em meio às críticas, o assessor principal de Infantino, Carlos Cordeiro, também se opôs à proposta e se demitiu.
Porém, mesmo após o recuo, a Uefa, que rege o futebol europeu, voltou a expressar sua reprovação e indicou ter perdido a confiança na Fifa de Infantino.
“Não podemos continuar assim com planos secretos em prazos acelerados, elaborados por indivíduos sem rosto e de benefício duvidoso para o jogo. Devemos identificar os responsáveis e responsabilizá-los”, escreveu a Uefa. “Esta é uma vitória para todo o futebol. Mas não deve ser o fim da história. A proposta foi retirada. A tarefa de reconstruir a confiança na Fifa está apenas começando”, completou a nota.
Embora a Uefa falasse pelas suas 55 associações nacionais, a federação inglesa também fez questão de publicar sua posição. “É hora de uma revisão completa e robusta da liderança e governança da Fifa para garantir que o esporte global seja gerido de forma transparente, em benefício de todas as 211 nações membros e com a administração de longo prazo do futebol em seu cerne”, afirmou a FA (sigla em inglês para Associação de Futebol da Inglaterra).
PROVÁVEIS CONCORRENTES
As articulações contra a permanência de Infantino se intensificaram, sobretudo após a rejeição à FFE, revelando uma divisão entre a cúpula da Fifa e alguns dos principais atores do futebol pelo mundo.
Diante do desgaste da atual gestão, a imprensa britânica aponta que a oposição já trabalha na consolidação de uma alternativa concreta para o pleito de 2027. O presidente da Concacaf, Victor Montagliani, surge com nome fortalecido para presidir a Fifa a partir de março de 2027, segundo a rádio talkSPORT.
Outro consenso entre os europeus, segundo o The Telegraph, é o nome de Nasser Al-Khelaifi, presidente do Paris Saint-Germain e da Qatar Sports Investments. Ele seria visto como o candidato com chances maiores de vencer Infantino em meio à atual crise por possuir influência e prestígio no futebol mundial.
Seja Montagliani, Al-Khelaifi ou outro candidato, quem se opor a Infantino na próxima eleição terá um forte obstáculo: assegurar um apoio amplo em meio à proposta do atual presidente de ampliar a Copa do Mundo de 2030 para 64 seleções. A medida é bem recebida e escorada por federações nacionais na África, na Ásia e nas Américas do Norte e Central, o que pode auxiliar Infantino na votação.
QUEM APOIA INFANTINO
Apesar da intensa contestação no território europeu e norte-americano, Infantino não está isolado. O dirigente preserva importantes focos de resistência, como a Confederação Africana de Futebol (CAF), que desponta como um de seus pilares de apoio mais sólidos.
Durante a semana de reações à FFE, a posição da CAF foi de cautela, sem mostrar rejeição, como fizeram outras três confederações. Dias após o fim da Copa do Mundo, o presidente da confederação africana se pôs ao lado de Infantino após críticas pelo caso Balogun e pela introdução das pausas para hidratação.
“Gosto do seu profundo amor pelo futebol, do seu profundo compromisso com o futebol em nível global e do seu apoio à África. Gianni desempenhou um papel fundamental na ampliação das oportunidades para as seleções africanas no cenário mundial”, disse Patrice Motsepe.
Dentre as federações nacionais, as entidades das sedes da Copa do Mundo de 2022 e do próximo Mundial também expressaram apoio. A marroquina parabenizou Infantino após o recuo e afirmou que seguirá o apoiando em suas iniciativas. “A decisão [de recuar] foi sábia, pois prioriza a unidade e a coesão entre as associações-membro da Fifa”, escreveu a federação marroquina.
Já a federação do Qatar afirmou que a FFE possuía ideias que mereciam ser avaliadas, além de elogiar o recuo da Fifa após a repercussão negativa do projeto. “Na Federação Catari de Futebol, reafirmamos o total apoio aos esforços contínuos do presidente Infantino para desenvolver e expandir o futebol pelo mundo”, concluiu a entidade, em nota.
CBF NÃO FALA, CONMEBOL SE ESQUIVA
Por aqui, a posição é de neutralidade em relação à Fifa e à proposta de Infantino. Até o momento, a CBF não emitiu qualquer posicionamento sobre a FFE.
A Conmebol, por sua vez, até publicou uma nota a respeito do plano, mas sem tomar posição ou falar em uma possível adesão. A confederação apenas informou que pediu mais detalhes à Fifa sobre o projeto.
“A Conmebol iniciou um processo de consulta com suas Associações Membro e convocou uma reunião do Conselho com o objetivo exclusivo de analisar e avaliar a proposta, com a responsabilidade e o rigor que o assunto exige”, escreveu a Conmebol.
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