Antônio Marcos Oliveira, mais conhecido pelo personagem Beiçola, de A Grande Família. (Foto: Andrea Farias/ Wikipedia)
Ouça este conteúdo
Leio que um homem recorreu à Justiça depois de receber o apelido de Beiçola. (Hihihihihi). Dizendo-se vítima de assédio moral, ele pedia indenização. Aí é dureza. Recorrer à Justiça por causa de apelido? De qualquer modo, o pedido foi julgado improcedente depois que se descobriu que o Beiçola chamava os colegas de “Tartaruga Ninja” (hihihihi) e “Papai Smurf” (hihihihi). Só me pergunto por quê. De qualquer forma: apelidos. Esta é uma crônica sobre apelidos.
Apelidos que estão fora de moda. Me parece. Tantos os jocosos quanto os carinhosos. É que, entre os mais velhos, ninguém quer se arriscar a tomar um processo por chamar o colega de Tetuxo, 220, Bombom de Alho ou Catavento. Já entre os mais novos ouvi dizer que o apelido é visto como uma forma inadmissível de violência verbal. Uma desconstrução indevida da identidade alheia. Essas coisas. Dizem que, além de chata, essa geração aí é toda preocupada com a saúde mental. Boa sorte para ela, aliás.
Cóóóóó
Aqui vale lembrar a todos, inclusive ao Beiçola, se é que ele está lendo esta crônica, que não existe nada pior do que demonstrar irritação com o apelido que nos põem os amigos e os inimigos. Quando o apelido incomoda, incomoda a ponto de você recorrer à Justiça (faça-me o favor!), aí é que ele pega mesmo. Sem falar que o Beiçola talvez tenha sido carinhoso. Um termo de camaradagem. Ou foi um jeito que os caras arranjaram para falar que ele precisava cortar o cabelo, ser menos neurótico ou comer menos pastel. Sei lá.
Tive minha cota de apelidos, claro. Os que dei e os que recebi. Por causa das orelhas de abano, passei boa parte da infância sendo chamado de Dumbo. Às vezes, Asa Delta e Zé Orêia. Por outros talentos também já fui Beijoqueiro. Na faculdade, era o Mito. Dos apelidos que dei, um me salta à memória, mas é um salto lento e pesado, que transborda vergonha e arrependimento: Có. O pobre-diabo entrava na sala-de-aula e a turma toda: cóóóóóóó. O professor de química escrevia CO2 no quadro e o pessoal: cóóóóóó. Que maldade, a minha.
Encontrou algo errado na matéria?
Comunique erros
Use este espaço apenas para a comunicação de erros


