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Mestres do Universo transforma nostalgia dos anos 80 em aventura divertida

Quem foi criança nos anos 80 dificilmente passou ileso pelo fenômeno Mestres do Universo. No auge da franquia, os bonecos de He-Man movimentavam mais de US$ 400 milhões por ano, chegaram a superar as vendas da Barbie dentro da Mattel e transformaram a marca em um dos maiores sucessos da indústria de brinquedos. Agora, décadas depois, essa nostalgia ganha uma nova tentativa de conquistar o público com o live-action que estreia no Prime Video.

A boa notícia é que o diretor Travis Knight entende exatamente o que tornou a franquia tão querida. Em vez de tentar transformar He-Man em um épico solene ou em uma fantasia excessivamente séria, o filme assume desde o início sua natureza exagerada. Eternia continua sendo um mundo de guerreiros musculosos, vilões caricatos, criaturas improváveis e aventuras grandiosas. E a produção faz questão de rir de tudo isso junto com o espectador, sem jamais parecer envergonhada de sua própria origem. Essa talvez seja sua maior qualidade.

Como observou a crítica de cinema Isabela Boscov, o longa abraça a “galhofa” em vez de fugir dela. Glenn Kenny, do New York Times, faz uma leitura semelhante ao destacar que o humor autoconsciente nunca demonstra desprezo pelo material original, mas funciona como uma maneira de celebrar o universo criado nos anos 80. O resultado é um filme leve, divertido e confortável em sua própria identidade.

Travis Knight também demonstra o mesmo talento visual que já havia apresentado em Kubo e as Cordas Mágicas e Bumblebee. Eternia surge colorida, vibrante e cheia de personalidade, reproduzindo a estética fantástica da animação clássica sem abrir mão de uma produção moderna. Para quem cresceu assistindo ao desenho, a sensação é de finalmente ver aquele universo ganhar vida com o cuidado que sempre mereceu.

O elenco acompanha bem essa proposta. Nicholas Galitzine interpreta um Adam carismático, capaz de alternar humor e heroísmo com naturalidade. Jared Leto surpreende como Esqueleto, entregando um vilão que funciona justamente por aceitar seu exagero. Camila Mendes e Idris Elba também ajudam a construir uma aventura dinâmica, ainda que seus personagens tenham menos espaço para brilhar.

Isso não significa que o roteiro seja particularmente sofisticado. A história existe muito mais como um veículo para conduzir as cenas de ação, as piadas e os reencontros com personagens clássicos do que para desenvolver grandes conflitos dramáticos. Mas essa simplicidade parece deliberada. O filme nunca promete reinventar He-Man nem oferecer uma reflexão profunda sobre seus personagens. Seu objetivo é proporcionar duas horas de entretenimento despretensioso, e dificilmente tenta ser algo diferente disso.

Até por essa escolha, o novo Mestres do Universo funciona melhor quando o espectador aceita embarcar em sua proposta. Quem espera uma releitura sombria ou uma reinvenção radical da franquia provavelmente sairá frustrado. Já quem aceita revisitar Eternia com o mesmo espírito das manhãs de desenho animado encontrará uma aventura divertida, visualmente caprichada e repleta de referências ao material original.

No fim, o live-action acerta justamente por não ter vergonha de suas raízes. Em vez de esconder o lado extravagante da franquia, transforma essa característica em sua principal virtude. É um filme pensado прежде de tudo para os fãs que cresceram acompanhando He-Man, mas que também oferece aventura, humor e fantasia suficientes para divertir uma nova geração de crianças. Sem reinventar a lenda, ele lembra por que esse universo conseguiu conquistar milhões de pessoas há mais de quatro décadas.

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