Marco Rubio afirmou que o novo tarifaço contra o Brasil é o “preço” pela falta de boa-fé do governo Lula nas negociações com os EUA. (Foto: EFE/EPA/JIM LO SCALZO)
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Em meio às bravatas do presidente Lula sobre a tal “soberania nacional” e uma possível retaliação do Brasil aos Estados Unidos, renovadas após o novo tarifaço de 25% imposto a produtos brasileiros pelo governo Donald Trump, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, fez um alerta providencial a respeito do crescimento do terrorismo de extrema-esquerda pelo mundo afora.
Seu recado, dado na abertura da Reunião Ministerial sobre o Ressurgimento do Terrorismo Político, realizada pelo governo dos EUA em Washington, representou um alento de que o problema – que perdeu espaço na agenda global para o combate ao extremismo islâmico após os ataques às Torres Gêmeas, em 11 de setembro de 2001 – está voltando, enfim, a receber a devida atenção das autoridades.
Embora a tropa de choque da esquerda tenha procurado caracterizar a iniciativa como um “retorno do macarthismo”, em referência à campanha de perseguição a comunistas e supostos comunistas ocorrida nos EUA no início da Guerra Fria, liderada pelo então senador Joseph McCarthy (1908-1957), Rubio traçou um quadro sinistro sobre a nova onda do terrorismo esquerdista que vem assolando o Ocidente.
Trata-se de um cenário que está longe de ser a expressão de mera paranoia política. Pelos contornos que adquiriu, o fenômeno deve preocupar todos os democratas dignos do nome, que não passam pano para as ações dos extremistas de esquerda, sob a justificativa de que são politicamente legítimas, por favorecer “a causa” maior, de minar a sociedade capitalista.
É o que fazem no Brasil o PT e seus aliados, quando se opõem aos projetos para classificar como terroristas grupos que praticam ações violentas, como o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), o MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto) e outras organizações do mesmo naipe, sob a alegação de que “vão criminalizar o movimento social”.
“Por muito tempo, nossa doutrina antiterrorista teve um ponto cego, no que se refere à violência extremista da esquerda. Ainda hoje, a própria ideia de que o terrorismo de extrema-esquerda pode representar uma séria ameaça é tratada como um delírio da direita, ou pior, como uma perigosa conspiração fascista”, disse Rubio no evento, que contou com a presença de delegações de mais de 60 países – sem o Brasil que, apesar de convidado, não quis participar.
“Ela é tratada assim por muitos da imprensa, das nossas universidades e das nossas instituições tradicionais. Vocês poderão constatar isso na própria cobertura jornalística desta conferência, apesar da clara e inegável realidade e apesar dos números objetivos e das estatísticas.”
Visão enviesada
Como também acontece aqui no Brasil, o secretário de Estado americano abordou a visão enviesada que predomina nas abordagens da violência perpetrada pela esquerda e pela direita. Segundo ele, ao mesmo tempo em que procuram suavizar os atos terroristas da esquerda, a mídia, a academia e representantes da chamada sociedade civil argumentam que a única violência política que representa uma verdadeira ameaça ao sistema vem da extrema-direita. Rubio diz que, para esse pessoal, uma bomba detonada por um grupo neonazista é considerada como um ato terrorista, enquanto uma bomba detonada por um revolucionário marxista é vista como “excesso de idealismo”, cujos meios talvez fossem equivocados, mas cujos fins eram “virtuosos e justos”.
Durante a maior parte da era moderna, de acordo com Rubio, o terrorismo de extrema esquerda era a forma dominante de violência política no mundo. Ele lembra das décadas marcadas por sequestros, bombas e execuções promovidos pelos Tupamaros, pelos Montoneros e pelas Farc na América Latina e pelos grupos Baader-Meinhof na Alemanha, Brigadas Vermelhas na Itália e Wheather Underground nos EUA.“Nada disso é novidade. O terrorismo da extrema-esquerda não é uma ficção produzida por políticos conservadores”, disse Rubio no evento. “E hoje nós enfrentamos uma nova onda desse velho mal.”
Nos EUA, conforme os números citados por Rubio, os ataques e tramas terroristas de esquerda subiram para níveis que não eram vistos há décadas. Na Alemanha, a violência de extrema-esquerda saltou em mais de 40% só no ano passado. E, na Grécia, mais de 80% da violência política é promovida por militantes da extrema-esquerda e anarquistas.
Ele mencionou vários casos recentes para reforçar seu diagnóstico, do qual é difícil, de boa fé, discordar. Nos EUA, Rubio cita como exemplo mais emblemático dessa atitude condescendente com os extremistas de esquerda os atentados cometidos no país após a morte do afroamericano George Floyd pela polícia, em 2020.
Rubio afirma que, na época, manifestantes incendiaram e saquearam casas, estabelecimentos comerciais e bens públicos em grandes cidades, mas governantes e procuradores de todo o país se recusaram a processar os responsáveis pelos atos de violência e terror. Ele lembra de “uma imagem infame que se tornou famosa”, na qual um repórter de um telejornal aparecia na frente de uma área que ardia em chamas, enquanto o letreiro na tela dizia que os protestos eram em sua maioria pacíficos.
“Isso foi algo pior do que um duplo padrão. A violência da extrema-esquerda não foi apenas desculpada, mas tratada como sacrossanta, como uma classe protegida em si mesma. Essa era tem de acabar”, disse o secretário americano.
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Franco-atiradores
Ele disse que, nos EUA, tem ocorrido agressões contra agentes de imigração, ataques de franco-atiradores, emboscadas. Citou os casos de um atirador transsexual que atirou contra estudantes de uma escola católica enquanto eles rezavam, de um executivo de uma empresa de seguro-saúde que foi assassinado nas ruas de Nova York e de um ativista conservador que foi morto ao falar para uma plateia formada por estudantes, além das várias tentativas de assassinato do próprio Trump.
Para reforçar sua tese de que se trata de um fenômeno global, Rubio mencionou também o caso da idosa de 80 anos que morreu ao ser queimada por uma bomba incendiária em sua casa na Grécia, porque sua filha “ousou” se candidatar numa eleição. Entre outros casos, cita ainda o atentado cometido contra o sistema de energia elétrica de Berlim, que deixou a cidade no escuro, em pleno inverno, pelo maior período desde a Segunda Guerra Mundial, além do espancamento até a morte de um jovem de 23 anos em Lyon, na França, por um grupo de “ativistas” de extrema-esquerda.
Muitas vezes, segundo ele, os grupos terroristas de extrema-esquerda do Ocidente mantêm ligações com grupos islâmicos apoiados pelo Irã e continuam a manter relações próximas com o regime cubano, como acontecia no passado, o que acaba por dar um caráter internacional à sua atuação.
“Hoje os terroristas podem conseguir dinheiro num país; abrigar suas comunicações em outro; receber treinamento num terceiro; recrutar militantes num quarto; e juntos podem atingir um alvo num quinto”, disse Rubio. “Então, nós não temos escolha a não ser enfrentar esta ameaça juntos. Ou nós atuamos juntos ao longo de nossas fronteiras ou os terroristas continuarão a explorar as lacunas entre elas.”
Ressentimento camuflado
Agora, é quando ele fala sobre as possíveis motivações da extrema-esquerda que Rubio realmente arrasa, no melhor sentido da palavra. Vale a pena reproduzir suas palavras na íntegra: “Este é um mal único e singular. Sempre foi motivado pelo ódio acima de tudo, um ódio pela própria civilização. É uma revolta dos piores contra os melhores, dos fracos e dos covardes contra os fortes e os bons. É perpetrada por aqueles que não podem construir, que não podem criar, que não podem alcançar grandes coisas, e se vingam contra o mundo por suas próprias inadequações procurando destruir aqueles que podem”, afirmou o secretário americano.
“Isto é o que o esquerdismo radical é. Pode usar vários slogans e ideologias diferentes ao longo do tempo e dos lugares. Podem se autodenominar de anticapitalistas, ou de anti-imperialistas, de comunistas, de anarquistas ou de marxistas. Mas o caráter fundamental é sempre o mesmo. É um sentimento venenoso de ressentimento camuflado na linguagem da igualdade, da justiça e da libertação, para naufragar o que é bonito e o que é certo, em benefício de pessoas que são cheias de feiura e não têm mais nada a oferecer ao mundo. Para estes arquitetos da violência revolucionária, a conquista imponente da nossa civilização é uma humilhação insuportável.”
Para enfrentar essa guerra ideológica letal e derrotar o terrorismo da extrema-esquerda, é preciso, de acordo com Rubio, mapear as ameaças e reconstruir a arquitetura antiterrorista, como ocorreu depois dos ataques ao World Trade Center. “É tempo de as pessoas do mundo civilizado se defenderem, de elas se unirem contra esta escuridão invasiva e lutar – lutar pelo que é nosso.”
Como se pode observar, o diagnóstico cirúrgico de Rubio sobre o extremismo de esquerda, bem como seu empenho em buscar uma solução conjunta com os parceiros dos EUA para enfrentá-lo e derrotá-lo, passa longe de uma alegada teoria conspiratória da direita. É um choque de realidade – que seria inimaginável apenas alguns anos atrás – contra a normalização da violência ideológica da extrema-esquerda travestida de “justiça social”.
Para surpresa de zero pessoas, porém, o Brasil de Lula e do PT mais uma vez resolveu se omitir, como já aconteceu com a classificação recente do PCC e do Comando Vermelho como grupos terroristas, em vez de se engajar na empreitada e atender ao chamamento de Rubio, destinado a tornar o mundo mais seguro. Com a aproximação do início oficial da campanha eleitoral, em 16 de agosto, eis aí uma questão que não pode ficar fora do debate.
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