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PL acelera acordos para sustentar candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro

A poucos dias do encerramento das convenções partidárias, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) concentra esforços para fechar os últimos acordos que definirão os palanques estaduais de sua candidatura presidencial. O principal desafio está em Minas Gerais, onde o partido talvez precise reorganizar sua estratégia após o Republicanos sinalizar, nesta quarta-feira (29), que o senador Cleitinho Azevedo não disputará o governo do estado.

O impasse instalado entre o senador e o Republicanos pode encerrar meses de negociações entre a legenda e o PL em torno da candidatura do parlamentar, apontado por dirigentes de ambas as siglas como o nome preferencial para liderar o palanque de Flávio no segundo maior colégio eleitoral do país.

O cenário, no entanto, segue indefinido. Ainda na noite de quarta-feira, Cleitinho reafirmou sua intenção de concorrer ao Palácio Tiradentes. Segundo o senador, o anúncio de sua pré-candidatura segue dentro do cronograma já acertado com o partido, que teria sido informado de sua decisão antes mesmo da convenção estadual, realizada no sábado (25).

Por outro lado, em nota, a legenda de Cleitinho atribuiu ao próprio senador o fracasso das articulações, afirmando que ele nunca assumiu de forma definitiva o compromisso de disputar o Palácio Tiradentes.

A nota foi divulgada pelo Republicanos um dia depois de uma reunião, em Brasília, entre integrantes da coordenação da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro e dirigentes do PL mineiro. Participaram do encontro o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial, o presidente estadual do PL, deputado Zé Vitor, o pré-candidato ao Senado Domingos Sávio (Republicanos), o presidente licenciado da Fiemg, Flávio Roscoe, e o ex-deputado federal Marcelo Aro (PP).

Por telefone, o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, afirmou aos participantes do encontro que a indefinição de Cleitinho se prolongou além do razoável e concordou com a necessidade de uma definição imediata. A Gazeta do Povo procurou a assessoria do senador mineiro para questionar sobre a nota divulgada pela Executiva nacional do partido, mas não obteve respostas até a publicação desta matéria.

Com a possibilidade de saída de Cleitinho do cenário, a tendência é que o Republicanos passe a apoiar uma eventual candidatura de Marcelo Aro ao governo de Minas. Enquanto aguardavam a decisão do senador, União Brasil e PP já articulavam a migração de Aro, hoje pré-candidato ao Senado, para a disputa pelo Executivo estadual. A convenção da Federação União Progressista está marcada para a próxima segunda-feira (3).

Além de consolidar um novo palanque para Flávio Bolsonaro, a entrada de Marcelo Aro na disputa enfraquece a estratégia do governador em exercício Mateus Simões (PSD), que contava com o ex-deputado como candidato ao Senado em sua chapa. A indefinição em Minas também está ligada às negociações nacionais entre PL e Republicanos.

As duas siglas discutem a possibilidade de o Republicanos indicar o candidato a vice na chapa presidencial de Flávio Bolsonaro. O mesmo entendimento interfere nas articulações em Sergipe.

O PL ainda não definiu seu palanque no estado e negocia uma composição que depende de um acordo com o Republicanos, que pretende lançar Valmir de Francisquinho ao governo. Integrantes das duas legendas que participam das negociações afirmam que o desfecho deve ocorrer após a conclusão das conversas nacionais sobre a composição da chapa presidencial.

Antes das conversas entre as cúpulas nacionais dos dois partidos, o diretório do PL em Sergipe mantinha tratativas com as candidaturas de Ricardo Marques (União Brasil) ao governo e do deputado Rodrigo Valadares (PL) ao Senado.

Onde o PL já definiu os palanques estaduais 

Apesar das indefinições em Minas e em Sergipe, o PL já consolidou boa parte dos palanques estaduais que darão sustentação à candidatura de Flávio Bolsonaro. A estratégia da legenda combina candidaturas próprias em estados considerados estratégicos com alianças regionais firmadas com partidos do Centrão e da centro-direita. 

O partido terá candidatos próprios em ao menos nove estados. Veja abaixo: 

  • Rio de Janeiro: Douglas Ruas; 
  • Rio Grande do Norte: Álvaro Dias; 
  • Santa Catarina: governador Jorginho Mello; 
  • Rio Grande do Sul: deputado federal Luciano Zucco; 
  • Rondônia: senador Marcos Rogério; 
  • Roraima: Arthur Henrique; 
  • Mato Grosso: senador Wellington Fagundes; 
  • Paraná: senador Sergio Moro; 
  • Paraíba: senador Efraim Filho. 

O palanque da Paraíba, inclusive, é visto pela cúpula do PL como um dos principais palanques de Flávio no Nordeste. O partido viabilizou a candidatura do senador Efraim Filho ao governo estadual e a do ex-ministro da Saúde Marcelo Queiroga ao Senado. 

Efraim deixou o União Brasil e se filiou ao PL em março, em evento que contou com a presença de Flávio Bolsonaro. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro também participou das articulações para consolidar a aliança. 

Durante o ato de filiação, ela defendeu a composição como parte do projeto nacional do partido. “A Paraíba vai mudar a sua história com Efraim no governo do estado e com Marcelo Queiroga senador. Precisamos de vocês, homens que entendem que a política é uma ferramenta de transformação”, afirmou. 

Nos demais estados, o partido optou por apoiar candidatos de legendas aliadas, estratégia adotada para ampliar sua presença regional e fortalecer a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro. Em São Paulo, a legenda estará ao lado do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), um dos principais aliados de Flávio Bolsonaro.

A estratégia se repete no Distrito Federal, com Celina Leão (PP); no Acre, com Mailza Assis (PP); e no Mato Grosso do Sul, com Eduardo Riedel (PSDB). No Mato Grosso, apesar de o PL estadual ter oficializado a candidatura de Wellington Fagundes, existe a possibilidade de recuo, caso a aliança nacional com o Republicanos seja fechada. 

Nesse caso, o palanque de Flávio seria dado pelo atual governador e candidato à reeleição Otaviano Pivetta (Republicanos). No Pará, o PL avançou nas negociações com Daniel Santos (Podemos), enquanto mantém a candidatura do deputado federal Éder Mauro ao Senado.

Apoio ao candidato de Ciro Nogueira provoca crise no PL do Piauí 

Apesar das alianças com outros partidos em diversos estados, a decisão do PL de apoiar a candidatura do ex-prefeito Joel Rodrigues (PP) ao governo do Piauí abriu uma crise interna no diretório estadual da legenda. O acordo, anunciado pela direção do partido, levou à retirada da pré-candidatura do jornalista Toni Rodrigues, que passou a cogitar deixar o PL após afirmar que foi preterido pela própria sigla. 

O presidente estadual do partido, Tiago Junqueira, justificou a aliança com o PP como parte de uma estratégia para unificar a oposição ao governo petista no estado e ampliar as chances do grupo nas eleições. Segundo ele, o acordo também prevê a participação do PL na chapa majoritária, com a disputa de uma das vagas ao Senado. 

“O que tenho buscado desde que assumi o partido é a união. E é isso que precisamos agora para dar uma alternativa ao piauiense”, afirmou Junqueira ao anunciar o apoio à candidatura de Joel Rodrigues. 

A aliança chama atenção por aproximar o PL do grupo liderado pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI), mesmo com a federação formada por PP e União Brasil ainda mantendo posição de neutralidade na disputa presidencial. Nos bastidores, dirigentes do partido avaliam que o fortalecimento do PT no estado pesou mais na decisão do que um eventual alinhamento nacional entre as siglas. 

Preterido pela direção estadual, Toni Rodrigues alegou que recebeu a decisão “com serenidade e respeito”, mas afirmou que foi orientado a avaliar sua permanência no partido. “Também me foi recomendado que eu avaliasse minha desfiliação. Essa possibilidade está sendo analisada com responsabilidade e serenidade”, declarou.

PL fecha acordos estaduais sem garantir palanques para Flávio 

Apesar de ter avançado na montagem dos palanques estaduais, o PL ainda não assegurou que todos os candidatos apoiados pelo partido farão campanha para Flávio Bolsonaro. Em alguns estados, as alianças foram construídas com foco nas disputas locais e reúnem lideranças ligadas a partidos que mantêm neutralidade ou apoiam outros projetos para a Presidência. 

No Maranhão, por exemplo, o partido sinalizou apoio ao ex-prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD). O pré-candidato, no entanto, tenta se distanciar da disputa presidencial e sinalizou que não deve abrir espaço para Flávio Bolsonaro no estado. O mesmo cenário acontece em Pernambuco, onde o diretório do PL apoia a tentativa de reeleição da governadora Raquel Lyra (PSD). 

Na Bahia, o PL decidiu integrar a chapa liderada pelo ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil), que disputará o governo estadual, enquanto o presidente estadual do partido, João Roma, será candidato ao Senado. Havia expectativa de que ACM Neto declarasse apoio a Flávio Bolsonaro, mas o ex-prefeito já sinalizou que ficará ao lado do governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), na disputa pelo Palácio do Planalto. 

“Tenho uma relação histórica com Caiado, de mais de 25 anos de amizade, o que nos aproxima, o que torna muito difícil não estar com ele”, afirmou. 

No Ceará, o cenário é semelhante. O PL, presidido pelo deputado André Fernandes, fechou acordo para apoiar a candidatura de Ciro Gomes (PSDB) ao governo estadual

A aliança foi, inclusive, o estopim da crise pública entre Michelle e Flávio Bolsonaro nas últimas semanas, após a divulgação de um vídeo pela ex-primeira-dama criticando a aproximação com o ex-ministro. Apesar do apoio do PL cearense, Ciro já indicou que não fará campanha para Flávio e mantém diálogo com outros presidenciáveis, entre eles Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado. 

Ao justificar o acordo, André Fernandes afirmou que o entendimento nunca envolveu apoio à candidatura presidencial do PL. “Nunca teve esse acordo de ele votar em Flávio Bolsonaro, nunca teve. O nosso acordo é aqui no Ceará para derrotar o PT”, disse. 

Para o analista político Arcênio Rodrigues da Silva, mestre em Direito com especialização em Direito Constitucional, o PL fez uma opção pragmática ao priorizar candidaturas competitivas nos estados, ainda que isso implique abrir espaço para aliados que apoiem outros presidenciáveis. 

“Hoje, os partidos convivem com uma lógica mais descentralizada. Em muitos estados, a prioridade é derrotar adversários locais ou fortalecer a bancada, e não necessariamente reproduzir a aliança nacional. Isso explica por que um mesmo palanque pode reunir lideranças com projetos diferentes para a Presidência”, avalia. 

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