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Barriga de aluguel derruba líder democrata-cristão na Alemanha

Escândalo na Alemanha: o democrata-cristão Jens Spahn renunciou ao cargo de líder da coalizão CDU-CSU no Parlamento após ter recorrido a uma barriga de aluguel para ter um filho. O caso é emblemático de como a coerência política dos cristãos-democratas (não apenas) alemães e sua credibilidade pública estão chegando ao fim da linha.

Spahn vinha enfrentando há cerca de dez dias pedidos de renúncia e acusações de hipocrisia após revelar ter tido um filho com o “marido” Daniel Funke e, com uma audácia que beirava o ridículo, ter utilizado uma mãe de aluguel residente nos Estados Unidos, apesar de ter defendido anteriormente a rigorosa proibição alemã sobre o tema. “Georg é nossa maior alegria. É uma sensação quase impossível de descrever em palavras”, havia declarado ao tabloide Bild.

Posteriormente, seu companheiro publicou no Instagram uma foto do “casal” na qual Spahn empurra um carrinho de bebê, acompanhada pela legenda “We Are Family”. Em 2020, quando Spahn era ministro da Saúde, rejeitou um pedido do Partido Liberal Democrático (FDP) voltado a flexibilizar a proibição da maternidade de substituição na Alemanha.

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Nos termos da lei de 1990 sobre a proteção de embriões, a maternidade de substituição na Alemanha é punível com três anos de reclusão ou multa; por essa razão, Spahn e seu companheiro buscaram uma mãe de aluguel nos Estados Unidos. Na última sexta-feira, o chanceler alemão Friedrich Merz afirmou que a situação jurídica na Alemanha é clara e que não antevê qualquer mudança nem na lei nem na posição da CDU a esse respeito.

No último mês de fevereiro, o congresso da CDU havia reeditado seu apoio à proibição dessa prática em território alemão, a fim de impedir o surgimento de “modelos comerciais ou neutros que transformem a barriga de aluguel em um modelo de negócios”. Pois bem. No sábado, 19 de julho, Spahn divulgou uma pronunciamento muito claro sobre o que pensa hoje a repeito da barriga de aluguel e a meandrice de sua escolha contrária à lei: “Entendi que minha felicidade pessoal, construir uma família com meu marido e me tornar pai, não é compatível com meu cargo político” de líder da bancada, apesar de o fato de criar filhos nascidos no exterior por meio de barriga de aluguel não ser ilegal para os cidadãos alemães.

O caso estourou em um momento delicado para os cristãos-conservadores no governo, que em setembro terão de enfrentar difíceis eleições regionais na Saxônia-Anhalt, em Berlim e em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental. Na Saxônia-Anhalt, o partido de direita Alternativa para a Alemanha (AfD) espera conquistar sua primeira presidência regional. O AfD atinge o patamar de 40-42% nas pesquisas na Saxônia-Anhalt. Em nível nacional, segundo a última pesquisa YouGov, a aliança conservadora CDU/CSU do chanceler Merz cai para 20%, enquanto o apoio ao AfD subiu para 29%. O crescimento do AfD nas intenções de voto é fruto da linguagem clara e das soluções diretas e compreensíveis propostas por este partido, mas também da hipocrisia dos cristãos-democratas alemães. Infelizmente, Spahn não foi o primeiro expoente de destaque dos cristãos-democratas a ficar sob os holofotes por incoerência sobre a proibição da barriga de aluguel: já no último mês de abril, o colega deputado Hendrik Streeck e seu “marido” haviam anunciado o nascimento de um filho obtido com o mesmo método: a brutal exploração materna que leva à condenação do bebê a ser órfão de mãe.

O chanceler Merz, líder da CDU, acolheu a renúncia como uma escolha correta e inevitável, afirmando que a “credibilidade é o bem mais precioso na política”. Na segunda-feira, 20 de julho, o próprio chanceler afirmou que a Alemanha está atravessando uma “crise de confiança na democracia” e poderia inclusive aproveitar a ocasião deste último escândalo para realizar uma reforma em seu gabinete, na tentativa também de estabilizar o partido e reativar a ação do executivo. Os cristãos-democratas são chamados a recuperar essa credibilidade que estão gradualmente perdendo, em consequência da erosão progressiva dos princípios cristãos e conservadores de seus próprios pais fundadores e líderes históricos, de Konrad Adenauer a Helmut Kohl.

© 2026 La Nuova Bussola Quotidiana. Publicado com permissão. Original em italiano: Germania, utero in affitto in casa CDU: Jens Spahn si dimette.

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