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Avião sem piloto tem capacidade 25 vezes maior e transforma agronegócio

O Paraná está avançando no setor de aviação agrícola com o desenvolvimento pioneiro do AgroVANT, um modelo de aeronave não tripulada para pulverização. O projeto envolve instituições acadêmicas e empresariais do estado, como a Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), o Instituto Federal do Paraná (IFPR), a Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) e a Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Paraná.

Em maio deste ano, o Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação (Napi) avançou no desenvolvimento do AgroVANT. O primeiro teste em um protótipo de dois metros foi concluído com sucesso, e a construção do avião em escala real está em andamento, com prazo de até 36 meses para realizar todos os testes e garantir a autonomia total do modelo.

A aeronave deve pesar mais de uma tonelada, com 10 metros de asa e capacidade para 1 mil litros de insumos ou defensivos agrícolas. Um drone agrícola comum pode carregar cerca de 40 litros. Com motor a combustão, ela pode atingir 150 km/h.

A tecnologia envolve operação remota e segurança reforçada, a partir de uma estrutura projetada para transitar de voos supervisionados para voos completamente autônomos. Ou seja, no início, o piloto ficará no chão o tempo todo enquanto opera o avião, com a rota pré-programada. Isso garante mais segurança e maior espaço para os produtos, já que não há necessidade de cabine.

A pesquisa começou no ano passado, após o governo do estado do Paraná lançar o Napi para aeronaves de pequeno porte. Os estudos receberam um investimento de R$ 2,7 milhões, por meio da Fundação Araucária.

Apesar do desenvolvimento de um novo modelo, o uso de aviões agrícolas já é comum no Paraná. O estado é o sétimo com a maior frota tripulada do país, com 141 aeronaves, segundo o Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag). O número representa 4,8% da frota nacional desse tipo de aeronave. O levantamento foi feito a partir de dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

Benefícios do uso de aviões agrícolas no Paraná

Segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), existem 503 aeronaves agrícolas registradas no Paraná, pertencentes a agricultores, cooperativas, empresas rurais ou de aviação agrícola, e entidades de ensino. Do total, 122 são aeronaves convencionais e 381 são drones.

O presidente da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Ágide Eduardo Meneguette, explica que as aeronaves agrícolas são utilizadas, além da pulverização de produtos, para distribuir sementes e fertilizantes, auxiliar em reflorestamentos e também ajudar no combate a incêndios florestais.

Ele afirma que, apesar da possibilidade de utilizar diferentes métodos na agricultura, os aviões ganham destaque. As aeronaves permitem atender grandes áreas em pouco tempo, evitando o tráfego de máquinas, o amassamento de plantas e a compactação do solo. Ele acrescenta que os drones também podem ser uma boa opção em regiões menores.

Contudo, Meneguette alerta que o uso de aviões é mais caro em comparação com os métodos tradicionais. Ele também reforça que as aeronaves dependem de condições meteorológicas e podem ter uso limitado em áreas pequenas, muito recortadas ou próximas a residências, mananciais ou culturas sensíveis.

Frota agrícola cresce no Brasil

Em maio deste ano, o Brasil registrou 2,16 mil aeronaves agrícolas operacionais, segundo dados da Associação Brasileira de Aviação Geral (Abag). A frota operacional de aviões para pulverização agrícola cresceu 4,2% no mesmo mês, na comparação com os últimos doze meses. Além disso, as aeronaves turboélice para transporte de pessoas e cargas, que são as mais procuradas no setor rural, cresceram 7,1%.

Em 2025, a frota de aeronaves agrícolas no Brasil cresceu 2,5%, totalizando 2,87 mil aviões, de acordo com números do Sindag. Esse total não considera aviões de empresários. Aproximadamente 62,9% da frota, segundo o sindicato, é composta por serviços aéreos especializados, “evidenciando a consolidação da aviação agrícola como infraestrutura produtiva estratégica do agronegócio brasileiro”.

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