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Quem é o espião russo que relatou assédio do PCC em prisão brasileira?

Serguei Cherkasov, espião russo, num restaurante em 2017, em Moscou, durante uma videochamada descoberta pelo Departamento de Justiça dos EUA. (Foto: Reprodução/Departamento de Justiça dos Estados Unidos)

O russo Sergey Cherkasov, preso em Brasília por espionagem, pediu isolamento após relatar assédio de membros do PCC e pressão psicológica. Sob custódia desde 2022, ele também realizou greve de fome para recuperar materiais de leitura, enquanto aguarda uma possível extradição para a Rússia.

Quais foram as principais queixas de Sergey Cherkasov na prisão?

O russo relatou sofrer pressão psicológica, como a retirada de revistas, palavras cruzadas e cartas escritas em seu idioma nativo. Ele também reclamou da pouca luz solar na cela e da redução da iluminação artificial, o que prejudicava sua leitura. Para tentar recuperar seus materiais, Cherkasov chegou a fazer uma greve de fome no presídio federal de Brasília.

Como ocorreu o suposto assédio por parte do PCC?

De acordo com um relatório oficial, o assédio de integrantes da facção criminosa começou após a publicação de uma reportagem sobre o espião em uma revista nacional. Cherkasov pediu para ser isolado dos demais detentos após um tumulto no pátio de convivência que deixou outro preso ferido, alegando que passou a temer pela própria vida.

Por que Sergey Cherkasov é considerado um espião?

Ele é apontado pelas inteligências do Brasil, Holanda e EUA como um agente militar russo treinado. Cherkasov viveu anos no Brasil sob a identidade falsa de “Victor Muller Ferreira”, um suposto brasileiro de Niterói. Ele usava essa fachada para circular pelo exterior e quase conseguiu um estágio no Tribunal Penal Internacional, em Haia, onde pretendia acessar investigações sensíveis sobre crimes de guerra.

Qual é a situação atual do contato do russo com o exterior?

Cherkasov afirma que não consegue falar diretamente com sua mãe desde que foi transferido para Brasília. Outra dificuldade relatada é o envio de correspondências para a família na Rússia, pois faltam tradutores oficiais para verter suas cartas do russo para o português. Além disso, ele mencionou problemas de saúde, como dores articulares e a necessidade de atendimento dentário emergencial.

O que o governo brasileiro decidiu sobre o futuro dele?

O Ministério da Justiça determinou a expulsão do russo do país, fixando um veto de 30 anos para o seu retorno. Entretanto, essa medida só será executada após o cumprimento da pena atual ou autorização judicial. Atualmente, existe um impasse diplomático: embora os Estados Unidos tenham pedido sua extradição por crimes em solo americano, o Brasil manteve o foco na extradição para a Rússia.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

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