Aumento de preços não é a causa da inflação, mas a consequência das políticas expansionistas do governo. (Foto: Imagem criada utilizando Google Flow/Gazeta do Povo)
Ouça este conteúdo
Nada melhor para o governo Lula do que atribuir o endividamento dos brasileiros às bets. Você pode gostar ou não gostar delas, e pode evidentemente considerar o jogo um vício imoral. Mas atribuir às apostas on-line o endividamento do brasileiro é comprar um discurso que escolheu um bode expiatório para esconder as consequências econômicas das ações do governo federal.
Em 1997, Roberto Campos deu uma entrevista ao famoso Roda Viva, da TV Cultura, e expôs o que o governo não queria que ninguém soubesse: a inflação não era culpa do empresário que aumentava os preços. Durante anos, houve um esforço para fazer parecer que a hiperinflação era culpa do setor privado. Havia os fiscais do Sarney; havia a Sunab, que fiscalizava os preços; havia o Procon. Tudo para “proteger” o consumidor dos aumentos de preço. Mas a verdade é que o aumento não nascia nas gôndolas dos supermercados: era consequência da política econômica e monetária, e vinha de Brasília.
O aumento de preços não nasce nas gôndolas dos supermercados: é consequência da política econômica e monetária
Enquanto a população achasse que os preços crescentes eram culpa do dono da padaria ou do supermercadista, do dono do posto de combustível e da revenda de automóveis, o verdadeiro culpado saía ileso. Era preciso fazer o brasileiro crer que o vilão era a maquina de etiquetar preços, na mão dos empresários, e não a impressora da Casa da Moeda, que jorrava notas para cobrir o déficit do governo, desvalorizando a moeda no bolso dos brasileiros.
Pois há um fenômeno parecido quando olhamos o endividamento do brasileiro. Em pesquisa recente da Quaest, apenas 11% dos entrevistados responderam que a renda cresceu mais que o custo de vida. Para 58%, a renda não cresceu ou cresceu menos que o custo de vida. Ou seja: há uma disparada do custo de vida. De onde ela vem?
Talvez da sanha arrecadatória de Fernando Haddad e Lula. A Gazeta já mostrou que o governo Lula já criou impostos ou aumentou impostos 24 vezes desde 2023. Há uma surpresinha para os brasileiros a cada 37 dias. Qualquer pessoa com QI suficiente para descascar uma laranja sabe que o aumento da carga tributária será refletido nos preços – e isso impacta o custo de vida e o endividamento dos brasileiros.
VEJA TAMBÉM:
A FGV aponta que temos hoje a carga tributária mais alta da série histórica (acompanhada desde 1990). O povo paga a gastança do governo, e sofre para arcar com suas despesas pessoais. O pior? O gasto público só cresce. Mesmo com novas receitas, Lula endivida o Brasil cada vez mais. A Gazeta já mostrou que “quando Haddad assumiu a Fazenda, em 2023, o Banco Central apontava a dívida bruta do governo em 71,7% do PIB. (…) as projeções do Tesouro Nacional para 2026 apontam para o patamar de 81,7% do PIB”.
O governo federal, pelo tamanho de sua dívida e pelo alto risco de calote, toma crédito a juros altíssimos, arrastando as taxas de juro para cima – encarecendo o crédito para empresas e cidadãos. O brasileiro paga juros cada vez maiores, o que contribui para a dificuldade de quitar dívidas; elas se arrastam no tempo e se somam, aumentando o endividamento da população.
Ou seja, enquanto houver cada vez mais gastos do governo, a vida do brasileiro ficará cada vez mais cara. E o povo, sem alternativa, recorrerá ao endividamento para sobreviver.
Enquanto houver cada vez mais gastos do governo, a vida do brasileiro ficará cada vez mais cara
De quebra, a falta de produtividade da economia brasileira não deixa a renda subir. Adivinhe quem é o principal culpado? Infraestrutura insuficiente e logística cara tiram competitividade dos nossos produtos. Educação pública ruim diminui a produtividade do trabalho. Normas trabalhistas inadequadas aumentam o custo do trabalho sem aumentar a renda do trabalhador. Ou seja: o governo está na raiz da baixa produtividade.
Resultado? Povo endividado. Culpado? O principal culpado é o governo federal e seu misto de gasto público desordenado, endividamento, juros altos, impostos altos e baixa produtividade.
Para Lula, nada melhor do que culpar as bets pelo endividamento. Sim, há muitas pessoas viciadas, e muitos que acreditam que vão resolver seus problemas se ganharem uma “bolada” com um palpite certeiro. Seguramente esse tema merece ser tratado no país. Mas jogar a culpa do endividamento só nas bets é livrar de responsabilidade o governo federal por um fato que decorre diretamente das políticas adotadas em tantos anos de administração petista: o povo já não consegue pagar suas despesas sem se endividar. Para quem esperava picanha, restou a prestação do empréstimo.
Conteúdo editado por: Marcio Antonio Campos
Encontrou algo errado na matéria?
Comunique erros
Use este espaço apenas para a comunicação de erros


