Foi com um susto que o ex-prefeito do Recife e candidato do PSB ao governo de Pernambuco, João Campos, recebeu o resultado da nova pesquisa Genial/Quaest sobre a intenção de voto dos eleitores do estado divulgada nesta semana. Ao menos, foi o que contaram à reportagem da Gazeta do Povo correligionários do pernambucano do PSB em São Paulo.
Tendo ficado numericamente à frente da atual governadora em busca de reeleição, Raquel Lyra (PSD), nas sondagens anteriores na mesma série histórica do instituto, Campos foi ultrapassado pela primeira vez pela adversária, a pouco menos de dois meses do pleito.
No principal cenário de primeiro turno testado pela Quaest, Lyra aparece com 43% das intenções de voto, contra 37% do ex-prefeito, em segundo lugar na sondagem. Pela margem de erro da pesquisa, de três pontos percentuais para mais ou para menos, os dois candidatos estão tecnicamente empatados: Raquel Lyra pode ter entre 40% e até 46% das intenções de voto no 1º turno, enquanto João Campos pode ficar entre 34% e 40%.
No cenário de segundo turno testado entre Campos e Lyra, a governadora também passou na frente do ex-prefeito, com 45% contra 39% das intenções de voto. Em abril, Campos liderava com 46% contra 38% de Lyra — naquele mês, a distância entre os dois candidatos no primeiro turno era de oito pontos percentuais a favor de João Campos.
Lyra inverteu intenção de voto ao ultrapassar Campos
Agora, Raquel Lyra aparece com seis pontos de vantagem. Na pesquisa de abril, outros nomes foram testados, como o de Eduardo Moura (Novo), vereador do Recife que tinha 3% no levantamento, mas saiu da disputa para o governo.
Camila Falcão (UP), Ivan Moraes (PSOL) e Renan Hallais (Missão) marcaram 1% cada no mesmo cenário de primeiro turno. Os indecisos chegaram a 11%, e 6% dos entrevistados responderam que vão votar em branco, nulo ou não vão votar.
O levantamento foi encomendado pela Genial Investimentos e ouviu 900 eleitores de 16 anos ou mais entre os dias 22 e 26 de julho. A margem de erro é de 3 pontos percentuais, para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%. A pesquisa sobre a eleição em Pernambuco foi registrada na Justiça Eleitoral sob o número PE-09649/2026.
Aprovação popular de Raquel Lyra cresce em momento-chave para a eleição em Pernambuco
A ultrapassagem de Raquel Lyra, candidata à reeleição, sobre João Campos, ex-prefeito do Recife, acontece no momento em que a aprovação da governadora segue em crescente. Em comparação com a última pesquisa Quaest, em abril, a aprovação dela subiu de 62% para 68%. No mesmo período, a desaprovação da gestão caiu de 35% para 23%.
Os números com o crescimento de Raquel Lyra acenderam um alerta vermelho na campanha de João Campos, que foi aconselhado a reforçar que é o candidato do presidente Lula no estado. Esse ponto também está atrelado à sondagem eleitoral: ao analisar-se detalhadamente os dados da pesquisa, percebe-se que o apoio ao nome de Campos tem derretido inclusive entre eleitores de Lula e do PT.
Neste grupo de eleitores petistas, a vantagem de Campos que era de 35 pontos (65% x 30% de Lyra) e caiu para 22 (56% x 34%). Entre eleitores de esquerda não alinhados ao PT, a ampla vantagem de 42 pontos a favor de João Campos (63% x 21%) sumiu e hoje é de apenas 7 pontos (48% x 41%), comparando os números da Quaest em abril e agora.
Campos e Lula apareceram juntos na noite de quarta-feira (29) em Brasília, na convenção que oficializou o nome de Geraldo Alckmin (PSB) como vice do presidente e candidato à reeleição. O pernambucano também é esperado na convenção nacional do PT, em São Paulo, no dia 2 de agosto.
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Campanha de João Campos vai veicular peças gráficas e vídeos com Lula
Campos deve tentar convencer Lula a subir em seu palanque participar ativamente da campanha do PSB em Pernambuco, o que ainda não está previsto pela campanha do petista. Em outra frente, Campos deve aproveitar o início oficial da campanha, em 16 de agosto, para veicular peças gráficas e vídeos ao lado do presidente, reforçando o vínculo entre os dois.
“A estratégia da governadora mostrou-se, até aqui, mais efetiva porque se apoia na condição de titular do governo, na melhora da avaliação de sua administração e na possibilidade de apresentar investimentos, obras e resultados concretos em diferentes regiões do estado”, afirma o economista e estrategista eleitoral Luis Carlos Burbano Zambrano.
“Ao mesmo tempo, Raquel intensificou presença no interior e fortaleceu a articulação com prefeitos e lideranças municipais. A trajetória dela como ex-prefeita de Caruaru também lhe proporciona uma inserção política territorial que vai além da Região Metropolitana do Recife”, acrescenta o economista.
Apoio ao nome de Campos tem derretido inclusive entre eleitores de Lula e do PT, aponta pesquisa Quaest. (Foto: Ricardo Stuckert/PR)
“João Campos construiu sua candidatura, inicialmente, sobre ativos diferentes: a elevada popularidade alcançada na prefeitura do Recife, sua capacidade de comunicação, a imagem de renovação e o legado político de Miguel Arraes e Eduardo Campos”, afirma Zambrano. “Enquanto Raquel utilizou a estrutura territorial e as entregas do governo para ampliar sua presença no interior, Campos parece ter demorado a estadualizar sua liderança e a construir uma identificação igualmente forte com os eleitores do Agreste, da Zona da Mata e do Sertão.”
Perfil pragmático tem beneficiado Raquel Lyra
Na avaliação de Zambrano, Pernambuco continua sendo um estado amplamente favorável ao presidente Lula, e Raquel Lyra conseguiu crescer sem entrar em confronto com o governo federal, apresentando-se como uma governadora pragmática, capaz de trabalhar em parceria com o presidente e de transformar essa relação institucional em investimentos e entregas para Pernambuco. Isso permitiu que ela atraísse uma parcela de eleitores que apoia Lula, embora não pertença ao mesmo campo partidário.
“A mudança de rota faz sentido porque a Quaest revela uma tendência, não apenas uma oscilação: João Campos caiu de 55% em agosto de 2025 para 42% em abril e 37% agora, enquanto Raquel Lyra saiu de 24% para 34% e chegou a 43%”, destaca para a Gazeta do Povo o cientista político Samuel Oliveira.
“Portanto, João não está apenas sofrendo um problema de comunicação; enfrenta uma adversária que passou a converter entregas, presença estadual e a força da máquina em capital eleitoral”, acrescenta ele.
Na avaliação de Oliveira, reforçar a ligação com Lula faz sentido, pois o presidente tem 55% em Pernambuco, enquanto João Campos registra 37% na última pesquisa Quaest, demonstrando que parte do eleitorado do PT ainda não converteu voto para ele. “Não considero, porém, que tenha sido um erro começar pela própria identidade e pelo legado de Eduardo Campos (pai dele): com ampla vantagem, era razoável construir uma liderança estadual sem parecer simples extensão do Planalto”, diz Oliveira.
Para ele, ainda há um elemento pouco observado: como as demais candidaturas aparecem com apenas 1% cada, uma eleição acirrada não significa necessariamente segundo turno — a forte concentração entre os dois principais nomes pode permitir uma decisão já no primeiro. “O desafio de João Campos, portanto, não é apenas aparecer mais ao lado de Lula, mas impedir que Raquel Lyra continue ficando com os benefícios administrativos da parceria federal enquanto ele permanece apenas com o apoio político formal”, afirma.
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