O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que ainda não decidiu se participará dos debates entre candidatos à presidência durante a campanha eleitoral de 2026 e disse que avaliará o formato antes de confirmar presença. Segundo o petista, ele não pretende comparecer a encontros que, em sua avaliação, não contribuam para o debate público ou sirvam apenas para ataques entre adversários.
Durante entrevista ao podcast Inteligência Ltda nesta quinta-feira (30), Lula afirmou que acompanha o cenário eleitoral e quer conhecer o perfil dos candidatos antes de definir sua participação.
“Eu, enquanto presidente, não vou para debate para ouvir bobagem. Quero saber qual o nível do debate, porque, caso esse debate não sirva para sociedade, para politizá-la. Por que que eu vou fazer um debate com um cara que não tem compromisso com ninguém”, questionou.
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O calendário dos debates presidenciais já começou a ser definido pelas emissoras. As datas previstas são:
- 23 de agosto: primeiro debate presidencial na TV Band com transmissão conjunta com TV Cultura, TV Gazeta e Jovem Pan;
- 14 de setembro: debate realizado por um pool de emissoras e portais, incluindo SBT, CNN Brasil e revista Veja;
- 1º de outubro: último debate antes do primeiro turno na TV Globo.
O presidente também afirmou que nunca se recusou a participar de debates eleitorais, embora já tenha se ausentado em disputas anteriores. Em 2022, por exemplo, Lula não compareceu a um debate promovido pelo SBT alegando conflito de agenda, situação semelhante à registrada durante a campanha de 2006.
“Nunca me recusei a ir a debate, [mas] não vou me prestar a dar colher de chá a quem não merece”, afirmou.
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Nos bastidores da campanha, a possibilidade de Lula reduzir a participação ou até mesmo deixar de participar dos debates do primeiro turno já era estudada, mas dividindo opiniões. Uma ala avalia que, por ser o principal nome da esquerda na disputa, o presidente poderá ficar exposto a ataques concentrados dos adversários, enquanto outro grupo defende sua presença para confrontar diretamente os candidatos da oposição, especialmente o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Ainda durante a entrevista, Lula afirmou que a esquerda ainda não conseguiu formar um candidato capaz de herdar seu capital político e que, por isso, disputará um quarto mandato.
“Eu não sou candidato porque quero ser candidato outra vez. Eu tenho 80 anos. Meu desejo, se eu pudesse era descansar com minha namorada, com minha Janjinha. Mas não vou deixar a extrema direita voltar. Eu não vou largar esse país na mão dessa gente”, completou.


