O desempenho da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) na primeira pesquisa sobre a disputa pelo Senado no Distrito Federal reforçou a estratégia da cúpula do PL de convencê-la a disputar uma das duas vagas em jogo. O levantamento do Paraná Pesquisas, divulgado nesta segunda-feira (20), indica Michelle entre as favoritas na corrida e fortalece a avaliação de dirigentes de que sua candidatura é a melhor aposta do partido no Distrito Federal.
No principal cenário testado pelo instituto, Michelle aparece com 36% das intenções de voto, atrás apenas da senadora Leila do Vôlei (PDT), que registra 39,2%. Em terceiro lugar está a deputada federal Erika Kokay (PT), com 28,4%. Também figuram na pesquisa a deputada Bia Kicis (PL), com 18,3%, o deputado federal Rafael Prudente (MDB), com 15,6%, e o desembargador Sebastião Coelho (Novo), que soma 9,8%.
Em um segundo cenário, sem a participação de Bia Kicis, Michelle alcança 37,7% das intenções de voto, enquanto Leila aparece com 40,5% e Erika Kokay, com 29,8%. Rafael Prudente registra 18,1% e Sebastião Coelho, 14,1%. Como a eleição para o Senado é majoritária e cada eleitor pode escolher dois candidatos, os percentuais não totalizam 100%.
Lideranças do PL no DF avaliam que o levantamento confirma o potencial eleitoral da ex-primeira-dama e reforça o argumento de que sua candidatura ampliaria as chances da legenda de conquistar as duas cadeiras em disputa na capital do país. A estratégia do partido é formar uma chapa com Michelle e a deputada federal Bia Kicis, em acordo firmado com a governadora Celina Leão (PP).
Apesar da pressão da direção nacional do partido, Michelle ainda não confirmou se disputará o Senado. Interlocutores afirmam que a decisão será tomada em conjunto com o ex-presidente Jair Bolsonaro antes da convenção do PL, marcada para 5 de agosto.
O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, mantém Michelle como prioridade para a disputa e afirma que a decisão depende apenas dela. “Se ela decidir sair candidata, a vaga é dela”, disse. Segundo o dirigente, a ex-primeira-dama ainda não estabeleceu um prazo para responder, mas uma conversa entre os dois deve acontecer até o final da próxima semana.
Aliados intensificam ofensiva para convencer Michelle
O desempenho de Michelle na pesquisa reforçou o discurso de aliados que defendem sua candidatura ao Senado. Além de Valdemar Costa Neto, a governadora Celina Leão e a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) acreditam que a ex-primeira-dama seja o nome mais competitivo da direita na disputa.
Celina afirmou que tem conversado com Michelle e defendeu que a aliada não desista do projeto político construído nos últimos anos. “Ela não pode desistir de ficar aqui. Quando você faz um trabalho como ela fez no Brasil inteiro, abrindo diretórios de mulheres, tem esse trabalho prestado, ela não pode desistir no meio do caminho”, disse.
A governadora também ressaltou a ligação de Michelle com o Distrito Federal e avaliou que o mandato de senadora permitiria à ex-primeira-dama conciliar a atuação política com as demandas da vida pessoal. “Ela é de Ceilândia, nasceu aqui e tem a chance de trabalhar pela cidade. Com o cargo de senadora, ela teria condição de trabalhar pelo Distrito Federal e ajudar muito o estado”, afirmou.
Na mesma linha, Bia Kicis voltou a tratar Michelle como integrante da chapa do PL ao Senado. “Nossa primeira-dama Michelle Bolsonaro, pré-candidata também ao Senado, junto comigo, nós estamos fechadas com a nossa leoa, Celina Leão”, declarou a deputada.
Embora a prioridade da direção nacional do PL continue sendo a candidatura de Michelle Bolsonaro, a legenda já definiu um plano alternativo caso ela decida não disputar a eleição. Nesse cenário, a vaga na chapa será ocupada pelo senador Izalci Lucas (PL), que tentará a reeleição ao lado de Bia Kicis.
Izalci chegou a buscar uma candidatura ao governo do Distrito Federal, mas desistiu do projeto após o PL fechar apoio à candidatura de Celina. O senador, eleito em 2018 pelo PSDB e atualmente filiado ao PL, passou então a ser a principal alternativa da legenda para o Senado caso Michelle opte por permanecer fora da disputa.
Nos bastidores, aliados de Izalci afirmam que o parlamentar se sentiu preterido durante a definição da chapa majoritária, mas reconhecem que a prioridade do partido sempre foi a ex-primeira-dama. O cenário alternativo também foi testado pelo Paraná Pesquisas.
Sem Michelle Bolsonaro na disputa, Izalci Lucas aparece com 12,5% das intenções de voto, atrás da senadora Leila do Vôlei (41,6%), da deputada Erika Kokay (30,4%), da deputada Bia Kicis (20,5%) e do deputado Rafael Prudente (18,5%).
O Paraná Pesquisas entrevistou 1.500 eleitores no Distrito Federal entre os dias 17 e 19 de julho. A margem de erro é de 2,6 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número DF-01326/2026.
Atrito de Michelle com Flávio expõe divergências no PL
A ofensiva do PL para convencer Michelle a disputar o Senado ocorre em meio a um desgaste recente entre a ex-primeira-dama e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência. No final de junho, Michelle divulgou um vídeo nas redes sociais em que afirmou ter sido maltratada e desrespeitada pelo filho do ex-presidente Jair Bolsonaro durante as discussões sobre a estratégia eleitoral do partido.
O desentendimento teve como pano de fundo a decisão do PL de formar uma aliança com o grupo político de Ciro Gomes (PDT) na disputa pelo governo do Ceará. Nessa composição, o partido de Flávio indicaria o deputado estadual Alcides Fernandes (PL) para o Senado, mas Michelle defendia o nome da vereadora Priscila Costa (PL) para a vaga.
“Em 2026 serão 54 vagas para o Senado Federal. Se aplicarmos a regra dos 30% para candidaturas femininas, teríamos direito a 17 vagas para mulheres no partido. Eu pedi apenas três: Priscila Costa, Carol de Toni e Bia Kicis. Três vagas de 17 que poderíamos ter, e tem sido uma batalha diária manter essas três”, disse Michelle no vídeo.
Após a repercussão do vídeo, Michelle deixou o comando do PL Mulher e indicou a Valdemar Costa Neto que também poderia desistir da disputa ao Senado pelo DF. Na conversa, o presidente do partido teria tentado convencê-la a rever a decisão. “Eu falei: isso é um prejuízo para o partido muito grande. A senhora se elege senadora, fica oito anos, vai aprender, vai ter uma base boa para seguir em frente na política, porque a senhora é nova”, relatou em entrevista à CNN Brasil.
Na última semana, em entrevista ao Flow Podcast, Flávio disse não ter mais nenhuma relação com Michelle Bolsonaro. O parlamentar afirmou não compreender os motivos que levaram a ex-primeira-dama a atacar sua campanha.
“Eu não tenho mais relação com ela, ainda mais agora que eu estou proibido de falar com o meu pai. Eu nunca pressionei para entrar para a campanha ou para não entrar; vem a hora que quer, vem se quiser também, porque, assim, eu estou dando o meu melhor, eu sei qual caminho que eu tenho que seguir”, disse o pré-candidato.
Flávio está impedido de visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão foi tomada após o pré-candidato divulgar, em suas redes sociais, uma carta na qual seu pai defendia a unidade da direita para derrotar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).


