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Graças a Deus, Janja e Erika Hilton não me representam

Janja disse em entrevista, que as estadias em embaixadas e a opção de viajar em cabine executiva nos voos são protocolo de segurança. (Foto: André Borges / EFE)

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A última da Janja foi colocar-se como vítima da tal “misoginia”. Em entrevista a um portal aliado do governo, a “primeira-dama” disse que sofre críticas não por suas viagens sem razão (sempre de executiva, como ela mesma frisou), por suas declarações atropeladas, gastos exagerados ou por se meter onde não é chamada, mas, sim, pasmem, por “misoginia pura”. E ainda tem gente que acredita que a tal criminalização da misoginia não tenha como propósito a censura pura e simples.

Na mesma linha, a deputada Erika Hilton, puro suco de PSOL, quer tornar o que já era ruim em algo ainda pior. É sua a ideia de endurecer ainda mais o absurdo PL da Misoginia, incluindo uma emenda determinando que o argumento de liberdade de expressão, de liberdade religiosa, de convicções filosóficas, políticas, científicas ou acadêmicas não poderia servir como justificativa para afastar a responsabilização por condutas tipificadas pela lei.

O fato de ser mulher não faz das mulheres seres excelsos, imunes a críticas ou opiniões, mas há uma tendência estúpida no Brasil de se querer blindar grupos de críticas e do debate público

Na prática, se a proposta de Hilton passar e o PL da Misoginia acabar aprovado, nem padres, religiosos ou cientistas poderão falar algo que possa ser considerado misoginia. E, como vimos com Janja, tudo pode ser misoginia.

Um padre fez um sermão falando sobre a Carta aos Efésios de São Paulo? Misoginia! Um médico declara que o cérebro da mulher tem peso menor que o do homem? Misoginia! Alguém qualquer escreve em sua rede social que ser mãe é a maior realização de uma mulher? Misoginia! Chamou uma mulher feia de “feia”? Misoginia!

Um sociólogo diz que é comum haver mais pedreiros homens que mulheres? Misoginia! Fez uma crítica a uma mulher política, juíza ou servidora pública? Misoginia! E, principalmente, criticou a Janja, seja qual for o motivo? Misoginia!

O fato de ser mulher não faz das mulheres seres excelsos, imunes a críticas ou opiniões, mas há uma tendência estúpida no Brasil de se querer blindar grupos de críticas e do debate público, tornando crime qualquer crítica dirigida a eles. Leis frouxas, sem definições claras e cheias de vieses políticos – como a tal Lei da Misoginia – são aprovadas sob o pretexto de proteger, mas são usadas para oprimir, calar e perseguir. Isso já aconteceu com movimentos identitários de raça e gênero.

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Já no caso dos ministros do STF, nem foi preciso aprovar uma lei: a maioria dos brasileiros simplesmente acha que é crime criticá-los. Mas não existem (ou pelo menos não deveria haver) pessoas incriticáveis, independentemente do gênero, da cor da pele, do cargo, da renda ou do que quer que seja.

Mulheres como Janja, que acha que, por ser mulher, não pode ser criticada por seus gastos custeados pelos impostos dos brasileiros, ou como Hilton, que quer pura e simplesmente criminalizar até convicções pessoais e religiosas sobre gênero, são um desserviço às mulheres, ao menos àquelas que reconhecem o valor da liberdade de expressão.

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