Aumento das temperaturas, eventos climáticos extremos e novas exigências dos consumidores estão transformando a forma de produzir café no Brasil e no mundo. (Foto: Wenderson Araujo/CNA/Trilux)
Produtores de café no Brasil estão adotando novas tecnologias e técnicas de cultivo para enfrentar o aumento das temperaturas e as mudanças climáticas. Com o mercado pressionado por quebras de safra e preços altos, o setor busca alternativas como o café sombreado e a agricultura regenerativa para garantir a produtividade e atender consumidores exigentes com a sustentabilidade.
O que é a técnica do café sombreado e quais suas vantagens?
O café sombreado consiste no cultivo dos cafeeiros junto a árvores, em vez de deixá-los totalmente expostos ao sol. Essa técnica cria uma barreira natural que pode reduzir a temperatura nas folhas da planta em até 13 graus Celsius. Além de proteger os grãos do estresse térmico, que causa perdas na safra, essa prática ajuda a manter a umidade do solo e protege as lavouras contra geadas, sendo uma alternativa eficiente para mitigar os efeitos de climas extremos.
Como a agricultura regenerativa ajuda o produtor de café?
A agricultura regenerativa foca na saúde do ecossistema como um todo. Ela utiliza práticas como a cobertura permanente do solo, uso de bioinsumos (fertilizantes naturais) e preservação da água. Essas ações aumentam a atividade biológica e a matéria orgânica na terra, o que melhora a capacidade do solo de filtrar e segurar a água. Na prática, isso torna o cafezal muito mais resistente a períodos de seca prolongada e chuvas excessivas concentradas.
Por que o perfil do consumidor está forçando mudanças no campo?
Consumidores mais jovens, especialmente da geração Z, não olham apenas para o preço ou o sabor do café. Eles demandam transparência e exigem produtos que venham de sistemas ambientalmente corretos e socialmente justos. Essa pressão de mercado obriga a cadeia produtiva a investir em certificações de sustentabilidade e boas práticas de produção, transformando o cuidado com a natureza em um diferencial competitivo indispensável.
A produção de café vai migrar para novas regiões do Brasil?
Existe um movimento de expansão para áreas mais frias, como o Sul do país, mas especialistas acreditam que não haverá um abandono das regiões tradicionais. Cidades como Pato Branco, no Paraná, já realizam experimentos com sucesso. O objetivo atual não é substituir as áreas antigas, mas sim usar a tecnologia e o conhecimento acumulado para adaptar as lavouras atuais, tornando-as capazes de produzir com qualidade mesmo diante das oscilações climáticas de longo prazo.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
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