O senador Jaques Wagner (PT-BA), ex-líder do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Senado, afirmou nesta sexta-feira (31) que irá provar sua inocência no inquérito que apura seu envolvimento com o ex-banqueiro preso Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master.
Na véspera, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), levantou o sigilo de parte da investigação que apontou 74 contatos entre ele e o ex-sócio de Vorcaro, Augusto Ferreira Lima, entre os meses de novembro de 2023 e maio de 2025. A apuração aponta que ele teria recebido vantagens financeiras indevidas, como um apartamento de luxo em Salvador, viagens a uma localidade conhecida como “Ilha da Paixão”, na Bahia, e ingressos para um show em São Paulo.
“Eu tenho certeza de que vou provar minha inocência. O inquérito, evidentemente, demora um tempo. Eu agora estou focado na eleição. Temos dois meses para a eleição. Sábado vai ser a nossa convenção com a presença do [presidente] Lula”, afirmou o senador em entrevista à rádio Baiana FM.
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Jaques Wagner afirma ter sido orientado pelo seu advogado a não se pronunciar sobre a investigação, mas que decidiu ir à imprensa para dar sua versão dos fatos para “afastar a culpa” da investigação. O senador foi o principal alvo da nona fase da Operação Compliance Zero, que o apontou como um possível operador político de Vorcaro no Senado.
Apesar disso, o senador afirma ter todo o apoio do presidente Lula, que o demitiu do cargo de líder do governo dias depois da operação.
“Estive com ele [Lula] quatro, cinco dias depois do episódio. Entreguei o cargo a ele para não contaminar, para não perturbar. Ele esteve aqui na inauguração do Hospital de Alagoinhas, fez questão de fazer uma referência a mim muito carinhosa e elogiosa, e amanhã vai estar comigo aqui [na Bahia]”, completou.
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A Polícia Federal afirma no relatório da investigação que a relação entre Jaques Wagner e Augusto Ferreira Lima era “marcada por manifestações de afeto e proximidade pessoal e familiar”, extrapolando o nível institucional. O conteúdo foi obtido a partir da interceptação do celular do empresário.
Segundo a corporação, as 74 ligações totalizaram mais de cinco horas e meia de conversa, com uma “nítida preferência” por chamadas de voz para evitar registros escritos. A família do senador era convidada frequente para a “Ilha da Paixão”, na Bahia, propriedade sob controle de Lima.
Em um encontro em seu gabinete, Wagner orientou Lima a chegar ao meio-dia para não chamar atenção: “Eu posso ir lá embaixo, chegar mais ou menos junto com você na hora que for marcada e subo e você não precisa nem passar pela identificação”, afirmou.
Em viagens aéreas, o dono do Master, Daniel, Vorcaro orientava seus pilotos a usar hangares desconhecidos e, se possível, “nem apaga o motor” para evitar “conversa fiada”.
Para a Polícia Federal, esses elementos indicam a “concessão de vantagens indevidas”, de natureza patrimonial e financeira, que estariam potencialmente associadas ao exercício da função pública do senador.
A apuração aponta que Jaques Wagner teria atuado a favor do que ficou conhecida como “emenda Master” no Senado, que aumentaria o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão, e que supostamente contou com o apoio do também senador Ciro Nogueira (PP-PI), alvo da quinta fase da Operação Compliance Zero.


