O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça foi sorteado relator de uma queixa-crime movida pelo ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) por suposta calúnia, difamação e injúria relacionada a um vídeo em que o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL), diz que ele estaria “envolvido, hoje, num escândalo relacionado ao crime organizado lá em Goiás”. A distribuição ocorreu nesta terça-feira (17).
A publicação ocorreu em maio em quatro redes sociais de Boulos. Nela, o ministro tenta argumentar que há uma contradição no discurso duro contra o crime organizado, o que representaria “mais um capítulo da hipocrisia da extrema direita (sic)“.
A edição combina trechos de falas de Caiado contra a criminalidade com uma notícia sobre os contratos entre o governo de Goiás e uma fundação presidida por um empresário suspeito de lavar dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC), preso em Goiânia. De acordo com o portal UOL, os contratos somariam R$ 141 milhões.
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Na petição inicial, o governador lembra que não possui nenhum vínculo com a Fundação Pró-Cerrado e que não foi citado na operação conduzida pela Polícia Civil de São Paulo. O vídeo, dessa forma, esboçaria uma “narrativa falsa”, induzindo o espectador a acreditar em uma ligação entre o ex-governador e o esquema desvendado.
“O cenário construído pelo querelado é, portanto, produto de desonestidade deliberada. Tomou-se uma investigação que em nada envolve o querelante e forjou-se, a partir dela, narrativa de cumplicidade criminosa, com o exclusivo propósito de tisnar a honra e a reputação do Querelante às vésperas do processo eleitoral”, completa.
Além da condenação criminal, Caiado pede uma indenização de R$ 50 mil e que a quantia seja destinada a uma entidade filantrópica ou assistencial pelo próprio Supremo.
A Gazeta do Povo entrou em contato com Boulos. O espaço segue aberto para manifestação.


