Ler: apenas mais uma forma de ostentação. (Foto: Pixabay)
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Taí: ler é importante. Um axioma. Praticamente um dogma. Leia. Não importa o quê. Leia muito, leia mais, leia sempre. Todo mundo concorda. Ops. Nem todo mundo. Porque, como acontece em qualquer aparente unanimidade, sempre tem um chato para dizer que não é bem assim. Não é bem assim. Ler é importante para quem tem vocação para leitor. Os demais leem por outro motivo. Por dever, porque se sentem obrigados ou então para ostentar. Sim, ostentar. Porque, acredite se quiser, ler está na moda.
Digo, ler não. Comprar livros. De preferência uma biblioteca-raiz. Comprar e talvez folheá-los, na esperança de absorver aquelas palavras e ideias e histórias por osmose. Ou então ler sem ir além do gostei/não gostei, lido ✓, próximo. Se dizer leitor. O que é bem comum, aliás. Outro dia mesmo a Câmara Brasileira do Livro divulgou uma pesquisa que mostra que 18% dos brasileiros compraram ao menos um livro em 2025. Revirei os olhinhos. Os escritores comemoraram a salvação da lavoura. Agora vai. Mas e se eu disser que a maioria desses livros é de colorir e, se não for, é para enfeitar a estante?
Pose
Tenho birra dessa história de que quem lê é melhor e quem lê muito é melhor ainda. Não é. Algumas das pessoas mais canalhas que tive o desprazer de conhecer na vida eram grandes leitores. Ou se diziam. Ou ainda são. A mim mesmo algumas leituras me fizeram muito mal. Tanto as que li quanto as que menti que li. E não foi por me colocarem para baixo, não. Pelo contrário! As leituras mais nocivas da minha vida foram aquelas que de alguma forma exaltaram minha capacidade de juntar lé com cré. Aquilo que a gente costuma confundir com inteligência. Por causa delas, me tornei uma pessoa pior.
Repara. Quem lê (ou diz que lê) muito, nunca lê de si para si. Precisa mostrar. Exibir as pilhas de livros lidos nas redes sociais. Quem lê (ou diz que lê) muito é arrogante. Já fui. Talvez ainda seja um pouquinho. Quem lê (ou diz que lê) muito geralmente despreza quem não leu. E ainda mais quem não leu aquele autor preferido e obrigatório. Quem lê (ou diz que lê) muito se acha intelectualmente superior. E se ainda fosse apenas intelectualmente… Que nada! É intelectualmente, socialmente, emocionalmente, espiritualmente e moralmente superior. Mas não se preocupe não, porque é tudo pose. Já fiz muito, aliás.
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