Sob a presidência de Ronald Reagan, os americanos entenderam o comunismo pelo que ele era. Sabíamos que não se tratava de um ambicioso programa social ou de uma alternativa compassiva ao capitalismo. Todos sabiam – sem dúvida alguma – que ele esmagava a fé, confiscava propriedades, silenciava a dissidência e transformava os cidadãos em súditos do Estado.
Então o Muro de Berlim caiu e a União Soviética entrou em colapso. Derrotamos os comunistas de forma tão completa que as gerações seguintes de americanos jamais testemunharam suas atrocidades. Nunca viram as filas para receber pão nem testemunharam famílias arriscando suas vidas para escapar dos regimes. Herdaram a liberdade sem aprender o que era necessário para preservá-la.
O comunismo não está voltando porque alguma vez foi bem-sucedido. Ele está retornando porque os americanos se esqueceram dos motivos de seu fracasso. Agora, seus defensores estão desfilando em um tapete vermelho estendido pelo Partido Democrata.
Eles preferem se esconder atrás do rótulo de “socialismo democrático”, mas sua própria agenda desmascara essa farsa. Os Socialistas Democráticos da América (DSA, na sigla em inglês) declaram abertamente que o capitalismo precisa ser substituído. Eles querem abolir o Senado e aumentar o número de juízes da Suprema Corte. Querem eliminar prisões e a polícia, e defende a nacionalização das principais indústrias e o controle burocrático da economia.
A questão é se os Estados Unidos permanecerão uma república constitucional construída em torno da dignidade e dos direitos do indivíduo ou se tornarão um país onde a liberdade pessoal só sobrevive com a permissão do Estado
Democratas “razoáveis” não podem mais descartar isso como um punhado de radicais universitários distribuindo panfletos. A DSA contabilizou quase 90 campanhas apoiadas em 2026, incluindo mais de uma dúzia de candidatos ao Congresso. Ela treina organizações de campanha e coordena membros eleitos por meio de redes de “Socialistas no Poder”. Esta é uma operação política com um objetivo nacional.
O comunista moderno não começa exigindo que os americanos renunciem a todas as suas liberdades de uma só vez. Jamais permitiríamos isso. O movimento avança uma dependência de cada vez e esconde o controle totalitário por trás de promessas de acessibilidade.
Primeiro vêm os congelamentos de aluguel. Quando as construtoras param de investir e os proprietários não conseguem manter seus imóveis, os políticos culpam o mercado e exigem moradia popular. Supermercados estatais acompanham a alta dos preços dos alimentos. Programas governamentais universais colocam a vida familiar sob controle político. Cada promessa parece limitada, mas os socialistas respondem a todas as necessidades humanas com a mesma resposta: mais governo.
Essa é a armadilha. Quando o Estado se torna seu senhorio, fornecedor, seguradora, empregador e meio de transporte, a discordância se transforma em sedição. O poder político não se limita mais às leis e aos impostos. Ele crava suas garras nas necessidades da vida cotidiana.
Os Estados Unidos foram fundados na ideia oposta. Nossos direitos não vêm de um Poder Legislativo ou de uma agência burocrática. Eles vêm de Deus. O governo existe para proteger esses direitos, não para criá-los. Essa distinção é o que separa um cidadão de um súdito.
Um governo que concede direitos pode impor condições a eles. Um governo que fornece todas as necessidades básicas pode racionar o acesso a elas. Um governo poderoso o suficiente para prometer tudo é poderoso o suficiente para tomar qualquer coisa.
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Por isso, essa luta é muito mais séria do que mais uma discussão sobre alíquotas de impostos ou o tamanho de um programa federal. A questão é se os Estados Unidos permanecerão uma república constitucional construída em torno da dignidade e dos direitos do indivíduo ou se tornarão um país onde a liberdade pessoal só sobrevive com a permissão do Estado.
Durante a Guerra Fria, republicanos e democratas entendiam o que estava em jogo. Discordávamos internamente, mas ambos os partidos sabiam que o comunismo era o inimigo da liberdade. Hoje, os candidatos democratas buscam o apoio de uma organização que rejeita o capitalismo e trata pilares centrais da Constituição como obstáculos. O Partido Democrata não tem interesse em deter esse movimento. Ele está se tornando seu veículo.
Os americanos devem prestar muita atenção a esses candidatos socialistas que prometem serviços gratuitos e insistem que todo o resto é alarmismo. A promessa é propaganda. Por trás dela, esconde-se uma filosofia de governo que vê a propriedade privada como exploração e os direitos individuais como um obstáculo ao poder coletivo.
Vencemos a Guerra Fria militar e geopoliticamente, mas perdemos a batalha para preservar suas lições. Esse fracasso permitiu que uma ideologia marcada pela pobreza, repressão e mortes em massa retornasse, ostentando um broche de campanha e falando a linguagem da compaixão. A Guerra Fria nunca acabou. Ela apenas chegou em casa. E, desta vez, o campo de batalha são as urnas.
Lisa McClain é presidente da Conferência Republicana da Câmara e representa o 9º distrito de Michigan na Câmara dos Representantes dos EUA. Ela também integra a Comissão de Serviços Financeiros e a Comissão de Educação e Trabalho da Câmara.
©2026 The Daily Signal. Publicado com permissão. Original em inglês: The Cold War Never Ended. It Just Came Home.


