Na disputa pelo governo de Pernambuco, o ex-prefeito do Recife, João Campos, cola sua imagem à do presidente Lula para vencer a governadora Raquel Lyra (PSD). Os dois aparecem tecnicamente empatados em algumas pesquisas.
No entanto, ele nem sempre esteve com o PT. Em 2014, aos 20 anos e ainda sem uma carreira na política, João deu “continuidade” ao projeto político do pai, Eduardo Campos. João fez campanha pela derrota da então presidente e candidata à reeleição, Dilma Rousseff, a candidata de Lula.
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Na época, ele leu em um ato no Recife uma carta da família declarando apoio a Aécio Neves (PSDB) no segundo turno do pleito daquele ano.
“Hoje, temos duas possibilidades: continuar como estamos ou trilhar um caminho de mudança. O Brasil pede mudanças. O governo que aí está tornou-se incapaz de realizá-las. Continuamos acreditando nos mesmos valores, continuamos com os mesmos sonhos”, disse João na época.
Vivendo o luto
Era um momento delicado para o jovem político. Ele havia acabado de perder o pai no desastre aéreo que marcou a história do país. Anos depois, no programa Roda Viva, João relembrou o episódio e afirmou que, não fosse a tragédia, Eduardo Campos teria sido eleito presidente naquele ano. “O país teria sido diferente”, ponderou.
Sobre as divergências do passado com o PT, João considera o tema superado. Ele cita como exemplo a aliança de 2022, quando Geraldo Alckmin (PSB) foi vice-presidente na chapa vitoriosa de Lula e com massivo apoio do PSB.
Em 2026, os jingles de João Campos exploram uma amizade com Lula que atravessa gerações, remontando ao avô, Miguel Arraes, e passando pelo pai, Eduardo. “Meu avô foi amigo dele, meu pai foi amigo dele e eu, modéstia à parte, me considero amigo dele”, diz o candidato, sorridente.
Proximidade
A propaganda destaca obras em conjunto e até momentos de intimidade, como a troca de presentes entre os dois. Lula, de fato, procurou se aproximar de João Campos em diversos momentos. Os dois conversaram sobre redes sociais e internet em 2025, em uma época de dificuldade da comunicação presidencial.
Como resultado, o governo federal puxou a então responsável pelas redes sociais do prefeito de Recife, Mariah Queiroz Costa Silva, para ser a estrategista das redes da presidência da República, que foi nomeada para fazer parte da Secretaria de Comunicação (Secom) assim que Sidônio Palmeira assumiu a pasta. Campos é um dos políticos do país mais influentes nas redes sociais, com 3 milhões de seguidores apenas no Instagram.
Lula também favoreceu Campos em um acordo entre a Advocacia-Geral da União (AGU) e a prefeitura de Recife, que liberou um valor milionário para a educação municipal.


