Anunciado pela Havan como o maior centro de distribuição da América Latina, o complexo da empresa localizado em Barra Velha (SC) projeta crescer mais 50 mil metros quadrados. A conta que a Havan coloca na mesa para bancar o salto é de R$ 250 milhões.
Localizada no litoral norte catarinense, a cidade foi escolhida pela varejista como coração da sua logística. É de lá que sai tudo o que abastece as megalojas Havan espalhadas pelo país.
Área do grande centro de distribuição da Havan equivale a 35 campos de futebol oficiais.
Do valor total previsto para o investimento empresarial, R$ 150 milhões vão para a compra de um novo transelevador, o equipamento automatizado que armazena e movimenta mercadorias, e outros R$ 100 milhões para a ampliação física do complexo. Com a obra, em andamento desde o início do ano, a área construída passa de 200 mil para 250 mil metros quadrados — cerca de 35 campos de futebol oficiais.
O anúncio foi feito pelo empresário Luciano Hang em visita à cidade nesta semana. Ele percorreu o terreno vizinho ao espaço existente, comprado recentemente pela empresa, que será incorporado à estrutura atual.
É essa aquisição que explica o pulo na metragem e a razão pela qual o dono da Havan trata o centro de distribuição como peça central do negócio. “Ampliar essa estrutura é fundamental para acompanhar o ritmo de crescimento da empresa e seguir oferecendo excelência no atendimento aos nossos clientes”, afirmou Hang.
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O centro de distribuição da Havan separa mais de 15 mil caixas de produtos por hora para abastecer 400 carretas, que saem diariamente rumo às megalojas, um volume que a empresa estima em cerca de um milhão de produtos movimentados por dia.
É para dar conta desse fluxo, sem sufocar a logística, que entra a nova leva de automação. O transelevador de R$ 150 milhões é a peça mais tecnológica do pacote.
O centro de distribuição da Havan, em Barra Velha (SC), movimenta um volume de cerca de um milhão de produtos por dia. (Foto: Divulgação/Havan)
Trata-se de um sistema robótico de armazenagem vertical, capaz de movimentar paletes e caixas em grande altura com velocidade e precisão muito acima do trabalho manual, reduzindo erros e acelerando a separação de pedidos. Com ele, o centro de distribuição da Havan — que Hang classifica como um dos maiores e mais tecnológicos da América Latina — reforça uma estrutura que opera com quilômetros de esteiras e outros transelevadores.
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Outro efeito da obra que a empresa faz questão de destacar é o número de empregos que deve gerar. A ampliação já aumentou as contratações, e a Havan informou ter admitido 300 colaboradores para atuar no local durante esta fase.
A expectativa é que o número suba conforme a estrutura entra em operação. Hang afirma que o centro de distribuição da Havan reúne cerca de 2,5 mil colaboradores diretos e projeta chegar a 3,5 mil ao fim das obras — a conta inclui os motoristas da Transben, empresa responsável pelo transporte de cargas da varejista. Para levar esse contingente ao trabalho, a companhia mantém uma linha de ônibus própria, que passa por Penha, Piçarras, Barra Velha, São João do Itaperiú e Balneário Barra do Sul.
Com a obra, em andamento desde o início do ano, a área construída do centro de distribuição da Havan passa de 200 mil para 250 mil metros quadrados. (Foto: Divulgação/Havan)
Esse peso na economia local ajuda a entender a aposta do empresário na cidade. Hang lembra que, quando a Havan chegou a Barra Velha, há 15 anos, o município tinha cerca de 20 mil habitantes; hoje se aproxima dos 60 mil, no que ele descreve como uma das cidades que mais crescem no Brasil.
“Tenho muito orgulho de ver como essa cidade se desenvolveu nos últimos anos e o quanto a Havan contribuiu com esse crescimento”, disse. Ele também sinalizou que a fase atual não encerra os planos da varejista no município: segundo Hang, uma nova ampliação do complexo está prevista para começar em breve.
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O centro de distribuição é só uma parte no projeto que Hang mede em R$ 2 bilhões. Parte das celebrações dos 40 anos da marca, com previsão ainda para esse ano, é a inauguração da megaloja de número 200 — a expectativa é que seja em Fortaleza, cidade em que, conforme a assessoria de imprensa da Havan, há mais pedidos para abertura da loja.
Até o fim de 2026, a varejista promete saltar das atuais 193 lojas para 203 unidades, que incluem os três últimos estados onde ainda não tem operação — com comércio em Macapá (AP), Boa Vista (RR) e Fortaleza (CE) -, além de novos pontos em Ariquemes (RO), Tramandaí (RS), Caldas Novas (GO), São Miguel do Oeste (SC), Londrina (PR), São José dos Pinhais (PR) e Vila Velha (ES). Nesse compasso, a rede projeta ultrapassar 25 mil colaboradores diretos em todo o país.
Das 193 lojas que a Havan mantém pelo país, a maior parte fica fora das capitais, em um modelo que a rede transformou em seu principal motor de crescimento: priorizar cidades médias e polos regionais para driblar a saturação dos grandes centros. “A Havan sempre teve uma estratégia muito forte de interiorização. Acreditamos que cidades médias têm grande potencial e, muitas vezes, são mercados carentes de opções de compras e lazer”, afirmou Luciano Hang em entrevista à Gazeta do Povo.
Na escolha de cada cidade, ele diz avaliar sobretudo o potencial regional — alcance da loja, localização estratégica, fluxo em rodovias e demanda da comunidade —, além de infraestrutura, acesso e disponibilidade de terreno. “Não buscamos privilégios, mas sim condições para investir com segurança e contribuir com o desenvolvimento local.”
O efeito dessa lógica é concreto: cada nova unidade cria, em média, cerca de 200 empregos diretos, além das oportunidades indiretas, e costuma atrair consumidores de dezenas de municípios ao redor, funcionando como centro de compras e lazer regional. É esse alcance que o mercado enxerga como o verdadeiro trunfo da estratégia.
Para o professor de varejo do MBA da Fundação Getulio Vargas (FGV) e diretor da Canal Vertical, Roberto Kanter, o movimento não é isolado. Ele avalia que a interiorização é híbrida: reflete tanto o crescimento econômico e demográfico de cidades médias quanto a maturidade das capitais, onde custos altos, saturação de oferta e disputa acirrada pelo consumidor pressionam as margens.
“A decisão estratégica não é apenas ‘fugir’ da capital, mas capturar mercados com melhor relação entre custo de operação, potencial de demanda e visibilidade de marca”, analisa. Kanter pondera, porém, que o avanço das grandes redes tem dois aspectos.
Se por um lado gera emprego, amplia a oferta e eleva a concorrência, por outro pressiona os pequenos negócios, com menos fôlego para investir em tecnologia e marketing. “O resultado depende da capacidade de adaptação do comércio local. Mercados mais estruturados tendem a se reorganizar; os menos preparados podem perder participação”, afirma.
Para ele, o modelo se sustenta desde que a expansão siga critérios rígidos: “O risco de saturação surge quando há expansão sem disciplina analítica. O limite não é geográfico, mas estratégico.”
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