O presidente da Argentina, Javier Milei, inicia uma agenda regional nesta semana, com uma passagem pelo Brasil, onde participará da convenção nacional do PL, que tornará o senador Flávio Bolsonaro oficialmente candidato à Presidência da República.
Além de marcar presença e discursar no evento partidário da oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Milei discutirá assuntos de interesse comum com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e com o prefeito da capital do estado, Ricardo Nunes, entre outras figuras de destaque da direita brasileira. O giro pela capital paulista demonstra o foco do argentino em fortalecer as bases da direita regional em um momento de vitórias conservadoras na região.
A visita de Javier Milei ao país é vista, principalmente, como uma chancela à candidatura do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, dando um peso internacional à campanha de Flávio. No mês passado, ele se reuniu com o senador em Buenos Aires, ocasião na qual afirmou que “a onda azul [referência ao avanço da direita] está chegando ao Brasil”.
Ao mesmo tempo, Milei fortalece sua liderança regional como um porta-voz da direita internacional.
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Milei inova na estratégia política ao se encontrar com lideranças estaduais
Para Márcio Coimbra, CEO da Casa Política, chama a atenção a estratégia usada pelo presidente Javier Milei de se reunir com lideranças estaduais no Brasil.
Segundo o analista político, esse movimento sinaliza uma reconfiguração na dinâmica das relações regionais, na qual a legitimidade e a interlocução internacional passam a ser construídas também a partir do diálogo direto com governos subnacionais e amplos setores da sociedade civil.
“Ao estabelecer canais de comunicação com lideranças de estados economicamente estratégicos e com a representação política conservadora, a gestão argentina propõe um modelo de integração regional alternativo, fundamentado na convergência em torno do livre mercado e da desburocratização, o que confere uma nova pluralidade aos debates sobre o desenvolvimento e a cooperação na América do Sul”, afirma.
Outro ponto de destaque é que os encontros com outras lideranças da direita, além de Flávio, foram confirmados após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF),impedir uma visita de Milei ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Com isso, o líder argentino passou a buscar outras formas de impulsionar a base política do principal nome da direita que pode concorrer com Lula em outubro.
Ao ser recebido por Tarcísio, no sábado, Milei será condecorado com a mais alta honraria do estado, a Ordem do Ipiranga. Desta forma, o governador aliado de Flávio Bolsonaro atua como o anfitrião ideológico do político estrangeiro.
Os encontros com o governador e prefeito de São Paulo também fortalecem as agendas econômicas liberais defendidas pela Argentina e pelos governantes de São Paulo, que são focadas no estímulo ao capital privado.
“Assim, a visita do presidente argentino não apenas consolida sua influência no debate público regional, mas também oferece um referencial de viabilidade institucional que fortalece o debate de ideias e a coesão do espectro político conservador no país”, avalia Coimbra.
O fato de Milei não ter previsto qualquer encontro com Lula durante os próximos dias demonstra o caráter ideológico de sua passagem pelo Brasil.


