O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino utilizou suas redes sociais, nesta quinta-feira (30), para fazer um alerta sobre o avanço do “totalitarismo” e as “trapaças” contra o Judiciário. O posicionamento ocorre em meio a um cenário de crescente tensão diplomática entre o Brasil e o governo de Donald Trump.
Ao impor o novo tarifaço, os EUA fizeram críticas diretas à atuação do Judiciário brasileiro. Como parte de sua “contribuição à reflexão coletiva”, Dino compartilhou uma notícia sobre a baixa aprovação da Suprema Corte americana, que atingiu seu menor nível em 26 anos.
Ele sugere que a polarização e o totalitarismo são os verdadeiros vetores da “suposta crise institucional” que acomete o Judiciário, e não falhas intrínsecas das cortes. “No debate ‘polarizado’, os adeptos do totalitarismo usam de modo oportunista problemas reais, que evidentemente devem ser corrigidos”, disse.
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“Parece-me que alguns teóricos têm esquecido de debater sobre o totalitarismo e os tempos ‘polarizados’ como vetores da suposta ‘crise institucional’ que acometeria o Poder Judiciário. Ou seja, miram em acessórios e escondem o principal, não sei bem por quais motivos (espero que republicanos)”, acrescentou.
No Brasil, a pesquisa Futura/Apex, divulgada no último dia 14, mostrou que 52,3% dos entrevistados desaprovam a atuação da Corte, 35% aprovam e outros 11,8% não souberam responder.
O ministro já havia dito, na semana passada, que o totalitarismo se caracteriza pela “negação absoluta do reino da liberdade” e pela busca do domínio total da sociedade por meio de “realidades paralelas” e “manipulações de medos”.
“Assim, há mais uma face do totalitarismo: a trapaça. Os trapaceiros odeiam regras, por isso agridem as instituições e sempre querem impor as suas vontades com gritos ou punições à margem do Direito”, disse Dino no post feito há cinco dias.
Ele enfatizou que o Poder Judiciário é o responsável por impor limites aos poderes estatais e privados, inclusive estrangeiros.
“Em consequência, um bom Tribunal estabelece fronteiras intransponíveis para os totalitários e trapaceiros. Isso é um dever constitucional, logo a omissão não é uma escolha legítima. O silêncio diante de abusadores ou seus representantes é uma trapaça. É inconstitucional”, afirmou.
Entre as justificativas para manter o estado de emergência contra o Brasil, o governo Trump citou o que classificou como “censura” em decisões do STF.
“Determinadas atividades, como a censura e a prisão, por parte da Suprema Corte do Brasil, de indivíduos que exercem a liberdade de expressão, bem como a censura de conteúdo online, continuam a representar uma ameaça incomum e extraordinária — originada total ou substancialmente fora dos Estados Unidos — à segurança nacional, à política externa e à economia dos Estados Unidos”, disse a Casa Branca.
Metodologia da pesquisa Futura/Apex
A pesquisa Futura/Apex ouviu 2.000 pessoas entre os dias 7 e 11 de julho. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, para mais ou para menos. O índice de confiança é de 95%. Registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o nº BR-07294/2026.
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