O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia não participar dos debates televisivos do primeiro turno da campanha pela reeleição. A possibilidade ainda é discutida pela cúpula do partido.
A reportagem apurou que a estratégia será definida caso a caso e que o primeiro debate da campanha, promovido pela Band, em 16 de agosto, poderá servir como um teste para as decisões seguintes.
O encontro está marcado para o mesmo dia do lançamento oficial da candidatura de Lula, no Estádio Primeiro de Maio, em São Bernardo do Campo (SP), berço político do petista. O compromisso pode servir de justificativa para uma eventual ausência no debate.
Nos bastidores, integrantes do PT avaliam que Lula seria o principal alvo dos adversários por liderar as pesquisas de intenção de voto para a Presidência.
Na avaliação da campanha, a participação de Lula no debate poderia gerar uma exposição desnecessária.
Regra dos debates
A legislação eleitoral obriga as emissoras a convidar apenas os candidatos cujos partidos ou federações tenham mais de cinco representantes no Congresso Nacional.
Nesse cenário, além de Lula e do pré-candidato do PL, o senador Flávio Bolsonaro, apenas Ronaldo Caiado (União Brasil) e Augusto Cury (Avante) devem ser convidados obrigatoriamente pelas emissoras.
Em 2025, o Supremo Tribunal Federal (STF) definiu que essa regra deve considerar a composição do Congresso resultante das eleições de 2022, sem levar em conta as mudanças de filiação partidária ocorridas durante a legislatura.
Ausência de Lula em debates não é novidade
A possibilidade de um presidente evitar debates durante a campanha de reeleição não é inédita.
Em diferentes eleições, candidatos que lideravam as pesquisas optaram por reduzir a exposição em confrontos televisivos, sob a avaliação de que os riscos superavam os potenciais ganhos eleitorais.
Em 2006, Lula, então candidato à reeleição, não participou dos debates do primeiro turno.
À época, a campanha avaliou que o presidente mantinha vantagem confortável sobre o principal adversário, Geraldo Alckmin (PSB), que hoje é seu vice. Depois de a disputa avançar para o segundo turno, Lula compareceu aos quatro debates realizados entre os finalistas.
O precedente mais conhecido ocorreu em 1998. Na campanha pela reeleição, o então presidente Fernando Henrique Cardoso recusou todos os convites para debates no primeiro turno.
Como a legislação da época exigia a participação de todos os candidatos convidados, e não houve acordo entre as campanhas, diversas emissoras desistiram de promover os encontros.
FHC liderou a corrida durante toda a campanha e foi reeleito no primeiro turno, com 53,06% dos votos válidos.
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