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De café a ferro-gusa: EUA definem exceções no novo tarifaço sobre produtos brasileiros

O governo dos Estados Unidos, por meio do Escritório do Representante Comercial (USTR), formalizou a imposição de uma tarifa de 25% sobre todas as importações provenientes do Brasil, com início previsto para 22 de julho de 2026.

A medida é resultado de uma investigação da “Seção 301” que apontou práticas comerciais desleais e políticas brasileiras prejudiciais ao comércio digital, pagamentos eletrônicos e meio ambiente.

Entretanto, para evitar danos colaterais à sua própria economia, o presidente americano, Donald Trump, direcionou a criação de uma extensa lista de exceções.

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Mais cedo, o chefe do USTR, Jamieson Greer, declarou que houve falta de empenho do governo brasileiro nas negociações para melhorar a relação comercial entre os países, segundo relatos da emissora CNN.

O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já havia sinalizado no dia anterior que previa uma decisão desfavorável. Após o anúncio dos EUA, o Palácio do Planalto disse, em nota, que pretyende aplicar a Lei de Reciprocidade e classificou o tarifaço como um “marco lastimável” nas relações entre os dois países.

O governo americano poupou produtos que se enquadram em quatro categorias:

  • Matérias-primas que, se taxadas, causariam a interrupção do suprimento doméstico nos EUA;
  • Produtos que poderiam gerar desequilíbrios em toda a economia americana;
  • Itens que não podem ser produzidos em solo americano em quantidades suficientes ou a preços razoáveis, e que não possuem fontes alternativas de fornecimento fora do Brasil;
  • Artigos cuja taxação não contribuiria de forma prática para convencer o Brasil a eliminar as práticas questionadas.

Insumos industriais e agrícolas poupados

Diversos setores estratégicos foram protegidos pelas isenções. Na indústria pesada, o ferro-gusa e os resíduos de ferro e aço não serão tarifados.

A justificativa é que as fundições americanas dependem do ferro-gusa brasileiro, uma vez que mais de 95% da produção doméstica dos EUA é consumida internamente pelas próprias siderúrgicas integradas, sobrando pouco para o mercado livre.

Outro item crítico isento é o hidróxido de alumínio. O Brasil fornece cerca de 40% deste insumo para os EUA, que é essencial para o saneamento de água potável e para a fabricação de materiais retardantes de chamas usados na defesa e na indústria.

Café, carne e mel

No setor de alimentos, o café instantâneo não aromatizado e o mel orgânico foram destacados. O Brasil supre 80% das importações americanas de mel, enquanto a produção local dos EUA cobre apenas 3% da demanda. O café instantâneo foi poupado por não possuir fontes domésticas de produção nos EUA.

Diversos cortes de carne bovina fresca, refrigerada ou congelada, incluindo carcaças, cortes com osso e desossados também estão isentos. Apesar de pedidos de produtores americanos para tarifar a carne brasileira, a isenção foi mantida devido à disponibilidade limitada fora do Brasil.

A lista de exceções inclui pescados como atum (galha amarela e patudo), cavala, espadarte, tilápia (fresca ou congelada, incluindo filés), além de lagostas e outros crustáceos marinhos. Veja abaixo mais exceções:

  • Café em grão (não torrado ou torrado, descafeinado ou não), cascas de café e substitutos;
  • Chá verde, chá preto e mate;
  • Cocos, castanhas-do-pará, castanhas de caju, castanhas comuns e nozes macadâmia;
  • Bananas, abacaxis, abacates, goiabas, mangas, mangostões, mamões, laranjas, limões e kiwis;
  • Açaí (fruto, suco e preparações para fabricação de bebidas).
  • Suco de laranja (congelado ou não), suco de limão, suco de abacaxi e água de coco.

Saúde e tecnologia

A lista de isenções também priorizou a saúde pública. Produtos farmacêuticos e ingredientes ativos usados na fabricação de medicamentos foram excluídos da sobretaxa para evitar o aumento de custos no sistema de saúde americano. Além disso, materiais informativos, doações humanitárias e bagagem pessoal acompanhada continuam isentos.

Produtos que serão sobretaxados

A tarifa de 25% pode ser aplicada a qualquer mercadoria ou setor econômico do Brasil, independentemente de o setor estar envolvido nas práticas que motivaram a investigação americana.

Apenas os produtos que constam na lista de exceções estarão livres do tarifaço. Entre os itens que serão taxados, estão a celulose solúvel de alta pureza e produtos químicos para uso não-farmacêutico.

A decisão de retirar a celulose da lista de isenção baseou-se em alegações de que produtores brasileiros se beneficiam do desmatamento ilegal para reduzir custos.

O USTR rejeitou solicitações de exclusão para diversos setores, que continuarão sendo tarifados em 25%, incluindo:

  • Máquinas agrícolas, de mineração e de construção;
  • Calçados, vestuário (exceto roupas usadas) e ferramentas de jardinagem;
  • Açúcar orgânico e outros produtos agrícolas não especificados na lista de isenção;
  • Componentes de borracha para veículos, maquinário elétrico, papel e certos itens de aço.

Relatório final do USTR contra o Brasil

O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) detalhou os argumentos técnicos e legais que levaram à decisão de impor uma tarifa de 25% sobre as importações brasileiras, com vigência a partir de 22 de julho de 2026.

Segundo o documento oficial, a investigação conduzida sob a “Seção 301” concluiu que diversos atos, políticas e práticas do governo brasileiro são “irrazoáveis ou discriminatórios” e representam um fardo que restringe o comércio norte-americano.

Entre os motivos estão as políticas brasileiras voltadas ao comércio digital e serviços de pagamentos eletrônicos. O USTR determinou que estas práticas são passíveis de ação comercial por prejudicarem a competitividade das empresas dos EUA.

Setores industriais dos EUA argumentaram que tarifaço contra o Brasil é uma medida apropriada para permitir que o país recupere o valor de mercado perdido em decorrência das tarifas impostas pelo Brasil sobre o etanol americano.

O USTR disse ter recebido depoimentos alegando que produtores brasileiros obtêm uma vantagem competitiva desleal ao se beneficiarem do desmatamento, o que reduziria artificialmente os custos de terra e de insumos em comparação com os produtores americanos.

A investigação também apontou supostas falhas na proteção e aplicação dos direitos de propriedade intelectual no Brasil. O governo dos EUA ressaltou que essas preocupações não foram resolvidas, apesar do engajamento contínuo em fóruns como o relatório anual “Especial 301”.

O relatório enfatiza que as consultas bilaterais com o governo brasileiro não resultaram em uma solução satisfatória para as preocupações americanas. Diante disso, a aplicação de uma tarifa foi considerada necessária para forçar a eliminação das práticas questionadas.

Além dos setores citados, a investigação também incluiu em seu escopo críticas à aplicação de leis anticorrupção e à existência de tarifas preferenciais consideradas “injustas” adotadas pelo Brasil. O governo americano concluiu que alternativas, como negociações sem a imposição de taxas ou uma alíquota menor, seriam menos eficazes para atingir seus objetivos.

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