O grego Aristóteles Onassis fez fortuna comprando navios velhos durante a Segunda Guerra Mundial, apostando na retomada do comércio internacional quando o conflito terminasse. (Foto: EFE)
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“O senhor é otimista ou pessimista?” Essa pergunta foi feita por um jornalista a um rico empresário brasileiro, ao que este respondeu: “Eu prefiro ser otimista; não conheço pessimista bem-sucedido”.
A conversa prosseguiu e o empresário justificou sua resposta dizendo que o pessimista só vê os problemas e os defeitos do país, e não enxerga as oportunidades. Aquilo me incomodou, pois os economistas especializados em macroeconomia – área que trata das grandes questões nacionais – têm motivos de sobra para críticas e pessimismo.
Pobreza, miséria, violência, corrupção, carências sociais, baixo crescimento econômico, impostos elevados, baixa confiança nas instituições, enfim, os problemas e as coisas negativas são muitas, dificultam o desenvolvimento e justificam o pessimismo.
Ao analisar o mundo, a lista de problemas não é muito diferente, ainda que varie de país para país. Assim, os motivos do pessimismo são abundantes. De certa forma, a indignação perante os males e os problemas que assolam o mundo é o combustível que leva à reação e à busca de solução.
Ser eternamente pessimista ou eternamente otimista são duas formas de ser irracional. O mundo não é somente bom ou somente mau
Mas, ao lado dos males e dos vícios, o mundo está cheio de coisas boas e bonitas, e as oportunidades de investir, produzir e realizar sonhos são muitas – até porque, de alguma forma, a humanidade tem de produzir o suficiente para alimentar 8,3 bilhões de bocas.
Olhando o Brasil, temos 213,5 milhões de bocas que precisam ser alimentadas e um elenco de problemas sociais a serem resolvidos para reduzir a pobreza e diminuir os problemas sociais. Assim, diria um otimista, é preciso focar nas virtudes, nas coisas boas e em tudo o que há por fazer.
Para os otimistas, é justamente pelo fato de país ser pobre e estar carente de muito o que fazer que o Brasil é pleno de oportunidades à espera de alguém com disposição para sonhar, arriscar, investir, produzir e servir à população e prosperar no campo pessoal.
Já o pessimista poderia argumentar que criar empresas no Brasil não vale a pena; afinal, 6 em cada 10 empresas fecham as portas antes de completar cinco anos de atividade, de acordo com dados oficiais da pesquisa de Demografia das Empresas do IBGE.
Algo difícil de mensurar, mas possível de imaginar, é o quanto o país perde em iniciativas abortadas, projetos não executados e investimentos não realizados porque os agentes econômicos, que são pessoas, estão contaminados pelo pessimismo e descrença no país. E o governo colabora para agravar esse quadro.
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O pessimismo e a descrença não surgem do nada; pelo contrário, são emoções negativas que derivam da bagunça moral e jurídica, das regras instáveis e ruins, da falta de previsibilidade e dos riscos de investir que impedem o país de resolver seus problemas e crescer.
De qualquer forma, tanto na vida familiar como nas relações sociais, para quem dirige seu foco apenas aos defeitos e às coisas ruins, como um pessimista que não vê virtude e oportunidade em nada, a vida é uma eterna desesperança e um eterno desistir de sonhos e de projetos.
Ser eternamente pessimista ou eternamente otimista são duas formas de ser irracional. O mundo não é somente bom ou somente mau. No caso do mundo dos negócios, as oportunidades existem onde houver alguma necessidade não atendida ou algum problema a ser resolvido.
O empreendedor é alguém que transforma uma ideia em um negócio após descobrir uma oportunidade. Bem ou mal, o país tem de produzir, o que requer planejar, mobilizar os fatores de produção, empregar pessoas e administrar o processo econômico. Insisto: mesmo no caos, há sempre algo a produzir.
Eu gosto de ler sobre a trajetória de grandes empreendedores e investidores de sucesso. É uma enorme fonte de aprendizado. Por exemplo, Nathan Mayer Rothschild (1777-1836), empresário e banqueiro britânico-alemão, dizia: “o melhor momento para investir é quando o sangue está correndo nas ruas”.
Nem otimismo ingênuo nem pessimismo trágico: a postura adequada é adotar o otimismo racional e a crença de que as oportunidades existem
Aristóteles Onassis (1906-1975) foi um grego que fez fortuna comprando navios velhos parados nos portos durante a Segunda Guerra Mundial. Perguntado sobre sua lógica, ele disse: “A guerra acabará ou o mundo acabará. Se o mundo acabar, morrerei eu e meus credores, e aí nada importa. Se a guerra acabar, o comércio explodirá e o mundo precisará de meus navios”.
Em 1.º de setembro de 1939, Hitler invadiu a Polônia, o pânico se instalou e os investidores correram para vender suas ações. No geral, a bolsa perdeu metade de seu valor. John Templeton (1912-2008), investidor norte-americano, focou nas perspectivas de longo prazo, comprou ações de empresas selecionadas, a guerra acabou e ele ganhou muito dinheiro.
Esses homens não praticaram um otimismo ingênuo. Eles tinham base intelectual e uma filosofia de investimentos que norteava suas estratégias; mesmo quando o pessimismo era geral, eles foram em frente e tiveram sucesso.
Examinando a história e vendo o pessimismo sobre o Brasil, cabe descobrir onde estão as oportunidades, porque elas existem. Nem otimismo ingênuo nem pessimismo trágico: a postura adequada é adotar o otimismo racional e a crença de que as oportunidades existem. O desafio é distinguir entre uma coisa e outra.
Conteúdo editado por: Marcio Antonio Campos
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